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jugular

João.

"Evite dar ouvidos a monomaníacos, gente de uma só causa e uma só ideia. Mas não desconfie menos daqueles que estão sempre prontos a discorrer a todo o momento sobre qualquer assunto, sobretudo se forem vivos de espírito. Duvide de afirmações taxativas, unilaterais, lapidares. Procure conhecer as opiniões contrárias, principalmente aquelas de que à partida discorda. Lembre-se de que, se toda gente concorda com algo, provavelmente tratar-se-á de um erro. 

Faça de conta que o mundo existe fora das suas opiniões. Pratique a ironia em relação às suas certezas pessoais. Ensaie pensamentos desconfortáveis. Duvide. Esqueça. Aprenda. 
O cepticismo, outrora luxo de filósofos, é agora necessidade que todo o cidadão precisa de cultivar, sob pena de a estupidez tomar conta do mundo."

RIP

 

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (Belém, 19 de fevereiro de 1954 –– São Paulo, 4 de dezembro de 201)

 

"Ele foi a antítese do bom atleta: era contra treinos individuais ou coletivos e abstinência - sobretudo de sexo, álcool, fumo, noitada e viola (que tocava). Até o seu nome fugia do convencional: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Fez medicina enquanto jogava, expôs-se em política e via o binômio cartola-jogador da ótica das relações de trabalho. Deu-se à cidadania com afinco, sendo intransigentemente solidário com os colegas. Para empregar o termo típico da inútil e néscia ditadura militar brasileira, Sócrates era subversivo. Todavia, do ponto de vista estritamente democrático, um cordial e saudável subversivo - utilíssimo à humanidade."

 

António Falção, in Um Sonho em Carne e Osso: Os fora de série do futebol brasileiro

leiam, leiam, vale muitas missas

esta entrevista de Anselmo Borges a António Marujo (na Pública de hoje). Dois excertos:

 

"Quando esmaga o ser humano, quando em nome de Deus se mata ou se impede a crítica ou o desenvolvimento das pessoas, quando em seu nome se cometem injustiças, aí a religião é opressora. E também oprimiu quando trouxe medos, com coisas como o inferno, com o impedimento da alegria a nível sexual, todo esse universo de pânico. Mas, pela sua própria dinâmica, ela é libertadora. Toda a religião arranca desta pergunta: o quê ou quem liberta e salva? Na sua raiz, ela só pode entender-se enquanto força de liberdade e libertação."

 

"Um deus que mete medo, que humilha as pessoas e impede a sua alegria, que leva à violência e à guerra, é um deus em relação ao qual só há uma atitude digna: ser ateu. O mesmo se diga da doutrina que diz que Deus precisou da morte do Filho para aplacar a sua ira. Este deus seria pior que eu, é imoral, porque mata a vida, quer o sangue do Filho, precisa de vítimas. Isso é absolutamente intolerável. Um Deus que exige o sangue das vítimas é o Deus da vingança. Ora, se Deus se vinga, nós também podemos vingar-nos, podemos ir para a guerra. O Deus que Jesus anunciou constituiu uma revolução. Jesus não veio anunciar que há Deus, porque Deus nesse tempo era uma evidência social. O núcleo da sua mensagem é que Deus é amor. Esta é que é a notícia boa e felicitante do Evangelho. Ora, o que a Igreja pregou muitas vezes, ao longo dos tempos, foi uma má notícia, o "disangelho", no dizer de Nietzsche."

Friends

Reencontrar amigas que não se vêem há trinta anos devia provocar uma sensação física de estranheza, um súbito, breve e doloroso "O que estou aqui a fazer?". Todos os rostos envelheceram, os sonhos em comum passaram a resoluções solitárias, depois partilhadas por terceiros, num afastamento inexorável que se parece, outra vez em dor lenta e muda, com as fotografias da infância que vão perdendo a vivacidade e o ritmo das cores solares até se esbaterem nos casacos cinzentos, nas camisolas magenta, no eclipse das formas das pernas, do pescoço, das mãos, para se apagarem de vez num filtro branco - a memória.

Reencontrar amigas que não se vêem há trinta anos devia provocar uma sensação física de estranheza, de embaraço, até, mas não provoca.
Toca-se, abraça-se, ri-se, e o toque, o abraço e o riso são, subitamente, tão naturais como a compaixão ou a preguiça. Apenas com os amigos isso acontece - nunca com a família, que se revisita pela bela necessidade dos rituais, nunca com aqueles, outrora paixões, de quem nos afastamos longamente em determinada fase da vida.
Ao reunir-me com a Isabel, a Cristina, a Clara e a Diana, três décadas após a angústia dos exames, a aprendizagem da desilusão, a alegria dos sucessos mais efémeros e a comunidade dos amores mais desastrosos, o amuo colectivo daquelas manhãs frias em que nada apetece e o corpo se deixa levar pelas marés até à hora longínqua do lanche, a certeza da cumplicidade e da verdade sem fim, é como se nunca nos tivéssemos separado. O traço dos olhos, dos meus e dos delas, é menos firme, as mãos são menos límpidas, o cabelo, reflectindo as horas passadas em claro pela paixão, pelo esforço, pelo triunfo e pelo luto. Mas o olhar é o mesmo, os gestos, largos ou breves, são os mesmos. O humor é o mesmo. O carinho é o mesmo. O conforto é o mesmo.

Regressar às amigas de adolescência é como regressar ao início, aos nossos primeiros dias, mas, onde, agora, a ilusão furtiva da nostalgia desapareceu por completo. É simples: abre-se os olhos, olha-se para um espelho onde está reflectido o essencial de nós próprias e, sorrindo, gosta-se do que se vê.

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