A apresentação pública do Manifesto para uma Esquerda Livre acontece amanhã, às 11h30, no café do Cinema São Jorge.
Adenda: Uma boa síntese, esta do Rui Bebiano, na qual me revejo enquanto signatária deste Manifesto.
"No dia em que se sabe que há casos de medicamentos em falta nas farmácias, o editor de Sociedade do DN explica como, feitas as contas, todos perdemos com esta crise." leio no DN. Já nem falo da análise completamente enrolada e desconexa que o vídeo mostra, mas dizer que ontem foi o dia em que se soube da coisa é fantástico. Ó para o assunto referido aqui e aqui, em Março.
De acordo com esta notícia, nos primeiros três meses deste ano «enquanto os hospitais públicos realizaram menos 6,7% atendimentos, o sector privado registou um acréscimo de utentes de 15% nas urgências.». Pode ainda ler-se que o referido aumento «"resulta da subida das taxas moderadoras e da abertura de novas unidades privadas que motivaram um crescimento da procura", avançou ao Diário Económico Teófilo Leite, presidente da APHP, realçando que "em alguns casos é mais vantajoso recorrer aos hospitais privados nas urgências, como nos casos de convenções com a ADSE ou com a GNR e PSP"».
No dia em que Paulo Macedo, depois de ter assinado um acordo com os representantes da industria farmacêutica, referiu que isso, só por si, não garante a sustentabilidade do SNS eu pergunto como é o que o Estado acaba por pagar duplamente cuidados de saúde e se configura como o grande cliente do sector privado da saúde. Há coisas que me ultrapassam completamente, uma delas é manter a Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE), o sistema que foi perversamente criado para adoçar a boca a quem ia para "as colónias" - de certo modo um sistema corporativ. Até parece que o Estado não acredita no seu sistema de saúde e, por isso, são gastos recursos económicos consideráveis que poderiam contribuir para a dita sustentabilidade do SNS.
A questão, entenda-se, não é a existência de hospitais privados mas a má gestão de recursos públicos. Definitivamente há coisas que eu não percebo mesmo.
"Passos Coelho tem razão. Estar desempregado é uma oportunidade. Tudo é uma oportunidade. Perder uma perna é uma oportunidade para nos tornarmos a mascote humana do gelado Perna de Pau ou para ganharmos uma medalha nos paralímpicos. Ter Alzheimer é uma oportunidade de nos esquecermos daquela cena que aconteceu na piscina e toda a gente viu e vieram os bombeiros a polícia e o exército e foi para ali um pandemónio que nem quero que me lembrem. Falecer é uma oportunidade de deixar de existir num Mundo em que Passos Coelho é primeiro-ministro de um país. Desperdiçar oportunidades é uma oportunidade de ver o que é que acontece quando se desperdiçam oportunidades." escreveu o Sérgio ali.
Não são "crises artificiais", Sr Primeiro Ministro, a crise existe e é bem real, infelizmente não é necessário criar realidades paralelas que a mimetizem. As palavras são importantes, tão mais relevantes quanto maiores as responsabilidades institucionais de quem as profere, e por isso mesmo exige-se um cuidado redobrado e muito, muito decoro.
Não é o estigma do desemprego que está em causa, é o desemprego ele próprio e as terríveis e reais consequências que determina. E dispensa-se o paternalismo. Tire o cavalinho da chuva, não é passando atestados de estupidez generalizados que se limpa. Um bocadinho mais de cuidado e decência no futuro, se disso for capaz. Citando-o, "tubrigada".
Ps: E é isto.
Não estou particularmente bem disposta e tenho, por isso, que fazer um esforço adicional de contenção ou desato às caralhadas. Já nem falo das questões que requerem alguma informação, como as que o João Vasco aqui aponta ou as que o João Pinto e Castro tão pedagogicamente expôs esta semana, fico-me mesmo só pela indecência e a absoluta falta de razoabilidade e de ética das declarações de Passos Coelho. Estou com o Pedro Adão e Silva «aquilo a q se chama conversa de merda Passos: "Estar desempregado não pode ser 1 sinal negativo" tem de "representar também 1a oportunidade"».
Li e não queria acreditar "Homens recebem tratamentos intensivos com maior frequência do que as mulheres quando são internados com enfarte nos hospitais públicos, conclui investigador que analisou 89 mil registos" escreveu no Público Alexandra Campos para dar conta das conclusões de um trabalho de doutoramento. "Depois de analisar mais de 89 mil registos de episódios de internamento por enfarte agudo de miocárdio nos hospitais públicos entre 2000 e 2008, César Carneiro concluiu que estas disparidades são significativas: mais de metade das mulheres (52%) tiveram um tratamento inadequado (undertreated) face à gravidade do enfarte, enquanto isso apenas aconteceu com 37% dos homens.".
Perceber o que se passou - e provavelmente continua a passar - torna-se imperioso porque estamos, de facto, perante uma grave e inexplicável discriminação. Aguardo desenvolvimentos.
Obrigada, Luís.
O Palácio das Gálveias foi pequeno, emocionante e justo.
Ps: já comi nos cornos durante uma urgência mas, obviamente, acho isto indefensável.
"A mesma fonte sublinhou ainda que este código de conduta só é aplicável no local de trabalho."
Recordo que se trata do mesmo hospital que concluiu pela “inexistência de matéria de facto” e respectivo arquivamento do processo do "turbo-anestesista".
Acabei de ler, pela enésima vez, a pergunta "alguém me informa se ele é gay?" feita por uma mulher depois de elogiar um homem. Para além de não ser verdade que a beleza é um apanágio gay e, portanto, uma injustiça para os homens heterossexuais bonitos e bonzudos, deixa-me sempre a pensar que há mulheres heterossexuais muito desgraçadas, como é que nunca lhe passou nada de jeito pela unha e pelo dente? Coitadas.
Uns dados curiosos que contrariam os estereótipos, nomeadamente em relação às mulheres e à sua atitude face à ruptura relacional.
"o site do gov não funciona há vários dias e o relvas, confrontado com assunto na AR, diz q são os deputados q não sabem navegar net #topete".
Um twitter do Pedro Sales. Muuuuuuito bom ehehehehheheheheheh.
Segundo consta vão ser cortados os subsídios de doença às baixas de curta e média duração por "serem estes os subsídios mais associados à fraude". O argumento dado é de uma hipocrisia a toda a prova. Já o disse "No caso específico das incapacidades temporárias por doença julgo que é mandatório existirem boas comissões de aferição, regidas por princípios clínicos, pois só assim serão apanhadas as verdadeiras "baixas" fraudulentas. Aliás, que diabo de sistema é este que detecta fraude e não penaliza ninguém por ela? Onde estão os inquéritos e consequentes penalizações aos clínicos prevaricadores? Onde está a obrigação de devolução dos subsídios irregularmente recebidos por indivíduos que beneficiaram de uma "baixa" fraudulenta? Talvez valesse a pena começar por aqui: por definir baixa fraudulenta, por garantir excelência nas aferições e por penalizar os incumprimentos", agora deslocar o foco para poupar umas massas sem fazer contas aos custos indirectos (superiores, de certeza) que uma medida avulsa, pseudo-moralista e desresponsabilizadora para quem deve assegurar o combate à baixa fraudalenta - leia-se o governo - é a prova de um fraco carácter. É de pessoas que falamos. Podemos sempre matá-las ou deixá-las morrer.
Adenda: Como bem diz o fernando f aí am baixo na caixa de comentários "para estes gajos uma grandessisssima vaga de frio, uns bons acidentes de trabalho ou mesmo um terramoto vinha mesmo a calhar".
Bateu foi à porta errada. Não há muitos dias escrevi aqui a seguinte frase "Só um aparte para relembrar que se a VD na - e entre a - população homossexual está prevista na lei portuguesa à ILGA, na pessoa do Paulo Côrte-Real, se deve, o que só prova que é uma preocupação sua, porque existe e precisa que contra ela (também) se lute.".
Já expliquei vezes sem conta que o meu foco de interesse, também clínico e académico, é a violência contra as mulheres, posso? Tubrigada.
Adenda: Olha, olha, transcendeu-se e fez uma gracinha. E azarucho, por mais que aspe o casal tem gramar com esse estatuto.
Para além de tudo falam do que não sabem. Há termos e expressões que estão definidas e é sobre esses conceitos que se trabalha e escreve no mundo inteiro: The United Nations defines violence against women as 'any act of gender-based violence that results in, or is likely to result in, physical, sexual or mental harm or suffering to women, including threats of such acts, coercion or arbitrary deprivation of liberty, whether occurring in public or in private life.' (WHO)
Estranho conceito de 'direito de resposta' esse de achar que quem o usa quer calar alguém. Só mesmo comparável ao de um consenso ser da responsabilidade de um indivíduo. Bem pode o Pedro Picoito espernear aos quatro ventos que os consensos científicos, para bem dele quando necessitar de uma decisão clínica, não deixarão de existir nem de nortear decisões, servindo de aferição ética e deontológica entre pares.
Negar a realidade não a altera e os filhos de homossexuais estão aí, lado a lado com os do Pedro Picoito. Dizer que "trazer os filhos à liça" é uma forma de chantagem emocional quando se fala de adopção de crianças só pode ser parte de um qualquer diálogo humorista, quereria o Pedro Picoito que se falasse no cão, no gato ou no periquito?
Para além de mentir ao dizer que os factos que citou não foram refutados - os factos e as conclusões abusivas que retirou de alguns estudos - desloca a discussão, com tanto azar que escolhe um assunto comum a casais homo e heterossexuais. E depois manipuladores e demagógicos, com opiniões sustentadas em ideologias, são os outros. Porque houve uma besta que ainda esta semana justificou "os abusos sobre uma filha adotiva por estar apaixonado por ela e que a criança, desde os sete anos, "queria" ter sexo com ele" que diriam de mim se fosse para uma rádio nacional defender que os casais heterossexuais, como grupo, são um risco e não podem ser considerados potenciais adoptantes? Muito acertadamente que era um animal de cabelo, está bom de ver.
Nota: Alguém avise o Pedro Picoito que vai precisar treinos vocais suplementares, cheira-me que terá muito que berrar contra o consenso vertido em parecer a 26 de Março pela CNECV .
Diz desta vez o Pedro Picoito que me atiro aos estudos. Errado, discuto, ou tento discutir, com ele. Naturalmente que se podem apresentar bibliografias arcaicas, não se pode é fazer de conta que não há uma realidade em mudança, com estudos muito mais actualizados. Se o Pedro Picoito quiser fazer essa discussão be my guest.
Insisto, porque parece não querer ler, que o importante é a discussão dos efeitos da homoparentalidade sobre o desenvolvimento das crianças, mas essa conversa fica por fazer. Quando lhe pedia estudos comparativos entre casais homo e heterossexuais referia-me, naturalmente, a trabalhos que dissessem respeito ao assunto em discussão, mas isso moita. Mostre lá a instabilidade comparativa nos candidatos homo e heterossessuais à adopção e, de caminho, defina instabilidade relacional - será que uma relação emocionalmente branca ou mantida porque sim, com toda a agressividade expressa e/ou latente é uma relação estável? Estranho conceito de estabilidade.
Note-se que, de novo, em nenhum momento qualquer dos estudos que desta vez apresenta releva a importância do número absoluto de parceiros ao longo da vida de alguém no desempenho da sua parentalidade. Porque é que a minha qualidade materna haverá de ser pior que a de uma freira?
Quantos aos números apresentados por Paul Van de Ven et al, num estudo que, repito, não autoriza conclusões sobre promiscuidade, só me resta dizer que o Pedro Picoito, além de descontextualizar, se impressiona com pouco, e falo de berlaitadas com vivos.
No post seguinte Pedro Picoito atinge o clímax da conversa redonda, o que prova uma de duas coisas, ou ambas - ou já perdeu o fio à discussão ou optou por um solilóquio. O mesmo sujeito que começou por falar de ciência, de estudos científicos e de generalizações vem agora falar de senso comum, de discussão extra académica e de não aplicação das ofensas iniciais a todo um grupo. Para esse peditório não dou por desinteresse e absoluta falta de pachorra. O assunto merece-me demasiada consideração, é que só por acaso falamos da vida e da felicidade de pessoas.
Adenda: Vou colocar aqui um lembrete para uso próprio, desculpem lá. Não esquecer que a discussão é com alguém que escreve o seguinte "De qualquer modo, sublinho que orientação sexual é uma escolha e está relacionada com um estilo de vida. No caso dos LGBT, esse estilo de vida tende a ser promíscuo. Há excepções, mas são isso mesmo: excepções." by Pedro Picoito.
A maluquice não desculpa tudo, desamparem a loja.
Lá continua o Pedro Picoito nas falsas asserções do que digo.
Desta feita começa por me explicar o uso que deu à expressão "lésbicas activas". Mais uma vez, para quem inicia um texto anunciando que o irá fundamentar cientificamente, tem graça este recurso a definições selvagens. Aplicando à expressão "mulheres heterossexuais activas" a lógica picoitiana conclui-se que ela deve ser usada "para distinguir entre as adolescentes que desenvolvem sentimentos heterossexuais, geralmente por influência de um ambiente favorável à heterossexualidade, mas sem os concretizar (e que podem até tornar-se homossexuais quando adultas), e outras adolescentes, com a mesma orientação, que se tornam heterossexuais quando sexualmente activas na vida adulta". É isto, não é? Que discurso digressivo e redondo para justificar o injustificável. Importante, contudo, é a constatação de que o Pedro, ao falar de ambientes favoráveis à homossexualidade, assume a existência de ambientes desfavoráveis - é contra eles uma das minhas guerras.
Por mais que o Pedro Picoito insista a minha discussão com o ele não assenta em dar "jeito" ou em "aceitação" - não sei se se revê nisso mas pelo meu lado é assim - e a guerra que travo é pela decência e pelas crianças. E lá está o Pedro Picoito todo baralhado outro vez, a homossexualidade - como a bissexualidade e a heterossexualidade - não é uma identidade, é uma orientação sexual. Mas do que eu gostei mesmo, mesmo foram os "papéis activo e passivo da relação heterossexual". Assim uma coisa tipo "bêêêje, vou pintar o tecto de bêêêje"? Há mais mundo para além do fazer de morta(o). Fiquei para aqui a pensar quem considerará o Pedro Picoito o passivo e o activo na prática simultânea de sexo oral por um casal - o vulgar 69, portanto. Não tarda ainda sou informada que o sexo anal é apanágio dos homossexuais masculinos. A fazer fé na norma heterossexual que o Pedro Picoito nos revela ter na cabeça muita coisa fica explicada. Espero francamente, por ele, que escreva estas coisas só por receio que os vizinhos o leiam e que a sua realidade prática seja diferente. Isso ou sofre do "síndrome do electricista"- formatação mental que leva a ver tudo sob a forma de fichas e tomadas*.
Muito gostava eu de saber o que é um "lapsus linguae freudiano". Enfim, adiante. Esta questão da capacidade parental discutida em paralelo com a adopção é, e deve ser, bastante clara. Aplicam-se aqui as mesmas normas e usam-se os mesmos instrumentos psicométricos e de avaliação da personalidade e do funcionamento que os usados na regulação do poder parental em sede de divórcio. Independentemente de como cada um desenvolve a sua capacidade parental, do que para ela contribui e onde vai beber, ela exerce-se na relação do progenitor com a criança e é isso que está a ser avaliado nos processos de adopção. Tantas vezes, felizmente, uma péssimas relação de casal não exclui uma excelente qualidade da relação parental individual. Recordo, também, que a avaliação da qualidade da relação parental se faz nos casos de adopção singular.
Para terminar dizer só que a minha crítica não é o Pedro tirar conclusões com base na literatura que consulta mas antes que as fontes consultadas e referidas não permitam essas conclusões. O que levará o Pedro Picoito a questionar a identidade "clara e estável" de um pai ou de uma mãe homossexuais? Com que sustentação diz que os casais homossexuais que se propõem adoptar não têm "identidades claras" e que são "mais instáveis"? Deixando de lado qualquer comentário aos autores em questão, como é que um trabalho que "se situa num plano diferente" daquele que se está a analisar permite concluir sobre esse plano? Para que serve fazer-lhe apelo? É o que eu digo, num determinado livro está escrito que todas as rosas são flores logo, pela lógica, eu posso tomar como óbvia a conclusão de que se a minha mãe é Rosa, a minha mãe é flor.
PS1: Deixo um link que permitirá ao Pedro Picoito aceder a um texto que é uma declaração de amor.
PS2:* tubrigada, Paulo.
As inovações legislativas no domínio violência doméstica, e da violência sobre as mulheres em particular, têm sido muitas e importantes, destacando-se, do meu ponto de vista, a individualização deste crime no Código Penal e o facto de ser um crime público. Mas tão relevante quanto essas alterações é a sua exequibilidade.
Há poucos dias recebi o seguinte pedido de primeira consulta "Vimos por este meio solicitar a marcação de consulta e acompanhamento clínico (...) no âmbito de uma suspensão de pena de prisão por x anos determinada pelo Tribunal Y com origem na prática de cúmulo de violência doméstica, com a injunção de "tratamento e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico do arguido" conforme cópia anexa". No referido anexo encontrava-se o apelo ao número 4 do artigo 152º do CP que determina a possibilidade de imposição de penas acessórias, nomeadamente a obrigação do arguido em frequentar "programas específicos de prevenção de violência doméstica". Formalmente nada a apontar.
Uma das inovações introduzidas em 2007 foi, efectivamente, aquela possibilidade de comutação da pena de prisão. A questão que se coloca é a de saber onde estão e quem tem formação específica para desenvolver esses programas. Em Dezembro de 2010 foi publicado em DR o IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2011-2013). Como explicou Elza Pais, à altura secretária de estado da Igualdade, o "plano tem uma área estratégica nova que não existia no anterior". Referia-se ao Programa para Agressores de Violência Doméstica, então a ser testado na região Norte a título experimental. Acontece que desde então não houve novidades sobre esta matéria e não existem dados sobre a evolução do referido programa experimental nem notícias sobre outros programas semelhantes a decorrer em qualquer região do país. Assim sendo, esta alternativa que a lei prevê não é passível de ser executada. Pergunto eu, quem determina a sentença não é obrigado a saber da sua não exequibilidade? E que papel é o meu, enquanto psiquiatra, na resposta a um pedido deste género? Brincar aos programas e fingir um acompanhamento psiquiátrico para o qual não tenho qualquer formação específica é coisa que me recuso a fazer por me parecer ética e deontologicamente reprovável. Enviar para alguém que o possa e saiba fazer não existe como possibilidade. Resta-me, portanto, devolver o pedido à proveniência com esta informação, porque descansar consciências não é, não pode ser, o papel da lei.
Nota prévia: O Pedro Picoito acusa-me de ter enveredado "pela velha táctica de reescrever a história apagando o pessoal da fotografia". Gostava mesmo de perceber que história reescrevi eu e que pessoal apaguei da fotografia. Se não for pedir muito de que fotografia, já agora.
Também eu estou com limitações de tempo, vamos lá, por isso, ao cerne da discussão. O Pedro Picoito diz que não percebe onde fui buscar a sua confusão entre "identidade sexual" e "identidade de género". É fácil, lendo atentamente o que escreve, não é isso que pretende? Mas a confusão conceptual mantém-se, alargando-se de resto ao conceito de orientação sexual. Escreve o Pedro que "Os activistas LGBT não aceitam facilmente a ideia de que há graus de homossexualidade (orientação sexual) porque, para eles, a identidade sexual não é aquilo que uma pessoa faz, mas aquilo que uma pessoa é.". Reveja lá isso tudo e organize-se porque a identidade sexual refere-se ao que cada pessoa pensa sobre si própria e sobre a sua sexualidade, sobre as emoções e sobre o desejo que sente em relação aos outros, quaisquer outros, do mesmo ou do outro sexo. Quer isto dizer, então, que a identidade sexual não define a orientação sexual do sujeito, são coisas diferentes. O facto de eu ter uma experiência (fazer) uma experiência homossexual não questiona a minha orientação heterossexual - até a sedimenta, no sentido de perceber o que mais me agrada na cama, p ex - nem determina a maneira como me penso ou penso a minha sexualidade. Idem para o facto de eu amar mulheres - e amo, felizmente, algumas.
Não consigo postar o vídeo (help Shyz ou alguum dos jeitosos), vão ali ao lado que o Francisco tem link.
Adenda: O Paulo já deixou o vídeo aí no post de cima.
E sobreviveu, c'alívio. A ouvir no domingo na RR o exercício do direito de resposta da ILGA - afinal parece que sempre houve lugar a ele, hein?.
"Fundamentar cientificamente as dúvidas" foi o propósito anunciado.
Para além de usar bibliografia antiga - uma indicação da dificuldade em encontrar literatura recente que sustente as suas opiniões? - o Pedro Picoito tem deslizes, chamemos-lhe assim, que não são permitidos a alguém que apela à abordagem científica do tema para provar o seu ponto. É disso exemplo o uso da expressão "identidade sexual" como sinónimo de "identidade de género" e a referência a "tendências homossexuais" e "grau de homossexualidade". Desafio-vos a procurarem o uso destas expressões em qualquer documento cientificamente sério. Falamos daquilo a que se convencionou chamar orientação sexual, que não é uma tendência nem se avalia em graus ou percentagens. Abstenho-me de comentar a "lésbica activa".
Terá lugar a 24 de Março, no Centro Hospitalar de São João, no Porto, entre as 10h00 e as 19h00 o Simpósio “Identidade de Género e Transexualidade” organizado em parceria entre a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) e o Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de São João (SPCHSJ).
Pretende-se com este Simpósio criar um espaço de partilha e reflexão sobre a coordenação entre a Lei relativa à Identidade de Género e as boas práticas de intervenção clínica.
Com este objetivo oferece-se um programa que integra representantes de diferentes intervenientes neste processo: legisladores, clínicos, investigadores, utentes/ativistas.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
