Domingo, 16.10.11
Maria João Guardão

Sábado, 05.02.11
Maria João Guardão

...ou a perfeita desculpa para a minha reiterada ausência do JUGULAR.

 

 


Em 2010 fiz, com a Luísa Homem e a Marta Lança,  uma viagem pelas cinco áfricas que falam português - Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo-Verde. Encontramos países com 35 anos de vida independente e pessoas que ousaram experimentar novas ideias e instigar práticas diferentes,  construindo caminhos para a cidadania. EU SOU ÁFRICA é o resultado desse encontros, uma série documental de 10 episódios que são outros tantos retratos de gente capaz de inacreditável resiliência e de sonhos altos, gente que caminha com a História.


Dez heróis quase desconhecidos do grande público que, como actores e testemunhas privilegiadas, reflectem sobre a história recente de África e os desafios que o continente enfrenta. Todos participaram na independência dos seus países e, mais do que respostas, partilham interrogações para o futuro e a capacidade de desfazer os lugares-comuns que persistem na percepção dos seus lugares de origem. O campo de acção é diverso,  da Educação, às Artes, à Justiça, à Agricultura, à Religião, ao Ambiente ou à História, mas o terreno que lavram é comum: a responsabilização de cada um face ao presente. São estas pessoas que EU SOU ÁFRICA traz para a frente da câmara, e com elas países inteiros. Como diz Ruy Duarte de Carvalho, “um percurso biográfico se faz  de tempos, de lugares, modos, percepções, ocorrências, experiências, resultados, aquisições, perplexidades, digestões e ressacas”. É isso.

 

EPISÓDIO 1 - SÁBADO, 5 FEVEREIRO, 19H, RTP2

LUZIA SEBASTIÃO

Vem de uma família tradicional angolana, de Luanda, filha de Adriano Sebastião, preso pela PIDE quando Luzia tinha 5 anos. Combatente na guerra de libertação, conhecida como Comandante Gi, participou mais tarde nas células do MPLA, partido em que militou. Licenciou-se em Direito na Universidade Agostinho Neto, onde hoje lecciona Direito Penal, e ultima  o seu doutoramento entre a Faculdade de Direito de Coimbra e a sua casa do bairro Alvalade. Para Luzia Sebastião, a função da universidade “é ter opinião” e luta para que o mundo académico tenha uma palavra a dizer nos destinos do país. Trabalhou nos ministérios da Educação e da Justiça e exerceu advocacia durante longos anos, actividade que  suspendeu em 2009, ao ser mandatada juíza  do Tribunal Constitucional. É uma mulher de armas, habituada a vencer pela força da razão.


+INFO

http://www.facebook.com/pages/EU-SOU-Africa/187116987989396

http://www.buala.org/pt/da-fala/eu-sou-africa-aos-sabados-19h-na-2

Terça-feira, 09.03.10
Maria João Guardão

Nos idos de 90 passei uns belos anos a fazer jornalismo em revistas femininas. Foram tempos épicos em que temas como a violência de género, a discriminação salarial ou o direito de cada um à sua identidade sexual  ganharam - por direito próprio, resiliência de estruturas de luta e afirmação de direitos  elementares, mas também pela prática de redacções como as da Marie Claire, da Elle ou da Máxima - lugar na agenda mediática. E em que várias mulheres, fazedoras, visionárias, normalmente extraordinárias, tiveram direito a microfone e fotografia pela primeira vez. (Tudo isto, claro, a par com textos palermas sobre coisas que definitivamente não interessam ao menino jesus, por exemplo esse instrumento de tortura caído em desuso chamado revirador de pestanas. Já se me varreu o nome científico da coisa mas não o gozo que me deu escrever sobre a coisa.) Ora a algumas dessas mulheres, empreendedoras fantásticas as mais das vezes ignoradas pelos pares e pelos media, ouvi-as eu tropeçar, à minha frente, na f word. Questionadas sobre a prática pessoal do feminismo respondiam eu não sou feminista, sou feminina. Assim tipo eu não sou anti-racista, sou preta. Ou, ainda mais alarve, eu não sou uma gaja façanhuda que anda por aí largada a queimar roupa interior e a dizimar machos. Passaram 20 anos e a coisa continua. Contar até dez e perguntar o que é que isso quer dizer nunca disfarçou a minha irritação (a estupidez tira-me do sério) e jamais me fez ouvir um argumento inteligente. Portanto e mais uma vez e a bold: o feminismo é uma questão de direitos humanos. Porra, uma pessoa cansa-se.

Sexta-feira, 08.01.10

 

Winter under cultivation

Is as arable as Spring

 

         Emily Dickinson

Segunda-feira, 04.01.10
Maria João Guardão

uma das minhas favoritas dela.

Sábado, 02.01.10
Maria João Guardão

um clássico para o princípio dos tempos (junta-se guronsan e fica perfeito perfeito).

Quinta-feira, 17.12.09

 

 

SISMO: Medidas a Tomar (segundo a página do Instituto de Meteorologia)


As catástrofes sísmicas parecem-nos sempre uma fenómeno distante. Mas essa possibilidade é bem real e pode atingir qualquer comunidade, num qualquer momento.

Apesar de muitos sismólogos se terem dedicado ultimamente à investigação da previsão de sismos, até hoje não foi possível desenvolver qualquer método generalizado, que conduza à previsão da hora e do local onde ocorrerá um sismo.

Sabemos, contudo, que os sismos continuarão a perturbar a Humanidade e que ocorrerão com mais frequência em regiões onde já se verificaram no passado. E também sabemos que mesmo as regiões sem historial sísmico podem ser afectadas por eventos graves muito distanciados no tempo entre si. Em Portugal continental os grandes sismos, embora pouco frequentes, têm afectado especialmente as regiões central e meridional do território.

O perigo sísmico, contudo, não se confina a estas regiões. Sismos importantes , embora ainda menos frequentes, têm ocorrido igualmente na parte norte do País. Nos Açores têm ocorrido regularmente importantes sismos que têm afectado as ilhas dos grupos central e oriental. A maior parte dos sismos atrás referidos e que são sentidos pela população são caracterizados por abalos de curta duração (poucos segundos a poucas dezenas de segundos).

Alguns edifícios podem desmoronar-se pela acção sísmica, especialmente os de construção mais antiga. Os sismos podem também provocar desprendimentos de terrenos e gerar grandes ondas nos oceanos - tsunamis ou maremotos - que podem ter efeitos catastróficos. Em todos estes casos, o comportamento de cada pessoa é fundamental na minimização dos efeitos do sismo pois a maior parte dos acidentes pessoais resultam da queda de objectos e de destroços.

Os acidentes pessoais são normalmente causados por: colapso parcial dos edifícios tais como chaminés, varandas, tectos ou paredes; derrube de candeeiros, quadros, estantes, vasos ou outros móveis; estilhaços de vidros provenientes de janelas, espelhos ou outros objectos; este perigo é maior quando os vidros são provenientes de andares elevados de edifícios altos; incêndios com origem em chaminés ou canalizações de gás destruídas; o perigo pode ser agravado pela falta de água devido à destruição das canalizações ou obstrução dos acessos impedindo a deslocação dos meios de socorro; derrube de linhas eléctricas; acções humanas resultantes do pânico. Por isso, durante um sismo é necessário agir com rapidez e com sangue frio.

De facto, a experiência tem demonstrado que uma actuação calma durante um sismo, muito contribui para minimizar os seus efeitos. Conhecendo perfeitamente algumas regras fundamentais que lhe serão fornecidas nesta página, grande número dos acidentes pode ser evitado.

Use livremente estas regras e divulgue-as como entender necessário Como sempre, a protecção civil começa em si mesmo.

Recorde-se que nenhuma comunidade está totalmente preparada e equipada para atender a estas situações excepcionais. Ao preparar-se está a ajudar-se a si mesmo e a toda a comunidade. (Texto Adaptado)

•  Prevenção Sísmica 

•  Durante a Ocorrência de um Sismo

•  Depois da Ocorrência de um Sismo

Quinta-feira, 10.12.09
Maria João Guardão


 

clicar na imagem

...e que ainda não vi escritas no muito que vi escrito sobre ela nestes dois últimos dias (mesmo depois disto, disto e mais isto ). Que nos anos 90 foi vice-presidente do EFDO (european film distribution office), o braço do então pioneiro programa europeu MEDIA para apoio à distribuição de filmes europeus. Que já antes andara a promover internacionalmente o cinema português com a Uniportugal, distribuidora que fundara nos anos 80, a meias com Renée Gagnon.  E que sim, que o cinema sempre fez parte da vida dela, desde que fugia para o bairro proibido da Lourenço Marques  Ilha de Moçambique dos anos 50 para ir ver filmes indianos ao ar livre, desde que o cinema italiano lhe moldou a entrada na vida adulta (em Entre/Vistas, um dos 3 livros que reunem as entrevistas que fez para a Pública, há uma conversa com Tonino Guerra, poeta, argumentista, compagnon de route de Fellini e Antonioni, a quem ela trata por Maestro, que diz muito sobre esse "amor pela profundidade das imagens"), desde que partilhou a vida com um dos mais (a palavra está gasta mas ele não) irreverentes realizadores portugueses, Fernando Lopes. Escreveu argumentos, colaborou em filmes, deu a ver filmes - o programa Olhos nos Olhos, que concebeu e apresentou na RTP 2 em finais dos anos 90, trouxe à televisão documentários raros que eram sempre o mote para conversas luminosas. Lembro-me de Agustina a falar sobre o corpo a seguir a um filme cheio de mulheres, de todos os tamanhos e idades, nuas, lembro-me de Pacheco Pereira a comentar filmes de propaganda soviética, lembro-me das memórias do último capitão da Sagres quando ainda era um navio bacalhoeiro.  E também me lembro - e a propósito dos sempiternos tachos e outros trens de cozinha  trazidos à colação pelos ignorantes do costume - que saiu pelo seu pé da assessoria de cultura de António Guterres, 2 anos depois de ter sido convidada; que conheceu Jorge Sampaio nas lides associativas da Faculdade, nos anos 60; que sempre elogiou o trabalho de Manuel Maria Carrilho no Ministério da Cultura; e que encabeçou a campanha pela recondução de Bénard da Costa na direcção da Cinemateca quando Isabel Pires de Lima -  essa, a Ministra da Cultura do governo socialista - se propôs reformá-lo.  
Estas são as coisas que qualquer pessoa pode saber sobre Maria João Seixas. Estão escritas, publicadas, filmadas, gravadas, arquivadas. Só não vê quem não quer ver. Eu, há duas ou três coisas que sei dela. Que conta anedotas como um sofisticado taberneiro; que dança a marrabenta como se não houvesse amanhã; que joga cartas com a ferocidade de um pistoleiro; que é verdadeiramente incompetente a dobrar a espinha.
Maria João Seixas tem um mundo que nunca mais acaba e gosta de o partilhar. É por isso que João Bénard da Costa, lá onde estiver com a sua gente muito lá de casa, há-de estar a rir. Ele que lhe abriu a sala da cinemateca para celebrar  o seu aniversário - e celebrar uma paixão da infância, o filme Prestígio Real, de Mehboub Khan, com os amigos - e que, há 10 anos, a convidou a ser sua subdirectora (o lugar era para ficar vago mas não ficou), sabe que a casa do cinema lhe fica muito bem entregue.

Segunda-feira, 30.11.09
Maria João Guardão

Uma pessoa começa o ano a juntar-se ao quase meio milhão dos que por via da crise ou quejandos passam a reportar ao centro de emprego. Uma pessoa descobre que o dito fica mesmo ali no bairro, é só descer, virar uma esquina, dobrar outra e pronto já lá está (e isto não é despiciendo, daí em diante a pessoa está obrigada ao “dever de apresentação quinzenal”, i.e, a fazer o trajecto a cada 2 semanas*). Uma pessoa lá vai inscrever-se, recebe uma senha cor de rosa (há 3 cores no sistema), nem espera por aí além e é recebida por uma profissional cortês, eficiente q.b. e capaz de esclarecer quase todas as dúvidas que a desempregada neófita traz consigo. A pessoa sai do centro de emprego com um suspiro de alívio e a certidão do seu novo estado debaixo do braço: uma pasta catita em cuja capa se pode ler, a verde (esperança?),
- Em acção para o emprego - dossiê de apoio
e cujo interior está recheado de separadores verdes. É um arquivo pessoal para ser preenchido com o plano pessoal de emprego*. A pessoa desempregada tem um momento de reminiscência dos seus anos  escolares, descobre numa gaveta a coisa de fazer furos e começa a dispor folhas na pasta catita e de argolas. Tem um plano que é pessoal e é de emprego e não vê a hora de o pôr em acção*.
Passados nem bem 30 dias recebe um cheque no correio. O seu primeiro subsídio de desemprego, ena. O fundo optimista da pessoa desempregada pensa
- o sistema funciona
e congratula-se. Começa a marcar reuniões com vista ao plano que é pessoal e é de emprego. Um mês e meio mais tarde a pessoa desempregada abre o envelope em correio registado que contém o  documento essencial para dar início ao processo de candidatura para deixar de ser uma pessoa desempregada: a declaração da Caixa de Previdência a que pertence, estabelecendo o montante do subsídio de desemprego a que tem direito e o período durante o qual este é concedido. A pessoa desempregada recorre a todas as técnicas zen de que ouviu falar para não desatar aos berros no meio da estação dos Correios
- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh

continua )
Domingo, 22.11.09
Maria João Guardão

Hoje à noite, pela última vez em Portugal, sobem ao palco do Teatro Maria Matos 5 cães pastor belga, 5 treinadores, 1 psiquiatra, 1 filósofo, 1 actor e 1 bailarino. O autor (o próprio prefere dizer-se gerente) chama-se Michel Schweizer e o espectáculo Bleib opus#3. Num palco onde grande parte do elenco não fala, discute-se tudo: política e manipulação, liberdade individual e ditadura do consumo, parentalidade e educação. Discute-se uma sociedade em que o deus ditador foi substituido pela ditadura do objecto desejado, uma sociedade que em vez de cidadãos tem agarrados nunca satisfeitos pelo mercado, uma sociedade em que já ninguém quer ser o educador, o dominador, e em que tudo funciona por contrato. Discute-se a passagem da sociedade de consumo à sociedade de consolo, munida de drogas para qualquer estado de alma, da necessidade de euforia à necessidade de aquietação. Discute-se e encena-se o "homem sem gravidade" que, num mundo auto-regulado e convenientemente dopado, já não precisa de se dar ao trabalho de pensar. Além de um dos mais lúcidos e lúdicos espectáculos que vi este ano, Bleib opus #3 é,  como eles dizem, uma acção "certamente artistica mas, principalmente, política". Corra, vá, pode ser que ainda apanhe bilhete.

Terça-feira, 17.11.09
Maria João Guardão

Há  minorias oprimidas em Portugal? Não.
Mas toda a gente tem os mesmos direitos?assim tipo, digamos, casar-se com quem bem entender? Não
Mas não há minorias oprimidas em Portugal? Não
A constituição portuguesa proíbe qualquer tipo de discriminação em função da raça, credo ou orientação sexual? Sim.
Quer dizer que qualquer cidadão, pagador de impostos, no pleno exercicio da sua cidadania, não tendo cometido qualquer crime, tem os mesmos direitos perante a lei? assim tipo, digamos, casar-se com quem bem entender? Não
Mas não há minorias oprimidas em Portugal?Não

Palavra de honra, às vezes acho que os senhores gato fedorento andam a baixar o nível das pessoas que subcontratam (especialmente quando fazem hacking ao Prós e Contras).

Segunda-feira, 05.10.09
Maria João Guardão

Resolvi finalmente fazer as contas, não há como os números para uma pessoa ser levada a sério.
731 manhãs em que acordei a respirar como deve ser. 22 – 22: empate técnico entre os anos   em que sim, e os outros em que não (com vantagem para os últimos, que têm mais futuro). Quebra de 50% nas idas à manicure e de 40% na utilização da máquina de lavar roupa. 5 ou 6 objectos caseiros que não têm que ser despejados e limpos várias vezes ao dia todos os dias (só quando há visitas). Incontáveis (esta é difícil de medir)  crises de ansiedade por não os ter que não tive. 3780 euros limpos arrecadados (só em matéria prima e que tenciono esturrar em mimos). 21600 cigarros que não fumei. Maço e meio por dia, mais coisa menos coisa, 540 maços por ano, 1080 à data. And counting.
O reinado lucky strike finou-se há precisamente 2 anos.
 

Quarta-feira, 01.07.09

Há 1 ano, empoleirada num banco alto do São Luiz, vi pela primeira vez Pina Bausch dançar. Achava que sabia tudo o que havia para saber sobre o Café Müller, coreografia de 1978 que ela por uma vez interpretava –   bailarina extraordinária, aluna mítica da Julliard, solista do Folkwang Ballet, Pina deixou de dançar em palco quando se tornou coreógrafa e directora do Tanztheater Wuppertal em 1973, dizia que não tinha tempo – , desde a resolução de convidar os bailarinos mais chegados para entrarem nela, à exigência deles de que ela dançasse também, à decisão de o continuar a fazer  mesmo depois de Rolf Borzik, cenógrafo com quem dividiu trabalho e vida e que também entrava em palco, morrer em 1980 (desde que Dominique Mercy, um dos bailarinos que a acompanha desde os anos 70, continuasse em palco também). Sabia da importância histórica desta peça na dança contemporânea (com as outras coreografias que criou nessa altura, mas muito com Café Müller, Bausch marcou um antes e um depois no que entendemos por dança hoje e para sempre. Houve que inventar uma nova classificação para  conseguir dar nome ao que ela fazia, ficou teatro-dança para esse trabalho que  continua e leva longe o tanztheater alemão, cruzando todas as artes), do furor que fez em Berlim e depois no mundo. Tinha visto registos artesanais (Pina não queria a peça filmada, há pouquissímas gravações) e a homenagem  de Almodovar em Fala com Ela, sabia do Purcell na banda sonora. Mas nada do que eu sabia ou julgava saber me tinha preparado para aquilo. Chorei do principio ao fim e saí de lá com a absoluta certeza de ter experimentado uma coisa extraordinária, comum, rara e universal.

Dizia ela (numa bela e rara entrevista a Vanessa Rato, no Público, há 1 ano) - “É difícil falar de certas coisas. Como é que se pode falar deste desamparo que temos no mundo? O que é que fazemos com isso? Carregamos isso, esses sentimentos tão presentes. E há uma grande necessidade de gastar emoções. Não é só felicidade. É também o oposto disso. (…) Eu também não sei. Há mais perguntas que respostas. Há muitas perguntas.”

 

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Sexta-feira, 15.05.09

...explicado às criancinhas pelo senhor Bob Geldof, à laia de comentário à posição do nosso Ministério da Cultura que já anunciou que não vai apoiar  a directiva que prevê a extensão do prazo de protecção dos artistas intérpretes e executantes de 50 para 70 anos, aprovada no dia 23 de Abril no Parlamento Europeu, com 377 votos a favor, 178 contra e 37 abstenções. Nos Estados Unidos o prazo é de 95 anos. Portugal faz parte de uma minoria de seis países europeus que bloqueia a aprovação desta lei em Conselho de Ministros. Porquê, perguntam vocês? Join the band.

 

+++  a petição está no site da Federação Internacional de Produtores fonográficos

Sexta-feira, 20.03.09
Maria João Guardão

sou eu e a primavera, voltámos. Registo que o Papa - e por conseguinte a Igreja (e alguns bispos em particular)  - continua a querer salvar o mundo (pena os danos colaterais),  que a banca pública continua a laborar para proteger os interesses públicos, que aqui na jugular continuamos a pertencer ao comité central governativo, e que questões que não interessam nada a ninguém , como a violência doméstica ou a igualdade de direitos perante a lei, permanecem casmurramente na ordem do dia. A coisa carece de um ou dois comentários (e não esquecer o desemprego, posso até descrever a atmosfera de um centro de emprego para juntar aos números em questão) mas agora tenho que ir ali fazer uma coisa.

 

 

(tanquios, sofia)

Quarta-feira, 04.03.09
Maria João Guardão

Enquanto o TPI decide se vai ou não emitir o mandato de captura em nome do presidente do sudão e este continua a fazer saber que justiça é coisa que ele come ao pequeno almoço, vale a pena ler  Desmond Tutu ontem no NYT  e, de caminho, espreitar o site The Elders (a minha espécie de filiação política, pronto). E já agora, fazer figas. 

Terça-feira, 20.01.09
Maria João Guardão

Creio no incrível,

nas coisas assombrosas,

na ocupação do mundo pelas rosas,

creio que o amor tem asas de ouro. Ámen.

                             ( in Sonetos Românticos)

 

Peço o credo emprestado a Natália Correia neste dia de pregadores. E junto-lhe o homem que hoje tornou reais vários impossíveis. Barack Obama, o canhoto, começou. 

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Quarta-feira, 17.12.08
Maria João Guardão

Gosto de regressar. Aos sítios que me dão prazer, às pessoas que amo, às coisas me fazem pensar (e às pessoas que me fazem pensar e aos sítios que amo e às coisas que me dão prazer). Voltei ao celeiro aquecido à mão no meio do Bairro Alto - O Negócio, da ZDB, na cova da Rua do Século - onde se faz teatro/dança/performance/o que for preciso e onde, a partir de hoje, está em cena Dream Play1. Martim Pedroso foi buscar Strindberg - O Sonho, de 1901 - juntou-lhe Bram Stoker, uma marcha de trabalhadores do lixo, o Fame, pastelaria fina (mmmm..chantilly) e um molhe de actores/autores em estado de graça (maria duarte fez-me rir (sim, rir) até às lágrimas, célia ramos é GRANDE, e a restante troupe só não é aqui mencionada porque são mais que as mães e todos bons que se fartam) e juntos e ao vivo passam duas horas a esmiuçar as causas do sofrimento humano. Em português francês e alemão, na Praia da Vergonha, com a inteligência de quem nunca se leva muito a sério. Inexplicavelmente só dura mais 4 noites. Ide.  

Segunda-feira, 24.11.08
Maria João Guardão

Eu, que não gosto de touradas, comovo-me até às lágrimas sempre que a imagem me apanha ( e apanha-me sempre desprevenida). O primeiro enterra as mãos na cintura (para segurar dedos e coração?) e avança. Os outros fazem peito, atrás. Gritam (como gritam os samurais. para enrijar o corpo e , de caminho, abafar o instinto de preservação) e avançam de encontro à montanha de sangue e fúria e cornos, as mãos limpas face ao animal. O homem antecipa o embate e - foda-se - dança.

Haverá sempre saídas fáceis e distâncias de segurança e ainda mais quem não vá a jogo, mas nesse momento que a mim me comove sempre há um punhado de gente a desafiar a cara do bicho, os cornos do touro, a boca do lobo em vez de se sentar na bancada a assobiar para o lado, a tapar a cara com as mãos, a olhar à distância para a refrega. Falha-me a paciência para a poesia tauromáquica (chega o miúra) mas sobra-me uma palavra tão antiga que nem sei se sobrevive ao acordo ortográfico.  Têmpera. Diz-se da qualidade de uma espada ou de algumas, poucas, pessoas.

 

para a f.

Quarta-feira, 19.11.08
Maria João Guardão

 

...para o comentário à gaffienta Manuela Ferreira Leite, hoje no jornal das 2 da SIC Notícias. Gosto principalmente da parte em que Rui Tavares relembra que a mais recente "suspensão da democracia" em Portugal - 48 anos, mais coisa menos coisa - foi parca em reformas para o país. não houve tempo, certamente.

..porque a coisa não anda. Par contre. "A persistência das disparidades salariais entre homens e mulheres "indicam progressos assaz lentos" (de 17% em 1995 para 15% em 2005 - sim, é mesmo isto, dois por cento em 10 anos...ena), "apesar do significativo acervo legislativo em vigor há mais de 30 anos, das medidas adoptadas e dos recursos gastos para as reduzir".

PE exige à Comissão que reveja legislação sobre igualdade salarial entre homens e mulheres
 

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Terça-feira, 18.11.08
Maria João Guardão

Com uma crónica Miguel Sousa Tavares pôs Alcântara&Associados no centro da discussão.

Mesmo que tudo o resto não importasse, a muralha de aço a tapar o Tejo e a prorrogação da concessão de exploração do terminal à Liscont sem concurso público eram matéria mais do que suficiente para me preocupar e irritar.

(E além disso encanitam-me os factos consumados na relação que mantenho com a minha cidade de adopção. Sejam eles do tamanho do edifício anteriormente conhecido como Éden ou coisas como autocarros desviados por "eventos" efémeros, comum nos arredores do Marquês).

Li prós e contras, discuti prós e contras e hoje vi OS prós e contras na RTP1. Vi um MST arruaceiro e surdo a fosse o que fosse que não encaixasse na tese que defende, um Sá Fernandes desorientado e de argumentação frágil  (sem trocadilho), um ex-secretário de estado a esgrimir várias vezes ex-argumentos e uma secretária de estado a não se deixar confundir pela vozearia e a conseguir expôr com clareza  um processo que não é de ontem, não é secreto e, ó céus, arrisca-se a acautelar o interesse público (pelo menos nos seus pressupostos).

Ainda tenho um contentorzito ou outro de dúvidas em relação à Nova Alcântara, mas uma coisa é certa -  a Ana Paula Vitorino já ganhou.

 

 

 

Sábado, 25.10.08
Maria João Guardão

O DocLisboa está quase no fim mas ainda há muito para ver. Meia dúzia de Wiseman (jugulado aqui), por exemplo, mais uma Maratona Eleições (da campanha de Giscard D'Estaing à de Bill Clinton, com passagem por JFK enquanto jovem senador nas primárias democratas), todos a mais que justificar um domingo na sala escura. Mas há filmes que já não voltam, a não ser que uma distribuidora iluminada os importe para um cinema nacional. Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S.Thompson é desses. 

Há uma altura do documentário em que Jann S. Wenner não consegue responder à pergunta. Wenner editava a Rolling Stone quando a Rolling Stone era o braço armado da contracultura americana (flower power, manifs  anti-Vietnam, Panteras Negras, Luther King, you name it.) e já tinha contado das inúmeras vezes em que Hunter escaqueirou deadlines, deu cabo de máquinas de fax (à época uma preciosidade tecnológica), falhou reportagens inteiras (um combate histórico de Cassius Clay passou-lhe ao lado enquanto ele alucinava na piscina) e até de quando o desvairado lhe apontou um extintor de incêndio e carregou na patilha. Mas o homem que mandou o inventor do jornalismo gonzo à procura do sonho americano no Grande Tubarão (o cadillac branco que a revista teve que alugar porque HST se recusou a desempenhar a missão numa caranguejola) e recebeu de volta uma coisa que conhecemos como Fear and Loathing in Las Vegas (os artigos, o livro, o filme). não conseguiu responder à pergunta que falta é que ele faz hoje sem se engasgar e ficar com lágrimas penduradas.

 

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Sexta-feira, 24.10.08
Maria João Guardão

 

 

o gatinho ronron aprende os opostos

Domingo, 19.10.08
Maria João Guardão

 

"he said that for him stories were like blood running through a body - paths of a life."

(Siri Hustvedt, What I Loved)

 

Bom dia, admirável (sub)mundo novo.


Autores
Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fernanda Câncio / f.
Filipe Nunes
Gonçalo Pires
Hugo Mendes
Inês de Medeiros
Inês Meneses
Irene Pimentel
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
Maria João Guardão
Mariana Vieira da Silva
Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
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