Sexta-feira, 16.12.11
Palmira F. Silva

Iconoclast and public intellectual passes away at a Houston hospital after battle with cancer,  uma selecção dos obituários está a ser recolhida aqui.


Domingo, 06.11.11

Na última semana, dois ministros do Governo de Portugal®, , o da Economia e o da Segurança Social, aventaram a hipótese de delapidarem as verbas do FEFSS (Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social) nas suas políticas de "emprego" - so far, de protecção do patronato, excepto quando o patrão é o Estado.  Mas este fundo, o garante das pensões e reformas dos actuais trabalhadores, não é do Estado para que esta gente o liberalize ao serviço dos privados e mercados financeiros, a única coisa em que de facto se têm mostrado excelentes, tirar ao público para dar ao privado*. Não sei bem o que pretendem com estes anúncios incendiários mas para já conseguiram algo totalmente inédito, que eu subscreva na íntegra uma opinação de Pacheco Pereira, em particular o parágrafo final: «A única hipótese plausível é que o governo quer mesmo que a greve geral seja um sucesso, para exorcizar qualquer coisa, ou para colocar o que acha a incarnação do Mal nas ruas para todos o verem».

 

*Por exemplo, na Educação, em que foi considerado prioritário reforçar as verbas destinadas às escolas secundárias privadas, que viram aumentada em 6.5%, de €80 080 para € 85 228, a verba paga por turma do OE, enquanto o ensino público, em particular o superior, foi sujeito a cortes tão brutais, cerca de 33% em relação ao OE2011, 48% inferior à dotação de 2010, que ameaçam a sua continuidade. Para ser mais clara, neste momento o ME considera que é mais importante e por isso merecedor de mais financiamento, do dinheiro dos nossos impostos, um aluno numa escola secundária privada que um aluno no ensino superior público.


Pelas razões que se tornarão aparentes ao longo do post, recupero um post que escrevi há ano e meio, adaptando-o ligeiramente à espuma dos dias.

 

No final do século V a.C., Atenas viveu uma profunda crise económica e política devido à longa guerra do Peloponeso. À rendição de Atenas, em Abril de 404, seguiu-se um golpe oligárquico apoiado por Esparta. A oligarquia que, com o apoio das tropas espartanas, fez cair a democracia ateniense ficou conhecida como a Tirania dos Trinta. Embora a democracia tenha sido formalmente restaurada pouco depois, em 403, o populismo retórico da aristrocracia fez crescer a insatisfação dos cidadãos com a crise económica. A aristocracia culpou a democracia pela crise vivida e exigiu um governo forte que permitisse o retorno à antiga glória e ao poder atenienses. Com a confiança no regime seriamente abalada, no início do século IV a.C. os cidadãos deixaram de participar na Res Publica o que levou a que fossem remunerados os que condescendessem a comparecer às sessões da Assembleia. A Assembleia tornou-se assim o ponto de confluência dos ociosos, dos demagogos e dos cidadãos que nela viam apenas uma forma de subsistência. Décadas de demissão da cidadania por parte dos atenienses e de retóricas ocas por parte de quem queria o poder pelo poder tiveram como consequência que, no final do século IV a.C., a tirania oligárquica vingasse.

 

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Sábado, 05.11.11

Há uns tempos, esta referência ao que se passa nos EUA, inserida no facebook pela Workers Community, foi partilhada e repartilhada com foco na mensagem original, "da próxima vez que alguém disser que és pobre porque és preguiçoso mostra-lhe isto". A mensagem implicita vai no entanto muito mais longe e ajuda também a perceber porque razão falharam todas as estratégias(?) que se foram adoptando para, supostamente, resolver a crise e porque continuarão a falhar se não houver uma reflexão profunda sobre as suas causas. Aliás, crise, vale a pena lembrar, vem do grego krisis, que pode ser traduzido por julgamento ou decisão. Assim, mesmo etimologicamente, esta crise envolve a reflexão crítica que me parece muitos se recusarem fazer.

 

Essa mensagem implícita foi hoje, também implicitamente, analisada no The Economist num artigo com título "Inteligência artificial" e sub-título "O legado ludita". O termo ludita, recordo, remete-nos para a Revolução Industrial e para os movimentos operários de luta contra a mecanização do trabalho que eclodiram na Inglaterra de há 200 anos, exactamente,  o movimento começou a ter expressão em 1811. Embora existam muitas lucubrações sobre as origens do ludismo, o movimento anti-máquinas, que teve pouca expressão no resto da Europa e se devotou especialmente aos teares mecânicos, não pode ser indissociado do bloqueio continental imposto em 1806 por Napoleão e das suas consequências sobre as exportações britânicas - agravadas a partir de 1812 com a nova guerra com os Estados Unidos que consolidou a independência norte-americana e privou os teares britânicos do algodão de que necessitavam para trabalhar. 

 

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Sexta-feira, 14.10.11

Como Januário Torgal, depois destes tratos de polé, também eu me pergunto se, na lei de execução orçamental que por aí vem, «em Janeiro não existirá um outro desvio colossal, quem sabe inventado, para apanhar mais dinheiro»

 

*Cada vez mais gosto do bispo da tropa :)


Sábado, 08.10.11
Palmira F. Silva

Mas então PSD não tinha um programa que «resiste a qualquer teste de avaliação ou credibilidade. Tudo o nele se propõe foi estudado, testado e ponderado»? Então por que cargas de água foi necessário pedir «assistência técnica» à Comissão Europeia para «reprogramar y priorizar de nuevo»  as medidas necessárias para cumprir o memorando da troika e não aniquilar as perspectivas de crescimento?

 

Enfim, depois do que aconteceu ontem na AR, onde, supostamente e a pedido do ministro, iria ser apresentado um plano estratégico das infra estruturas e transportes, discutido no Conselho de Ministros da véspera, que afinal não existia, não me deveria espantar esta necessidade desesperada de auxílio técnico.


Quinta-feira, 06.10.11
Palmira F. Silva
Before dying he was strucked, humiliated, burned, mistreated, and agonized during hours. We can change the history if we react in time. Think before you eat chicken.

A PETA, que em 2007 fez uma campanha com este anúncio, que não tem problemas em produzir anúncios do mais sexista e bacoco que existe e vai em breve lançar um canal pornográfico, fez saber, pela voz da sua presidente, do seu intenso repúdio por uma foto publicada pelo NYTimes, considerada demasiado sexy, tão sexy que beirava a necrofilia (atracção por cadáveres). Veja depois do link a "downright offensive",  "ghastly and sickly" fotografia.

Disclaimer: conteúdo XXX )

Palmira F. Silva

Alguém me explica por que cargas de água* Mário Nogueira e a Fenprof resolveram fazer campanha pelo PSD e por Alberto João Jardim a escassos dias das eleições regionais?

 

*Não tem, certamente, nada a ver com interesses de classe nem com a preocupação partilhada de Nogueira e AJJ acerca da avaliação de professores, tema do comício de hoje, em que só faltou AJJ prometer perpetuar a palhaçada, perdão, isso é no continente,  coisa séria de 2008 e avaliar por decreto os professores da ilha.


Quarta-feira, 05.10.11
Imagem: O sono da razão produz monstros (Caprichos, no. 43: El sueño de la razon produce monstruos), Francisco José de Goya.

 

Por uma qualquer razão, os relances sobre os monstros maçaram muito alguns sectores da nossa blogosfera e não só. Devo confessar que ando com tanta falta de tempo que só me apercebi desse incómodo quando os seus ecos reverberaram numa conversa em que, assentes em doutas opinações blogosféricas, me acusaram de manipular dados para publicar umas merdas sem pés nem cabeça. 

 

Fiquei inicialmente na dúvida se seriam os dados da OCDE - e da OMS - as tais merdas sem pés nem cabeça ou se o problema residia na minha apresentação dos dados, que não seguiu a ortodoxia dominante, a verdadeira, a da Bayer, aquela com que somos matraqueados insistentemente e que expressa (quase*) tudo em termos do PIB.

 

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Segunda-feira, 03.10.11
Palmira F. Silva

Em cada relatório da OCDE para que olho, pelo menos uma "realidade" nacional que é propagada (e propagandeada) aos 4 ventos é desmistificada. Depois de a Mariana nos ter explicado que «Portugal gasta menos em saúde do que a média da OCDE» e que «Portugal apresenta melhores indicadores de qualidade e tem menos despesa per capita que a média da OCDE», uma inspecção do Health at a Glance indica que Portugal, em 2008, era o país do euro (e o 4º em toda a OCDE) onde os cidadãos mais custearam directamente, em percentagem, as despesas de saúde. Nesse ano, pagámos quase 30% dos gastos totais com saúde, uma percentagem não só acima das médias da OCDE e da zona euro, para os países em que há dados, como muito acima daquela que a Organização Mundial de Saúde recomenda.

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Sábado, 01.10.11
Palmira F. Silva

Estou na Fundação Champalimaud no TEDXEdges. A primeira sessão, dedicada à espiritualidade, depois de uma série de vacuidades e alguns detalhes de interesse histórico, alguns dos quais já referi aqui na jugular, termina em beleza com o ultra-ateísta David Santos. Podem seguir ao vivo toda a conferência aqui. Vale a pena, a sério. Recomendo em particular as sessões da tarde, em particular depois das 18H10 com a apresentação da Ana Mourão sobre os segundos cruciais.


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Não se percebe de facto o que pretende António Borges, que já foi vice-governador do Banco de Portugal e vice-presidente do PSD e agora dirige o Departamento Europeu do FMI, quando se refere às «surpresas em Portugal» que «foram muito grandes, não só pelo tamanho, mas também pela falta de controlo que revelou». Continuará com o síndrome do sebastianismo em part-time?


Sexta-feira, 30.09.11

No início da semana, o pastor Youcef Nadarkhani,  convertido ao cristianismo muito jovem, era um ilustre desconhecido que engrossava as fileiras dos iranianos condenados à morte pelas mais espúrias razões.  Hoje, o seu nome está nas primeiras páginas e editoriais da imprensa internacional de referência. Nadarkhani, de 33 anos, preso em 2009 por apostasia, poupado por um recurso do Supremo em Julho, viu o seu "crime" reexaminado por um tribunal de Rasht, num julgamento que  terminou na 4ª feira. Na última sessão, o "criminoso" recusou, mais uma vez, a magnânima oferta judicial: repudiar a sua religião e converter-se ao islamismo dos seus pais. O tribunal provincial de Gilan condenou-o ao mesmo destino do pastor da Assembleia de Deus, Hossein Soodmand, executado em 1990 pelo mesmo "crime": morte por enforcamento.

 

O que merece a atenção e desatenção da comunidade internacional... )

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Sábado, 24.09.11

Afinal parece que o grito do Ipiranga de Alberto João Jardim, que agora se reclama orgulhosamente português, não passou de mais um ensaio chantagista lapsus linguae

 

*Agradeço ao Joaquim Camacho, neste delicioso comentário, o termo tão apropriado :)


Já por aqui falámos no Education at a Glance 2011, a publicação da OCDE que tantos engulhos provocou em tantos. Mas ainda não tenho visto referido em sítio nenhum o Government at a Glance 2011, publicado no dia 1 de Agosto. Quiçá porque, para além do que ilustra a figura, explica que em Portugal, «Graças a programas sucessivos de consolidação fiscal e a uma economia em crescimento, o balanço fiscal melhorou consideralvelmente entre 2005 e 2007. Mas deteriorou em 2008 e 2009 devido à crise económica e aos pacotes fiscais de estímulo em resposta à crise».

 

Antes que o último período provoque a avalanche de comentários do costume, acrescento que não se aplica apenas a Portugal. De facto, «No entanto, após o início da crise, a proporção da despesa pública aumentou em 4.9 pontos percentuais na OCDE durante o período de 2007-09. Apenas parte deste aumento reflecte uma diminuição do PIB; outra parte reflecte igualmente o aumento da despesa pública desencadeado pela necessidade de garantir a estabilidade do sistema financeiro e de estimular a economia em resposta à crise.» Mas, claro, por cá a crise internacional só teve efeitos a partir de 5 de Junho...


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Palmira F. Silva

Depois de nesta entrevista ter admitido que a dívida da Madeira era "coisinha pouca", 5 mil milhões de euros, uma pechincha de valor próximo ao do PIB madeirense*, e de posteriormente ter corrigido esse valor para próximo de 6 mil milhões de euros - o triplo do admitido ainda há dias -, Alberto João Jardim voltou a brandir  a independência como arma de chantagem. No jantar comício de ontem na Camacha, um dos muitos que os contribuintes nacionais vão pagar aos ilhéus, AJJ afirmou que ou o contenente paga a dívida madeirense ou «então dêem-nos a independência». 

 

Depois de noutro jantar comício ter esclarecido que «quem fez a dívida da Madeira foi a pouca vergonha do Estado português quando lá estavam os socialistas» agora acrescenta que os sem vergonha contenentais, não contentes em endividar os madeirenses agora queriam  «que nós não tivéssemos dívida, para ajudá-los a pagar a dívida deles, que é muito mais grave que a nossa, e queriam também que nós ficássemos sozinhos a aguentar os nossos problemas».  De facto, de cada vez que AJJ, rei de uma ilha que corresponde a 2,5% da população nacional, passa a vida a comparar, em valor absoluto, a dívida madeirense com «a vergonha da do Continente». Claro que não interessa comparar em percentagem do PIB porque aí não se poderiam dizer anormalidades sobre o contenente - e se poderia apreciar a dimensão do exemplo de «um bom governo do PSD» e a total falta de vergonha na cara da coisa poucochinha madeirense.

 

 

*zona franca incluída, sem a zona franca, que pouco ou nada contribui para a riqueza (ou emprego) da ilha, usando os dados do INE e estimando um crescimento do PIB madeirense igual ao do PIB nacional, os 5 mil milhões de euros correspondem a ~140% do PIB da Madeira (e a dívida pública admitida a ~165%). Os 7 mil milhões de que se fala, sem as dívidas dos munícipios nem das empresas municipais, corresponderiam a ~190% do PIB madeirense.


Terça-feira, 20.09.11
Palmira F. Silva

Apenas pouco mais de 150 anos depois, a Igreja católica reconhece que fez mal em ter hostilizado Darwin e a sua teoria da evolução até porque na realidade o evolucionismo é uma "invenção" católica, mais concretamente a sua origem pode ser traçada a Agostinho de Hipona, que sabia que os peixes grandes comem os peixes pequenos, e a Tomás de Aquino, porque sim e fica bem dizê-lo.

 

Um progresso vertiginoso se pensarmos que foram precisos 400 anos para o mesmo acontecer a Galileu. Pela evolução das coisas, ainda neste século ouviremos a ICAR a explicar que foi ela a grande responsável pela utilização de preservativos no combate à SIDA e pelo fim da discriminação de homossexuais.


Segunda-feira, 19.09.11

 

Digam-me, please, que aquele "tabled" não quer dizer que foi o único português na comissão de agricultura o co-autor desta proposta totalmente imbecil que propõe um financiamento de 2 milhões de euros para homeopatetices para vacas e demais quadrúpedes.

 

Mas se quiser dizer mesmo isso, digam-no em suaves prestações, a primeira vez que vi a notícia pensei imediatamente que era da Onion ou afins, confirmar que a única "brincadeira" é a que os eurodeputados  pregaram aos contribuintes europeus já foi mau, descobrir que foi mesmo um português a propor este obscurantista desperdício de dinheiro será demasiado mau para uma só vez.


Domingo, 18.09.11

Há pouco mais de um ano,  6 sismologistas e um funcionário estatal que não previram (?) a tragédia que ocorreu em L’Aquila, no dia 6 de Abril de 2009, começaram a a ser investigados pelo «homícidio» das 308 vítimas do terramoto. Para a semana, começam a ser julgados pelo «crime» e há uma probabilidade não despicienda de serem condenados a penas pesadas.

 

‘quem nos rouba a honra não fica mais rico e deixa-nos irremediavelmente pobres’ )


Embora, usando as palavras de Januário Torgal Ferreira, «uma andorinha não faça a Primavera», algumas notícias, de Portugal inclusive, revelam cada vez mais andorinhas entre os dignitários e padres católicos.

 

Numa entrevista que vale a pena ouvir na íntegra, Januário Torgal, que recorda o passado de vergonha de uma Igreja que se calou e se ajoelhou diante de Salazar - e cala e ajoelha* perante todos os governos que lhe mantenham os privilégios e imponham as suas aberrações "morais" -, afirmou não querer ser cúmplice de uma situação em que uma "multidão de pessoas" "já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias", situação criada por um governo a que aponta falta de sensibilidade nuns casos e perfeita incompetência em outros.

 

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Sábado, 17.09.11
Palmira F. Silva

Estava nos EUA quando Timor foi varrido pelas milícias pró-Indonésia e, mesmo longe, emocionei-me com as manifestações de solidariedade para com Timor que ocorriam um pouco por todo o mundo. Mas se bem me lembro*, o Alberto João Jardim que hoje, na abertura de todos os telejornais, entre os habituais e pesporrentes insultos, chantagens e demais palhaçadas, acusou os contenentais de falta de solidariedade é o mesmo que nesse Agosto de 1999 garantiu que a Madeira não daria nem "um tostão" para Timor e que não admitia que o Estado português "mexesse" nas transferências a que a Madeira tinha direito para ajudar Timor.

 

* e o DNotícias da Madeira corrobora mas, com AJJ a disparar para todos os lados sobre as "mentiras" dos media contenentais e da "oposição", queria confirmar com outras fontes.

 

*adenda )

Inspirado neste post da Shyz, e, tal como o post da Shyz, parece que não se aplica à Madeira. Isto é, rejeita pôr em causa a confiança política, apesar das batotas, em AJJ.

 

Entretanto, AJJ, quiçá com medo da multa de 25 mil euros em que incorre por ter feito batota  com as contas, prometeu acabar com as "cavalarias" altas, a partir de agora, assegura, não há mais «coisas muito caras». Mas nada diz sobre as menos caras. Por exemplo, e se, até porque já não deve haver cantinho na ilha sem igrejas ou centros paroquiais pagos pelo bolso dos contenentais, é pouco provável que continuem as cavalarias altas destinadas a «enriquecer e aumentar o património religioso edificado na Região Autónoma da Madeira»,  2,6 milhões de euros só na construção da igreja inaugurada esta semana, as «menos caras», como a beneficiação do caminho que conduz à nova igreja da Atouguia ou o arranjo da capela da Nazaré, lançadas anteontem na base de contratos públicos, continuam business as usual...


Diz a nota final do comunicado conjunto do INE e do Banco de Portugal sobre as dívidas escondidas da Madeira que ambas as entidades, "consideram grave a omissão de informação e não têm conhecimento de casos similares".

 

Em causa, estão 1113 milhões de euros de dívida escondida entre 2008 e 2010 relacionada com acordos entre o governo regional da Madeira e empresas de construção. Se considerarmos o buraco de  €568 milhões deste ano cuja descoberta, ou antes, palhaçadatanto indignou AJJ, no total o buraco escondido da Madeira ascende a quase 1.7 mil milhões de euros.

 

Os números do bailinho da Madeira )

Quinta-feira, 01.09.11
Palmira F. Silva

Governo escolhe assessores para venda da EDP sem concurso.


Palmira F. Silva

Depois de há uns dias ter culpabilizado pelo desvio colossal nas contas da Madeira «todos aqueles que, em Lisboa» recusaram à região uma maior autonomia, Alberto João Jardim considera que está em marcha uma ofensiva contra a Região Autónoma. E aponta o dedo em riste a uma conspiração alargada que envolve, para além dos suspeitos do costume no "Contenente",  a comunicação social, quiçá os bastardos de que falava em tempos, a «parte da Troika que está infiltrada pela Internacional Socialista», a Maçonaria e até o Governo dos Açores, que, depois de tudo o que roubou da Madeira, Jardim dixit, não teve pruridos em entrar na palhaçada.

 

Palhaçada com o objectivo "claro" de intervir nas eleições da Madeira.  Como explicou AJJ, «O que se está a passar é aquilo para que eu já avisei o povo madeirense. É mobilizar-se a comunicação social do continente, mobilizar-se agora até, neste caso, sectores da União Europeia que são afetos à Internacional Socialista e que estão a trabalhar neste grupo da troika. A maçonaria mobilizou tudo quanto podia em termos de utilizar este período para atacar a Madeira», «para também fazer que quadros da União Europeia possam também intervir nas eleições da Madeira» a que se soma a «Mobilização da Comissão Nacional de Eleições* e da Entidade Reguladora da Comunicação Social** contra o PSD [Madeira]; mobilização da Comunicação Social de Lisboa para intervir nas eleições da Madeira; identificação clara dessas intervenções com a esquerda e com a Maçonaria». Haja paciência para tanta palhaçada!

 

*que teve o desplante de intimar o Jornal da Madeira a respeitar o pluralismo editorial.

** ou antes, de acordo com AJJ, contra o JM: «a guerra da Entidade Reguladora da Comunicação Social, dominada politicamente por todos aqueles que a dominam, é contra o Jornal da Madeira». Tudo isto sem perceber que «Pelo contrário, a comunicação social da Madeira - no caso do Diário de Notícias do Funchal, no caso dos correspondentes de cá para aí e no caso da RTP/Madeira, dominada aí por uma administração socialista - essa gente é que transmite aí, para o Continente, imagens e notícias que não correspondem à realidade».


Segunda-feira, 29.08.11
Palmira F. Silva

Um pastor norte-americano pretende criar um site nacional onde sejam divulgados os ateístas. Porquê? Porque, de acordo com o devoto pastor, se já existe o National Registrys para "convicted sex offenders , ex-convicts , terrorist cells , hate groups like the KKK , skinheads , radical Islamists , etc.." por todas as razões e mais algumas deve haver algo análogo para os ateus. E as mais algumas são, claro, a proselitização e, se isso não resultar, o boicote dos negócios dos aliados do mafarrico.

Enfim, nada inesperado num crétin.


Domingo, 28.08.11

A esfinge: o mesmo destino dos Budas de Bamiyan?

 

Nos últimos meses, extremistas salafi devotaram-se a "purificar" o Egipto da imagética religiosa não islâmica, atacando, para além de locais de culto cristãos e sufis, os vestígios da "cultura podre", como se referiu o porta-voz da Al-Dawa Al-Salafya (Salafist's Call) às pirâmides, esfinge e demais templos faraónicos.

 

Um novo Irão? )

Quinta-feira, 25.08.11
Palmira F. Silva

Circumstance, o primeiro filme de  Maryam Keshavarz.


Tony Perkins, o religious nuts que dirige o Family Research Council, resolveu, há cerca de 2 semanas, carpir as afirmações de Joe Biden durante as negociações da dívida. Biden, condenou os republicanos do Tea Party por "terem agido como terroristas". Claro que o desabafo de Biden deu origem a ululações sem fim da parte dos Tea partiers, que já acusaram Obama de tudo e mais umas botas, terrorista talvez o mimo mais suave.

 

Claro que chamar terroristas a quem não partilha a sua visão dominionista da religião é o pão nosso de todos os dias de Perkins. A última foi dirigida aqueles que apoiam a separação estado-igreja.  Nunca deixa de me maravilhar a estridência com que a direita se vitimiza, carpindo que são os outros que fazem aquilo que é a sua imagem de marca.



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Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Diogo Serras
Domingos Farinho
Fátima Rolo Duarte
Fernanda Câncio / f.
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