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jugular

E ela cedeu

"O apoio manifesto ao casamento gay no programa da coligação Unidos pelo Brasil motivou a reacção irada dos evangélicos. Em mensagens publicadas no Twitter, o pastor Silas Malafaia chegou a ameaçar a candidata, apresentando-lhe um ultimato para a situação ser corrigida, sob ameaça de uma reacção “dura e contundente” contra Marina. “Até segunda-feira espero um posicionamento de Marina sobre o lixo moral do programa do PSB para favorecer a causa gay”, escreveu." Nem comento para não inundar isto de asneiras, daquelas mesmo gordas.

Pois 'tá claro

«"Não posso colocar um polícia em cada parque da cidade" e "às vezes, às seis da manhã, uma mulher jovem tem de ter cuidado por onde anda"», declarações do Presidente da Câmara de Valladolid a propósito de um caso de violação num parque de Las Villas, naquela região.

"esperiência"? "oscultação"?

Quem escreveu isto? Já dou de barato a auscultação "ao corpo do sobrevivente".

Médicos portugueses 4800 euros, não é?

Marta Reis no i, sobre ordenados dos médicos. Deixo o exemplo dos clínicos de Medicina Geral e Familiar.

 

Último ano de internato de medicina familiar 
Valor bruto  1835€/ Valor líquido  1345€
Marcos Agostinho tem 41 anos e trabalha 40 horas por semana na USF D. Jordão, na Lourinhã. Está no quarto e último ano do internato de Medicina Geral e Familiar, sem perspectivas que o salário melhore quando concluir a especialidade. Por lei, já devia ter subido de escalão da tabela de interno, mas o pedido na Administração Regional de Lisboa ainda não foi aceite. Significaria mais 100 euros por mês, diz. Estes são os valores do vencimento de Agosto. Normalmente recebe 1400 euros mensais líquidos mas este mês foram descontados os dois dias de greve dos médicos, a 8 e 9 de Julho. Trabalha só para o SNS, porque não tem tempo e oportunidade para exercer no privado e também por razões familiares. 
Médica de família há quase quatro anos 
Valor bruto  1996€/ Valor líquido 1282€
Ângela Neves, de 34 anos, fez o internato em Medicina Geral e Familiar nos Hospitais da Universidade de Coimbra e em Outubro de 2010 foi colocada como médica de família no centro de saúde de Castanheira de Pera, a 65 km de casa. Onze meses depois pediu para ir para a Unidade de Saúde Familiar de Arazede, onde hoje trabalha e onde já tinha estado no internato. Tem um contrato de trabalho de 35 horas e em Novembro pediu a passagem para dedicação exclusiva com 42 horas, que não foi autorizada por já não ser uma hipótese. Pediu entretanto a passagem ao regime de 40 horas, negociada em 2012 com os sindicatos para garantir maior cobertura de utentes e aumento de vencimento, estando a aguardar resposta.  
Médico de família  há 33 anos no SNS   
Valor bruto  2241€/ Valor líquido  1690€
Aos 59 anos e com 33 anos de carreira no SNS, o vencimento de J. varia todos os meses e no recibo são tantas as alíneas que nem as consegue decifrar. De salário base pelas 35 horas semanais num centro de saúde do Norte recebe 2 240,19, a que acresce um complemento de clínica geral calculado em função do concelho onde está colocado e utentes, de 92 euros. Com os descontos para a CGA, ADSE e IRS recebe ao final do mês valores que variam mensalmente entre os 1500 e os 1900 euros. Não se importava de trabalhar 44 horas por semana tendo o mesmo salário bruto que o governo paga pelos médicos cubanos e em exclusividade . De momento, diz não ter alternativa senão fazer também privado. 
Médico de família no interior 
Valor bruto  2134€/ Valor líquido  1345€
Tiago Santos é de Leiria e terminou a especialidade em Medicina Geral e Familiar em 2010. Está no interior, na USF Almonda, em Torres Novas, onde trabalhou um contingente de médicos porto-riquenhos, que no período inicial tinham direito a transporte e alojamento, o que os colegas nacionais mesmo deslocados não têm. Mantém um horário de 35 horas, apesar de em Janeiro de 2013 ter pedido a passagem para as 40 horas. Apesar de ver 90% dos utentes apontados como limite máximo para estar neste regime, o seu pedido não tem sido aprovado e sente que os serviços o encaram como limite mínimo. Não tem exclusividade e duas vezes por mês faz horas num lar, ganhando por isso 60 a 100 euros mensais.

Que orgulho.

Patient InnovationUm orgulho duplo, na medicina nacional e na minha família - a Helena Canhão é uma das líderes do projecto, a sua Chief Medical Officer e, muito mais importante, é a minha "primairmã". Descubram e partilhem.

 

E entretanto por cá...

Volta não volta é a mesma merda

Parece que SIC mostrou, há pouco, a imagem que deixo abaixo. Nada de novo, relembro 2013.

 

 

De onde surgem aqueles 4.800 euros? Que "média" é aquela?

 

E se em vez de paparem tudo o que vos metem debaixo do nariz fizessem trabalho de investigação? Hoje até estava uma ajudinha de leiga por estas bandas (I e II). Mais aqui, muito arrumadinho.

 

Nota: Entretanto o Rui Lourenço, a quem agradeço, esclareceu-me sobre os "Clínicos Gerais não especialistas" - O termo “ clínicos gerais não especialistas” refere-se aos médicos que tendo iniciado a carreira entre 1982 e 1986 (a maioria), decreto-lei das carreiras médicas 310/82, tiveram apenas acesso à especialidade através de um programa de formação específica em exercício levado a cabo no final de 5 anos de exercício, fazendo um exame e adquirindo o título de especialista. Estão nesse lugar de carreira todos os médicos que não tendo efetuado a formação específica em exercício ou não tendo obtido com sucesso o título de especialista se mantém nesse lugar de carreira até à sua aposentação.

A propósito da contratação de médicos cubanos (II)

Parasito a adenda do Pedro Pita Barros: "a tabela salarial toda, tendo a vermelho os casos em que o salário recebido é superior, depois de somados os encargos sociais, ao valor de 4230 pago por médico cubano."(...) "(falta acrescentar valores de alojamento e viagem a Cuba para os médicos cubanos e perceber o âmbito de aplicação de um subsídio adicional mensal clínica geral*)".

 

*Ainda se aplicam, e como e a quem, os subsídios por número de inscritos da Portaria nº 410/2005, de 11 de Abril (subsídio adicional mensal clínica geral da tabela do SIM que o Pedro Pita Barros usou)? Se alguém me conseguir ajudar fico agradecida.

 

 

Parece-me provado que a comparação deve ser feita entre médicos cubanos e portugueses não especialistas, como aqui já disse. Ora não foi isso que fez a ACSS que, como é referido pela própria, compara o pagamento que faz pelos - e não "aos", importa referir - médicos cubanos com a remuneração de médicos portugueses especialistas "de acordo com a atual tabela de 40 horas em vigor, esta varia entre 2 746,24 euros e 5 063,38 euros, referentes ao ingresso na categoria de assistente e na última posição remuneratória da categoria mais elevada – assistente graduado sénior, respetivamente. A estes valores acrescem os encargos sociais correspondentes, em regra, 23,75%, o que totaliza, para cada um dos casos, 3 398,47 euros e 6 265,93 euros mensais. Um montante que pode ser superior quando se tratam de profissionais a exercer numa Unidade de Saúde Familiar (USF) B.".

 

Assim as coisas são substancialmente diferentes e a informação é a correcta, verdade?

A propósito da contratação de médicos cubanos

Pedro Pita Barros faz aqui uma análise que me parece importante e independente da situação. Merece-me, contudo, uma observação que não é de menor importância esta sua declaração "Como se vê, na maior parte das situações, os médicos cubanos virão receber menos do que os médicos portugueses com especialidade, e só mesmo os médicos em início de carreira terão um salário inferior (este gráfico foi construído com a informação do i para os médicos cubanos e da tabela no site do SIM adicionando os encargos sociais)." (refere-se ao gráfico que apresenta e os sublinhados são meus).

 

Em rigor, e porque os médicos cubanos contratados (e explorados, já agora) não são especialistas, a única comparação legítima é com os não especialistas portugueses. No entretanto uma pergunta e um reparo:  o que são "clínicos gerais não especialistas"? Se são os médicos internos de Medicina Geral e Familiar não se chamam "clínicos gerais", se são clínicos gerais sem especialidade (um pleonasmo) não podem estar em início de carreira.

 

Só mais um apontamento, falta, nas contas apresentadas no gráfico, o custo do alojamento e do pagamento (legítimo) das viagens de férias anuais a Cuba aos médicos cubanos.

 

Adenda: Sobre o mesmo assunto acabei de ler no Expresso, escrito pela jornalista Vera Lúcia Arreigoso - uma jornalista "de Saúde" - que «O protocolo com Cuba existe desde 2009 e "neste momento Portugal tem 18 médicos cubanos de MGF no SNS, num universo de 7651 médicos portugueses" com a mesma especialidade. O número vai agora ser reforçado com a contratação de 51 especialistas, garantindo médico de família a mais 47500 utentes.» (os sublinhados são outra vez meus).

 

Ponto 1, o Ministério da Saúde mente quando refere a existência de "18 médicos cubanos de MGF" - os médicos cubanos não são especialistas, por isso não são médicos de Medicina Geral e Familiar.

 

Ponto 2, Vera Lúcia Arreigoso não só não dá nota da aldrabice como a reforça ao escrever que existem "7651 médicos portugueses com a mesma especialidade" e que o número vai ser reforçado "com a contratação de 51 especialistas" - os médicos cubanos não são especialistas.

 

Ponto 3, não há um jornalista que levante a questão das comparações remuneratórias estarem a ser feitas de maneira enviesada, caramba!?

 

Estas coisas encanitam-me os nervos.

Não deixem o homem na dúvida, é uma caridade que se lhe faz.

Pergunta o sujeitinho se a coisa será "uma despudorada tentativa de arrasar com qualquer desejo heterossexual, aumentando deste modo a população gay deste país à beira-abismo plantado?". Hummmmm já vi desculpas melhores. Como diz o outro "a primeira vez é que custa, depois é como cagar para dentro", descansem-no lá.