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Espiões na Costa do Sol portuguesa durante a II Guerra Mundial

 

Hotel Palácio, Estoril (Portugal)Sala de refeições. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983. [CFT003 005168.ic]

Durante a II Guerra Mundial, a Costa do Sol, e em particular o Estoril, viveu, curiosa e contraditoriamente, um momento de pujança. Aliás, num momento em que a Europa estava a ferro e fogo, com populações pela estrada a fugir das bombas e do black out que escurecia as cidades, Portugal tinha inaugurado, isolada e orgulhosamente a Exposição do Mundo Português, em Belém, então arredores de Lisboa, e a caminho da Costa do Sol.

 

Turistas, à época uma pequeníssima elite, só haveria alguns espanhóis e convidados pelo governo português. No entanto, os anos da II Guerra Mundial, entre 1939 – e já antes, desde 1933 – e 1945 foram em Portugal de turismo forçado para muitos dos perseguidos e fugidos à guerra e ao nacional-socialismo. Na Costa do Sol, além dos refugiados ricos, diplomatas e estrangeiros de passagem, também permaneceram, no período da II Guerra Mundial, muitos agentes secretos dos dois campos beligerantes, que se escondiam sob a capa de adidos diplomáticos. Foi isso que relatou o diplomata e escritor jugoslavo Miloch Tsrhanski, fugido de Roma, onde tinha sido adido de imprensa da Legação do seu país, antes de este ser invadido pelas forças do Eixo, em 1941, que esteve alojado no Hotel da Inglaterra, no Estoril.

 

Os agentes secretos da Alemanha terão escolhido o Hotel Atlântico, o Grande Hotel do Monte Estoril e o Hotel do Parque, enquanto o Grande Hotel da Itália, no Monte Estoril, e o Hotel Palácio eram os preferidos dos agentes secretos dos aliados, conforme afirmou Howard Whitman. Em Outubro de 1940, alojou-se no mesmo hotel o iraniano Nubar Gulbenkian, que colaborou com o MI 6 e, entre 19 e 24 desse mês, aí se instalou de passagem, Isaiah Berlin, então a trabalhar no British Information Service de Nova Iorque. Curiosamente, a sua amiga Virginia Wolf caracterizou este último como um «swarthy portuguese jew». «Kim» Philby e o futuro escritor Graham Greene, autor de inúmeros livros de espionagem, passaram pelos hotéis do Estoril, enquanto agentes secretos britânicos. Outro escritor e agente secreto que se alojou no Estoril, em Maio de 1941, quando trabalhava para o Naval Intelligence Department britânico foi Ian Lancaster Fleming, o criador da figura de James Bond. Thomas Malcolm Muggeridge, outro elemento do Intelligence Service inglês, alojou-se na Pensão Royal do Estoril, em Maio de 1942, enquanto o espião jugoslavo Bocko Christitch se hospedou no Grande Hotel do Monte Estoril, em Agosto de 1941.

 (tb aqui)

Deolinda, que graça! Eu gosto.

Tenho assistido a um «fenómeno» nos últimos tempos em Portugal. Muita gente adora repentinamente os «Deolinda». É certo que há também quem não goste nadinha…mesmo nadinha. Pedro ML, estou a falar de ti, desculpa lá.

A primeira vez que ouvi o grupo – acho óptimo que ele se chame dessa forma - foi a cantar há muito tempo a canção «Movimento perpétuo associativo». Vou contar: foi num táxi, à noite. O silêncio era sepulcral e eu pude ouvir a canção e ter a noção do texto. Adorei e ( é preciso dizer que eu sou uma bobdyliana e uma zecaafonsiana) achei que era extremamente inteligente, até porque dizia algo que eu sempre tinha pensado sobre (nós) os portugueses. «Vamos a eles! Travem-me, porque senão eu vou-me a eles!!!». Resta dizer, que não é preciso que nos travem, nós encarregamo-nos disso. Sabemos que somos assim, mas foi Fernão Mendes Pinto a dizê-lo, a retratar-nos. Aquela vontade de acabar com tudo e de desistir a meio do caminho. O non-sense…

Mas agora, de repente toda a gente descobriu. A extrema-esquerda órfã de tudo, até da razão para combater, mas aquela que tem reforma (choruda), aquela que está (embora sendo jovem) empregad(íssima), por razões políticas, resolveu que a última canção do grupo era um detonador para a revolta (daqueles que eles gostavam que se revoltassem, desde que não os incomodassem). A direita, desde JMF a VPV – este menos - (adivinhem de quem estou a falar…), acha que é uma canção contra a esquerda que manda neste país há anos e deixou a «malta nova» nesta situação. Recibos verdes. Já agora, sei muitíssimo bem o que é isso.

Este post não tem final nem moral. É a minha forma de dizer que os «Deolinda» são um grupo extraordinário. Não é quando todos (diferentes e desiguais) gosta, que algo se torna universal? Os Deolinda já estão a ser algo de universal em Portugal. Aconteceu.

P.S. já agora, ó Deolinda, não se deixem instrumentalizar (upsss, o Zeca diria: já fui paternalista!)

Alterações climáticas e aquecimento global

Nope, não vou falar daqueles do IPCC, embora recomende a leitura de um artigo do Guardian de ontem, «The case for climate action must be remade from the ground upwards», que explica como, na sequência do ClimateGate e das críticas a exageros de que há bem pouco tempo a Nature nos deu conta, a «ciência do clima está sob cerco e a política do clima em desordem». O clima de que importa falar é o clima político e um fenómeno que o El Niño financeiro dos últimos tempos está a tornar global: o descrédito da política e dos políticos.

 

Assim, recomendo vivamente outro artigo em língua inglesa, o que Rachel Sylvester escreve hoje no Times, «They’re all ignoring political climate change», que poderia, sem grande esforço de adaptação, ser utilizado para descrever a situação nacional. Assim como, sem grande esforço de adaptação, o que respondi a um comentário ao primeiro post sobre o ClimateGate, descreve o que penso sobre a fuga de informação do momento em Portugal:

 

«A questão do aquecimento global transformou-se num debate político e por isso mesmo tornou-se histriónico. A verdade não parece importar aos dois lados da barricada; só importa ganhar o debate e impor um ou outro modelo de sociedade. Daí que seja tão importante a análise científica séria, e não politizada, nem instrumentalizada. E também daí que seja desastroso, nesta altura do campeonato, que se venha lançar dúvidas sobre a atitude cientificamente séria e rigorosa de alguns, e apenas alguns, dos intervenientes neste debate.

Só li alguns dos emails e, a serem verídicos, não fiquei muito bem impressionada com alguns excertos sobre peer review e retaliações editoriais sortidas sobre os denialists. Espero que não sejam verídicos porque estou certa que a serem, dado o histrionismo do debate e a sua globalização na sociedade, isso trará consequências graves para a própria ciência mas em particular para a sociedade em geral
».

 

Mais importante que tudo isto, a resposta que o opinador do Guardian nos dá para resolver a crise de credibilidade do IPCC e, por arrasto, das alterações climáticas por efeito antropogénico aplica-se praticamente sem necessidade de adaptação a estoutra alteração do clima político: é necessário que a sociedade civil, todos nós - indivíduos, organizações e empresas - deixemos de ser meros espectadores de coros dissonantes (e histriónicos), peguemos no bastão e nos envolvamos na harmonização da orquestra.

Eu sou o do carro de trás

Porque é que aquele palhaço me está a buzinar?, olha 'tá verde, afinal o gajo tem razão, vou levantar-lhe o braço (o meu) e acenar com a cabeça. Para agradecer e pedir desculpa. Braço? Levanta-te e põe a mão a abanar para o senhor – vá, é uma ordem! E tu, cabecita, faz um ligeiro aceno, em tom compungido, enquanto um de vocês, olhitos, olha pelo retrovisor e tenta fixar o olhar no senhor.

Bem, verde, verde, verde, agora é avançar. Bracito, pára de abanar a mão e manda-a baixar o travão dela (o de mão, lá está). Isso. Agora aquela cena difícil do ponto de embraiagem. Tanto pedal, Jesus. Pézitos, pézitos, pézitos. Porra, lá aconteceu outra vez isto das luzes vermelhas. Deve ser do motor, tenho que o mandar polir. Dar à chave, dar à chave. Bracito, diz à mão para dizer ao senhor que espere, que isto sem calma não se faz. Mas anda cá depressa que preciso de ti para pôr o carro a trabalhar novamente e para agarrar o volante e partir em segurança. Já está, obrigado mãozita. Agora vós, pezitos, com calminha que é para correr tudo bem desta vez. Ai está. Vrum, vrum. Vamos a isso. Olhitos? Que me dizeis? Está vermelho? O semáforo está vermelho? Então e aquele senhor a buzinar?, está maluco ou quê? Anda bracito, ergue a mãozita e levanta-lhe o pai de todos como viste o senhor bean fazer. É pró gajo aprender.

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