
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (Belém, 19 de fevereiro de 1954 –– São Paulo, 4 de dezembro de 201)
"Ele foi a antítese do bom atleta: era contra treinos individuais ou coletivos e abstinência - sobretudo de sexo, álcool, fumo, noitada e viola (que tocava). Até o seu nome fugia do convencional: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Fez medicina enquanto jogava, expôs-se em política e via o binômio cartola-jogador da ótica das relações de trabalho. Deu-se à cidadania com afinco, sendo intransigentemente solidário com os colegas. Para empregar o termo típico da inútil e néscia ditadura militar brasileira, Sócrates era subversivo. Todavia, do ponto de vista estritamente democrático, um cordial e saudável subversivo - utilíssimo à humanidade."
António Falção, in Um Sonho em Carne e Osso: Os fora de série do futebol brasileiro

corrida de fundo, de fundo mesmo, foi a de Stamata Revithi, também no ano de 1896. E neste caso, é indiferente se é mito ou realidade .
esta entrevista de Anselmo Borges a António Marujo (na Pública de hoje). Dois excertos:
"Quando esmaga o ser humano, quando em nome de Deus se mata ou se impede a crítica ou o desenvolvimento das pessoas, quando em seu nome se cometem injustiças, aí a religião é opressora. E também oprimiu quando trouxe medos, com coisas como o inferno, com o impedimento da alegria a nível sexual, todo esse universo de pânico. Mas, pela sua própria dinâmica, ela é libertadora. Toda a religião arranca desta pergunta: o quê ou quem liberta e salva? Na sua raiz, ela só pode entender-se enquanto força de liberdade e libertação."
"Um deus que mete medo, que humilha as pessoas e impede a sua alegria, que leva à violência e à guerra, é um deus em relação ao qual só há uma atitude digna: ser ateu. O mesmo se diga da doutrina que diz que Deus precisou da morte do Filho para aplacar a sua ira. Este deus seria pior que eu, é imoral, porque mata a vida, quer o sangue do Filho, precisa de vítimas. Isso é absolutamente intolerável. Um Deus que exige o sangue das vítimas é o Deus da vingança. Ora, se Deus se vinga, nós também podemos vingar-nos, podemos ir para a guerra. O Deus que Jesus anunciou constituiu uma revolução. Jesus não veio anunciar que há Deus, porque Deus nesse tempo era uma evidência social. O núcleo da sua mensagem é que Deus é amor. Esta é que é a notícia boa e felicitante do Evangelho. Ora, o que a Igreja pregou muitas vezes, ao longo dos tempos, foi uma má notícia, o "disangelho", no dizer de Nietzsche."
Um dos magníficos de 'A Bola', ao lado de Vítor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Alfredo Farinha e Homero Serpa.
Reencontrar amigas que não se vêem há trinta anos devia provocar uma sensação física de estranheza, um súbito, breve e doloroso "O que estou aqui a fazer?". Todos os rostos envelheceram, os sonhos em comum passaram a resoluções solitárias, depois partilhadas por terceiros, num afastamento inexorável que se parece, outra vez em dor lenta e muda, com as fotografias da infância que vão perdendo a vivacidade e o ritmo das cores solares até se esbaterem nos casacos cinzentos, nas camisolas magenta, no eclipse das formas das pernas, do pescoço, das mãos, para se apagarem de vez num filtro branco - a memória.
Reencontrar amigas que não se vêem há trinta anos devia provocar uma sensação física de estranheza, de embaraço, até, mas não provoca.
Toca-se, abraça-se, ri-se, e o toque, o abraço e o riso são, subitamente, tão naturais como a compaixão ou a preguiça. Apenas com os amigos isso acontece - nunca com a família, que se revisita pela bela necessidade dos rituais, nunca com aqueles, outrora paixões, de quem nos afastamos longamente em determinada fase da vida.
Ao reunir-me com a Isabel, a Cristina, a Clara e a Diana, três décadas após a angústia dos exames, a aprendizagem da desilusão, a alegria dos sucessos mais efémeros e a comunidade dos amores mais desastrosos, o amuo colectivo daquelas manhãs frias em que nada apetece e o corpo se deixa levar pelas marés até à hora longínqua do lanche, a certeza da cumplicidade e da verdade sem fim, é como se nunca nos tivéssemos separado. O traço dos olhos, dos meus e dos delas, é menos firme, as mãos são menos límpidas, o cabelo, reflectindo as horas passadas em claro pela paixão, pelo esforço, pelo triunfo e pelo luto. Mas o olhar é o mesmo, os gestos, largos ou breves, são os mesmos. O humor é o mesmo. O carinho é o mesmo. O conforto é o mesmo.
Regressar às amigas de adolescência é como regressar ao início, aos nossos primeiros dias, mas, onde, agora, a ilusão furtiva da nostalgia desapareceu por completo. É simples: abre-se os olhos, olha-se para um espelho onde está reflectido o essencial de nós próprias e, sorrindo, gosta-se do que se vê.
(roubado no FB à Marta Chantal)
que moldes defendes tu para a visita de um Papa a Portugal (partindo do princípio que admites a possibilidade de uma visita). Que exiges a Bento XVI? Que faça discursos laicos de fato e gravata? Que negue a Verdade de Cristo como absoluta perante não-crentes? Que prescinda da influência que tem sobre milhares e milhares de portugueses? E ao Estado? Que, nessa impossibilidade, confine o Papa (e a mensagem religiosa) aos templos e reuniões de católicos, impedindo-o de comunicar com a sociedade em geral? Que proíba a realização de uma missa no Terreiro do Paço? A sério, tal como tu cidadã, tenho muita curiosidade* em saber como seria se te competisse decidir, nesta matéria, em nome dos portugueses.
Em Portugal, a Igreja - hierarquia e crentes - propõe (já agora, é quando diz "a visita, que agora inicio sob o signo da esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e de missão" que o Papa te impõe a salvação?) e defende as suas posições (na IGV, na recente lei do divórcio, no CPMS perdeu). Deveria estar impedida de o fazer? Diz-me. A laicidade pede-se - exige-se - ao Estado, é o que eu defendo, convictamente. Mas também me parece que o Estado só é verdadeiramente laico quando convive sem dramas nem fobias com a manifestação religiosa.
*em resultado disto, e disto, e disto e disto e disto
"O sofrimento da Igreja vem do interior da Igreja, dos pecados que existem na Igreja. Considero isso algo verdadeiramente aterrador. A maior perseguição à Igreja não vem dos inimigos do exterior mas nasce, sim, dos pecados da Igreja. Existe a grande necessidade de se cumprir a penitência, de aceitar a purificação, de forma a procurar o perdão mas também a justiça. O perdão não exclui a justiça".
Bento XVI (sobre os casos de pedofilia na Igreja Católica)
Um texto a ler na íntegra.
They are gods (Olha, não escolheram o Messi)
e com banda sonora à altura. Parabéns, Roger.
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
Poema 'Revolução', Sophia de Mello Breyner Andresen
por Valupi. Muito bom.
Um excerto: "Aqueles que consideram mais graves os casos ocorridos na Igreja do que numa instituição secular, ou na família, passam por entre as gotas da chuva porque não são obrigados a justificar a sua indignação selectiva. É que para se atribuir maior gravidade tem de se outorgar maior responsabilidade – e qual seria ela, uma responsabilidade religiosa?… Qualquer vítima de um membro, ou grupo, da Igreja Católica pode apresentar queixa às autoridades civis. O Estado fornece todos os meios para fazer valer os direitos dos cidadãos. O poder secular esmaga o poder religioso. Todavia, se a Igreja não é mais do que qualquer outra entidade cívica, também não será menos. A sua cultura deve ser respeitada, tal como se respeitaria uma tribo nativa por se reconhecerem as suas especificidade e determinantes étnicas. Com a Igreja não é diferente, pois se rege por princípios irredutíveis à racionalização contemporânea. E se a virmos como um Estado entre outros Estados, então teremos de levar essa lógica até ao fim e admitir a sua soberania e o direito à autodeterminação. A retórica inflamada contra o Vaticano, esquecendo a antropologia e a História, é combate ideológico oportunista, simulacro de justiça."
'Mas o que não me escapa agora é a caça ao padre. Já começou, e vai continuar. Vai, vai. É uma fé que tenho: acredito na má-fé dos imbecis. Imbecis, porquê? Quem em nome de uma causa (combater a pedofilia) atira a torto e a direito, serve aqueles que combate porque banaliza os pulhas e até acaba por os ocultar. Imbecis, portanto.'
Ferreira Fernandes, DN, 30 de Março
(John Everett Millais)
O Inverno é a eterna infância do nosso contentamento, das palavras dos anciãos ouvidas à lareira, do sono nos sofás de veludo grená, do corpo espreguiçado em tapetes macios e altos, dos doces das tias velhinhas, dos beijos na testa pelas avós perfumadas a flor, dos gorros feitos à mão e dos bonecos de neve, dos cobertores depois da chuva no caminho para a escola, do chá de limão e das bolachas maria, das primeiras paixões ao abrigo das grandes arcadas no intervalo da aula, do calor dos restaurantes da nossa vida, das manchetes antecipadas, madrugadas de sexta, por chávenas de chocolate quente e espesso, dos quilómetros percorridos para os braços de quem se ama, do sol discreto e afectuoso, das avenidas geladas e dos bengaleiros em Madison Avenue, das aldeias costeiras do Mediterrâneo, das piscinas aquecidas da Irlanda, dos quartos forrados a pêssego, em Cork, da cordialidade da gente de Dublin, do Natal e do cheiro da canela e do mel, dos filmes de Hitchcock e Preminger e das histórias de Simenon, da cabeça afundada num manto de almofadas fofas e brancas, companhia minha, com a chuva bela a bater nas portadas, antes de adormecer, tranquila, à espera de mais frio e do novo calor que dele de novo protege. O Inverno é a serena medida da felicidade.
este post do Miguel Marujo.
Adenda - a ler, também, o "Silêncio Romano", n' A Terceira Noite
E ainda há tanto caminho a fazer
Hoje de manhã, ao telefone, depois de me identificar.
Eu -Estou a falar com X?
Do outro lado - Que quer?
Eu - Estou a falar com X?
Do outro lado - Se é para pedir dinheiro emprestado já disse aos outros que não.
Eu - Como? Fala do Diário de Notícias. É X?
Do outro lado - Sou António mas não tenho nada a ver com isso. Está-me sempre a telefonar pessoal que não conheço. Não sei o que se passa com o telefone. Sei que o comprei no Continente. Sou torneiro-mecânico, é para uma entrevista?
Eu - Desculpe, foi engano.
Do outro lado- Torneiro-mecânico já não queres, não é? Vão todos para o caralho. E por isso que este país não vai para a frente.
"Luís não avisou ninguém do acto radical. Mas radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento. O PÚBLICO tentou ouvir a directora da escola, que justificou que só presta declarações mediante autorização da Direcção Regional de Educação de Lisboa. Fizemos o pedido e não recebemos resposta".
jornal Público, 12 de Março
as quatro perguntinhas do Valupi.
As we come marching, marching, we bring the greater days
A Irene Pimentel vai estar no Prós e Contras de hoje a falar sobre o estado do país. Com o tema "rumo incerto", o programa começa as 22:45, na RTP1
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
