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Cretinices

por Palmira F. Silva, em 29.08.11

Um pastor norte-americano pretende criar um site nacional onde sejam divulgados os ateístas. Porquê? Porque, de acordo com o devoto pastor, se já existe o National Registrys para "convicted sex offenders , ex-convicts , terrorist cells , hate groups like the KKK , skinheads , radical Islamists , etc.." por todas as razões e mais algumas deve haver algo análogo para os ateus. E as mais algumas são, claro, a proselitização e, se isso não resultar, o boicote dos negócios dos aliados do mafarrico.

Enfim, nada inesperado num crétin.

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E depois da Primavera, o Verão ou o Outono da revolução egipcia?

por Palmira F. Silva, em 28.08.11

A esfinge: o mesmo destino dos Budas de Bamiyan?

 

Nos últimos meses, extremistas salafi devotaram-se a "purificar" o Egipto da imagética religiosa não islâmica, atacando, para além de locais de culto cristãos e sufis, os vestígios da "cultura podre", como se referiu o porta-voz da Al-Dawa Al-Salafya (Salafist's Call) às pirâmides, esfinge e demais templos faraónicos.

 

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Perryshittery

por Palmira F. Silva, em 24.08.11

O verão passado, o Texas de Rick Perry, o devoto dominionista que é candidato às primárias nos EUA, resolveu devotar 4.4 milhões de dólares a educação sexual para adolescentes. Fantástico dir-se-ia, finalmente o Texas, que tem a maior taxa de mães adolescentes nos EUA, o país ocidental com a maior taxa de gravidez adolescente, resolveu deitar mãos à obra. Mas não, como este vídeo confirma, o que passa por educação sexual no Texas é simplesmente educação na religião do governador, em que "shaming and fear-based instruction are standard means of teaching students about sexuality," e, em algumas das escolas públicas do estado, estudo da Bíblia.

 

Mas enfim, não se poderia esperar muito mais do governador tão bat shit crazy religious nuts que convoca 3 dias de rezas para acabar com a seca mas considera a ciência um culto secular, e, em termos de cultos, tão, mas tão inferior ao seu*, que gostaria de ver abolido nas escolas públicas o ensino de cálculo, economia, física, química e biologia e de substituir arte e literatura por estudos bíblicos. Para além disso, o seu «goal is to establish affordable fundamentalist Christian learning and cultural centers that would serve as an alternative to public schools.»

 

*Ops, a partir daqui é um Poe, muito plausível mas um Poe.

 

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Falta de ética

por Palmira F. Silva, em 03.08.11

O reverendo Fred Nile, lider do Partido Democrata Cristão da Nova Gales do Sul,  tentou chantagear o governo regional indicando que chumbaria a legislação que este pretende passar a menos que se acabasse de vez com as aulas de ética que tanto desagradam aos líderes religiosos deste estado australiano. E digo tentou porque os protestos foram tantos que Barry O´Farrell, o PM do estado, informou ontem que não tenciona ceder à chantagem do reverendo.

 

Há cerca de  cem mil crianças nas escolas primárias do Estado cujos pais recusam as aulas de  «educação religiosa especial» (SRE). As aulas de ética tiveram início o ano passado em 10 escolas e este ano abrangem 128 escolas e cerca de 2700 alunos. Mas para o reverendo Fred Nile, as opções e vontade dos pais são irrelevantes, o que interessa é que as aulas de ética são uma ameaça à doutrinação obrigatória na sua fé das crianças. 

 

No dia 1 de Agosto, uma criança de 11 anos explicou ao reverendo porque razão deve manter a sua política, e a sua religião, fora das salas de aulas. Em particular deu-lhe uma lição de ética que, suspeito, passará completamente ao lado do piedoso reverendo. Charlie Fine escreveu no seu op-ed: «By all means, Mr Nile, you go out and be as Christian as you want; I respect that entirely. But that does not give you and your supporters the right to attempt to shape a future generation of adults in your mould - that is a religious conservative.» 

 

E passará completamente ao lado porque, ao mesmo tempo que exigem estridentemente respeito pelas suas crenças, respeito pelas opções alheias é algo que nem sequer passa pela cabeça dos cristãos mais fanáticos, tanto na Austrália como por cá. E, tanto por lá como por cá, consideram que é perfeitamente ético fazer reféns políticos, 100 mil crianças ou quem for preciso,  para impingir a sua religião a todos.

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E entretanto na Irlanda

por Palmira F. Silva, em 30.07.11

No dia 13 de Julho foi divulgado mais um relatório sobre abuso sexual de menores na Irlanda, leia-se por padres, o relatório Cloyne . Em mais uma investigação sem a prometida colaboração da Igreja, foi descoberto o óbvio: contrariamente ao que prometeu e ao que o Estado irlandês obriga pelo menos desde os relatórios Ryan e  Murphy,  este último a revelar o abuso endémico de menores em instituições católicas, o Vaticano continuou a encorajar os seus bispos a encobrir os casos de abuso sexual de menores, tão recentemente como há 3 anos.

 

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O estado de negação da direita religiosa strikes again

por Palmira F. Silva, em 29.07.11

Depois de Stephen Colbert, é a vez de Jon Stewart se divertir com as reacções da direita religiosa* aos bárbaros ataques terroristas na Noruega.

 

*Mais uma vez, e porque por muito que o repita as reacções pavlovianas parece que são inevitáveis, reitero que não considero a barbárie que aconteceu um atentado do terrorismo cristão. Tal como Susan Jacoby, considero que «What is fair to say about Breivik is not that he is a “Christian terrorist” but that he is a terrorist for whom Christianity, coupled with worship of the white European ubermensch, plays a vital symbolic and ideological role.»

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A ameaça bem real do fundamentalismo cristão

por Palmira F. Silva, em 29.07.11

 

Numa entrevista na MSNBC na segunda-feira, uma das estrelas do Tea Party, o fundamentalista cristão eleito para o Senado pelo Utah, Mike Lee, admitiu que estão a usar a ameaça de um default catastrófico, numa altura em que estruturas vitais do país começam a falhar por falta de dinheiro, para obrigar a escrita de uma Constituição divinamente inspirada que force para todo o sempre uma teocracia nos EUA.

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Virgens ofendidas ou o verdadeiro escocês

por Palmira F. Silva, em 27.07.11

Não deixa de ser divertido ver um dos maiores pregadores de ódio (cristão) da Faux News reagir, como reagem tantos em tantos lados, ao massacre na Noruega.

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O manifesto da supremacia cristã

por Palmira F. Silva, em 24.07.11

Perante a estupefacção geral, o advogado do terrorista que tentou intimidar a Noruega informa-nos que o seu cliente classificou os seus actos, a que chama execuções de marxistas culturais e traidores multiculturalistas,  como horríveis mas necessários. Talvez por considerar as barbaridades que cometeu uma lição tão necessária que só tardava, os relatos das testemunhas das atrocidades na ilha indiquem que estava  «jubilante e a gritar vitoriosamente» enquanto assassinava crianças e adolescentes. 

 

O manifesto de 1516 páginas, que preparou durante anos e terminou pouco antes dos atentados, assim como o manifesto em vídeo, explica com muito detalhe por que razão considerou necessário matar crianças e adolescentes indiscriminadamente. Ambos são manifestos da supremacia cristã e da islamofobia, algo que é claro ao longo do (repugnante) texto mas também neste wordle de Jarret Brachman e na própria capa do manifesto da suposta declaração de independência.

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O terror do fundamentalismo indeed

por Palmira F. Silva, em 23.07.11

(imagem roubada ao CC)

Na BBC, ouço que Anders Behring Breivik, um norueguês, louro e de olhos azuis, com ligações de facto a grupos fundamentalistas mas cristãos (e à extrema direita nacionalista), foi acusado de ambos os atentados terroristas que ontem abalaram o país nórdico. Vou esperar para ver as manchetes dos media, de que estes dois são apenas exemplo, que imediatamente e sem qualquer confirmação ulularam terrorismo islâmico. Mas estou certa que nunca irei ler nada parecido com terrorismo cristão**. E, já agora, quero ver se o PM norueguês tem a coragem do seu congénere irlandês* e mantém o recado.

 

* Enda Kenny, sem medo de afrontar a religião dominante do seu país, a propósito de mais um escândalo, muito recente, de abuso sexual de menores, chamou os bois pelos nomes e proferiu no Parlamento «The Cloyne report excavates the dysfunction, the disconnection, the elitism that dominate the culture of the Vatican today. The rape and torture of children were downplayed, and managed to uphold instead the primacy of the institution, its power, its standing and its reputation.»

 

** depois de escrever o post, descobri o Suspeito detido é um “fundamentalista cristão”  no Público. Os comentários são um must :)

 

Adenda: Melhor que eu, o "The omnipotence of Al Qaeda and meaninglessness of "Terrorism""no Salon explica este post, em particular, mas não só, este pequeno excerto"In other words, now that we know the alleged perpetrator is not Muslim, we know -- by definition -- that Terrorists are not responsible; conversely, when we thought Muslims were responsible, that meant -- also by definition -- that it was an act of Terrorism. "

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Coisas realmente importantes no combate à corrupção

por Palmira F. Silva, em 15.06.11

Com o calor a apertar e a tentar em particular as mais jovens a transgredir a «segurança moral» iraniana,  o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, decidiu reforçar as hostes da polícia moral. Assim, serão mais de 70 mil os polícias morais que patrulharão as ruas das grandes cidades iranianas para conter a «invasão vulgar do Ocidente» manifesta no colar masculino, na unha pintada ou no hijab mais arrojado. Tudo em nome do combate à corrupção porque, como explicou Khamenei,  «Se um país parece avançado, mas sofre de uma cultura imoral e aspectos espirituais (imorais) é uma nação corrupta».

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Andar nas nuvens

por Palmira F. Silva, em 14.05.11

Os halos, solares e lunares, são um fenómeno óptico bastante vulgar que ocorre em determinadas condições atmosféricas, mais concretamente, a formação de halos deve-se à difracção (e reflexão) de luz nos minúsculos cristais de gelo existentes nas nuvens que dão pelo nome cirros-estratos.

 

Os cirros-estratos, nuvens que lembram um véu transparente, formam-se entre 5 e 11 km e portanto o fenómeno pode ocorrer em qualquer ponto do globo, dos pólos ao equador, como confirmaram há uns anos os gaúchos de Rio Grande do Sul.

 

Por vezes, em latitudes que permitem temperaturas suficientemente baixas, ocorre um fenómeno conhecido como «Pó de diamante», em que os halos são formados por difracção da luz em cristais de gelo formados próximo do solo, tão próximo que o fotógrafo pode «tocar» os raios de luz com as mãos.

 

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Ainda as leis da blasfémia

por Palmira F. Silva, em 02.03.11

Dois meses depois do bárbaro assassínio de Salman Taseer, governador do Punjab, foi hoje assassinado o ministro paquistanês para as Minorias, o único cristão do executivo. "Os relatos iniciais são de que ele foi morto por três homens, provavelmente com uma Kalashnikov, mas ainda estamos a tentar estabelecer o que aconteceu exactamente", explicou o chefe de polícia da cidade, Wajid Durrani. Shahbaz Bhatti, que foi morto em plena luz do dia na capital Islamabad, era um firme opositor à lei da blasfémia que vigora no país e que, como todas as leis da blasfémia, serve apenas como arma de perseguição de todos os que não comunguem da religião maioritária.

 

Pelo menos desde Janeiro que o ministro, como reconheceu numa entrevista à BBC, recebia ameaças de morte pela "blasfémia": "Disseram-me que se eu continuasse a campanha contra a lei da blasfémia seria assassinado, seria decapitado, mas as forças da violência, as forças do extremismo não me conseguem atingir, não me conseguem ameaçar”, declarou na entrevista.

 

Hoje, os extremistas conseguiram atingi-lo, fatalmente. No local do assassínio a polícia encontrou panfletos do Tehrik-i-Taliban Punjab, um grupo taliban com ligação à Al-Qaeda,que ameaçam de morte todos os que se atreverem a criticar a lei da blasfémia. O terrorismo e violência religiosos continuam a ditar as leis no Paquistão.

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De relativismos morais

por Palmira F. Silva, em 27.02.11

Na sua mui contestada visita ao reino Unido, Bento XVI debitou umas ainda mais contestadas palavras para explicar as causas do Holocausto:«Enquanto reflectimos sobre as advertências do extremismo ateu do século XX, não podemos nunca esquecer como a exclusão de Deus, da religião e da virtude da vida pública, conduz em última análise a uma visão truncada do homem e da sociedade.»

 

Uns meses depois destas afirmações e escassos dias depois de se saber que o Vaticano enviou (mais) um padre abusador de menores para um retiro de oração e penitência, certamente para confirmar que sem fé em deuses não há moralidade possível, o Vaticano confirmou o que há muito se sabia mas era veeementemente negado:

 

«Confidential Vatican reports obtained by the National Catholic Reporter, a weekly magazine in the US, have revealed that members of the Catholic clergy have been exploiting their financial and spiritual authority to gain sexual favours from nuns, particularly those from the Third World who are more likely to be culturally conditioned to be subservient to men.

 

The reports, some of which are recent and some of which have been in circulation for at least seven years, said that such priests had demanded sex in exchange for favours, such as certification to work in a given diocese.

 

In extreme instances, the priests had made nuns pregnant and then encouraged them to have abortions.»

 

Claro que todos sabemos que para o Vaticano os únicos maus da História são os ateus, os relativistas morais que conduzem a uma visão truncada do homem e da sociedade, responsáveis por todos os males do mundo, em particular, responsáveis por denunciar a muita roupa suja moral escondida pelo Vaticano.

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Leis da blasfémia: Shock & Awe no Punjab

por Palmira F. Silva, em 04.01.11

Salman Taseer, governador do Punjab, foi assassinado hoje por, de acordo com as alegações do assassino transmitidas pelo ministro do Interior paquistanês, ser contra a lei da blasfémia vigente no país. Tasser era uma figura destacada no Partido do Povo do Paquistão, o  partido de Benazir Bhutto, igualmente assassinada por motivos religiosos,  e muito próximo do Presidente Asif Ali Zardari, viúvo de Bhutto. O governador criticou muito veementemente nos últimos dias a lei da blasfémia  e pediu perdão para Asia Bibi, na foto, tirada na prisão uns dias após a sua condenação à morte, com a mulher e filha de Taseer. Os líderes de vários grupos religiosos, que convocaram uma greve a semana passada em apoio da lei da blasfémia,  denunciaram-no estridentemente como apóstata e acirraram multidões ululantes a queimarem efígies de Taseer durante a greve.

 

No dia 30 de Dezembro, Taseer postou no Twitter: «I was under huge pressure sure 2 cow down b4 rightest pressure on blasphemy. Refused. Even if I'm the last man standing.» Taseer não se vergou às barbaridades da religião mas o apelo ao ódio daqueles que não querem perder o poder que detêm nesta parte do globo surtiu o efeito desejado: não só silenciaram para sempre a voz mais corajosa em defesa de um estado de direito no Paquistão como encurralaram o governo numa chantagem ignóbil, com a ameaça de secessão do Punjab.

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Da positividade da laicidade

por Palmira F. Silva, em 02.01.11

Nas homilias de ano novo dos dignitários da delegação nacional da ICAR a laicidade figurou proeminente. José Policarpo, pela enésima vez,  explicou-nos o que deveria ser a laicidade segundo a ICAR, aquela que é adjectivada, a sã, a positiva, que passa por favorecer a religião, a católica, claro, e transpor para a política «as dimensões éticas da religião», mais uma vez a católica.

 

No Porto, Manuel Clemente foi ainda mais longe e explicou que não favorecer a religião católica nem a transpor para o «âmbito político» é a laicidade má, igualzinha ao fundamentalismo religioso que se atira contra torres, gémeas ou não, e se faz explodir em carruagens sortidas. De facto, de acordo com o bispo do Porto, «Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas da rejeição do legítimo pluralismo e do princípio da laicidade. Ambas absolutizam a visão redutiva e parcial da pessoa humana, por isso mesmo as leis e as instituições de uma sociedade não podem ser configuradas ignorando a dimensão religiosa dos cidadãos».

 

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Santa Ignorância - I

por Palmira F. Silva, em 26.12.10

Este ano, ironica e serendipidicamente, uma das minhas prendas de Natal foi o livro «Holy Ignorance. When Religion and Culture Diverge», que já folheei e do qual li já alguns bocadinhos, um dos quais trata, mais alargadamente, do que escrevi no Eclipse do Solstício.

 

Olivier Roy apresenta no livro uma teoria muito original para a origem do fundamentalismo que é exemplificada na perfeição com a necessidade que os mais fundamentalistas sentem de inventar a ridícula guerra ao Natal. De facto, quando apresentam quasi como o expoente máximo do cristianismo o que Roy chama uma construção social que a globalização tornou universal, esses fundamentalistas carpideiros manifestam um caso agudo de «santa ignorância».

 

Ou seja, o Natal que hoje quase todos celebramos da mesma forma, com uma lauta refeição que reune a família e onde se trocam presentes, eu, ateia, os meus vizinhos hindus e muçulmanos, que decoram as umbreiras da porta com grinaldas,  e até os judeus que incluiram a «tradição» no Hanukkah, assenta numa herança cultural mais velha que as religiões actuais e tem muito pouco ou mesmo nada a ver com a «pureza» da fé que supostamente defendem os que carpem perseguição por se venderem perus halal ou por um ateu se juntar a um desfile de Natal com a faixa «Reason Greetings».

 

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Total Eclipse do solstício

por Palmira F. Silva, em 19.12.10

Ao longo de toda a história, no hemisfério Norte, berço da civilização, se celebrou o solstício de Inverno em festividades e festivais sortidos.  As antigas culturas agrícolas concederam significado sagrado ao retorno da luz, ao nascimento de novas plantas e animais, a um novo ciclo de abundância. As suas festas tinham nomes, como Saturnália, Yule ou Lúcia, algumas delas celebradas até hoje.

 

Foi o significado especial que o solstício de Inverno desde sempre assumiu que levou a igreja cristã a designá-lo como o aniversário do seu deus incarnado. Com esta medida não só aculturou festividades profundamente enraizadas como aculturou ciclos divinos já muito bem estabelecidos nas religiões que a antecederam na sua esfera de influência: o nascimento do deus no solstício de Inverno, a sua morte, na cruz em muitos casos*, e ressurreição no equinócio da Primavera.

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O Drama, o Horror, a Tragédia -III

por Palmira F. Silva, em 18.12.10

Fort Worth Transportation Authority Board Meeting from Zachary Moore on Vimeo.

O singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses continua a causar estragos em Fort Worth no Texas. Tantos estragos que, como verberou um dos membros do conselho de administração da autoridade de transportes locais, a possibilidade dos autocarros poderem publicitar mensagens tão obviamente anti-cristãs e tão ofensivas a Deus, levou ao banimento de todos os anúncios relacionados com religião ou falta dela.

 

É de facto extraordinário o que os crentes estão dispostos a fazer por causa da constatação de um facto banal. Assim como são extraordinárias as coisas que os crentes consideram ofensivas, anti-cristãs ou mesmo incitadoras de ódio, nomeadamente morrer de cancro e na mensagem de despedida não mencionar nem deuses nem seres mitológicos, apenas as graças salvadoras da família, dos amigos e do poder da esperança e da resiliência, essas coisas neo-comunistas e nihilistas. E depois há quem considere que pedir a esses crentes justificações das suas afirmações extraordinárias é, para além de um incitamento ao ódio,  intolerância, falácia, contar espingardas, querer acabar com a religião por referendo...

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O Drama, o Horror, a Tragédia -II

por Palmira F. Silva, em 13.12.10

Em Fort Worth no Texas, continua a causar alarido o singelo anúncio de que se pode ser bom sem deuses, uma afirmação tão chocante que levou os bons cristãos (porque cristãos bons para esta gente é um pleonasmo) a alugar uns camiões para seguirem os insultuosos autocarros com grandes cartazes dizendo «I still love you - God» e «2.1 billion people are good with God».

 

«Faz uma pergunta impertinente, e estarás no caminho de uma resposta pertinente», por muito que considerem que essa pergunta seja falaciosa, insultuosa, intolerante, contar espingardas ou afins, acrescento eu, é o conselho que nos legou Jacob Bronowski, matemático, pintor, poeta, escritor, historiador, filósofo e divulgador de ciência. O mesmo Bronowski que nos explicou que questionar impertinentemente verdades consideradas inquestionáveis, procurar continuamente o erro e rejeitar dogmas, é o único antídoto para a desumanização que advém da arrogância nascida de verdades absolutas. Como a desumanização subjacente à afirmação da senhora do vídeo que afirma muito indignada que sugerir que um ateu pode ser boa pessoa é um insulto inaceitável ao cristianismo.

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