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jugular

Gostava mesmo que me explicassem

o que é um documento exclusivamente técnico. Que eu saiba, qualquer dos manifestos pressupõe uma interpretação da nossa situação, das suas "causas" e dos desafios que enfrentamos no futuro. Mas nada disto é "científico" ou "objectivo", isto é, a informação que está na base dos dois manifestos é necessariamente mediada por interpretações valorativas, logo políticas. Eu sei que há quem goste de achar que pessoas na posse da mesma informação chegam necessariamente às mesma conclusões. Isto é, digamos, o ideal de qualquer ciência.  Mas o problema é que, neste caso, não existe informação imediata, não interpretada, o que limita este tipo de pretensões. Um exemplo: a ideia de que, face à incerteza e risco futuro, o melhor é o estado abster-se de fazer grandes obras públicas, depende de alguns presupostos, como o de que não devemos por os ovos todos no mesmo saco - o melhor é diversificar (leia-se: baixar impostos para aumentar o rendimento disponível dos privados). Diversificar parece ser uma estratéga prudente. Até pode ser, em geral; mas sê-lo-à sempre, sobretudo num contexto em que as empresas privadas estão a reduzir investimento e onde acções individuais descentralizadas parecem ser contrários ao interesse geral? A ideia de que só as empresas que criam riqueza e emprego não é uma verdade ahistórica, não é uma lei universal - para além de ser uma ideia historicamente falsa, também há contextos em que é muito pouco provável que tal acontecer. No contexto actual, tudo parece apontar para que o "combate à crise" (conceito que não é do meu agrado) seja um "bem público", o que confere ao Estado um papel fundamental na dinamização da economia. Mais: esta crise parece exigir que se recupera um conceito que se julgava ultrapassado e que os liberais abominam: um estado empreendedor. Não é que o estado vá produzir isto ou aquilo; falo apenas da possibilidade - e da necessidade - de o estado ser o único com capacidade para criar novos contextos e novos mercados que podem beneficiar os privados - e o país - a médio longo prazo. Aqui não há certezas científicas; há opções e leituras políticas. Era bom que fossem assumidas claramente. Por todos.

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    nuvens de fumo 30.06.2009

    Sim mas se a alternativa for nenhum investimento, suspeito que uma TIR é sempre melhor que nenhuma.
    Essas teorias partem do princípio que estado e privados vão competir, mas pelo que percebo do texto , e pelo que se anda a ver na economia, temos os privados a não fazer grande coisa.


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