a federação espanhola de doadores de sangue (federacion española de donantes de sangre) certifica no seu site que em espanha não existe DE FACTO discriminação dos homossexuais masculinos na dádiva de sangue. não foi possível perceber desde quando a discriminação, que há poucos anos existia, deixou de existir, nem como é que a espanha, a ser isto verdade, lida com o facto de a união europeia ter nesta matéria normas no mínimo dúbias. certo é que, como o miguel sublinha, as justificações do presidente do instituto português de sangue, gabriel olim, são em si absolutamente discriminatórias. uma coisa é dizer-se que existem normas internacionais com as quais portugal tem (terá?) de se conformar, outra é afirmar bizarrias como 'por razões anatómicas, os homens estão mais expostos a doenças graves que possam ser transmitidas'. como é que é???!!!!
convinha que os responsáveis de organismos públicos se poupassem ao espectáculo de tão absurdas contradições, já para não falar de fazerem um esforço para saber do que falam. é que, se efectivamente a espanha tem critérios diversos de admissão de dadores, cai por terra o único argumento razoável que olim apresentou -- o da impossibilidade de adoptar critérios distintos dos da união europeia ou 'dos outros países'.
3 comentários
aorta 18.07.2009 12:38
eu tenho pena é que o problema não se coloque do ponto de vista do receptor, ou seja da pessoa que recebe o sangue.
essa pessoa tem o direito de não ser assassinada com sangue contaminado, seja por HIV ou por outra doença qualquer.
E quanto à questão de saber se há ou não "riscos acrescidos nas doações efectuadas por homosexuais" (falta o "masculinos", miguel, esta visão machista da cena também tem de acabar), parece que as directivas internacionais dizem que sim.
dar sangue não é um direito. é um acto de responsabilidade. e havendo riscos, os interesses do receptor têm de estar salvaguardados, e estes é que eu gostava de ver aqui defendidos. mas só vejo é melgas, sanguessugas e bloodsuckers a zonzear...
a prova de que está toda a gente a cagar-se para as pessoas que recebem sangue é um pequeno detalhe que todos deixaram passar na entrevista do olim. diz ele: "Não testamos por exemplo a presença do vírus do papiloma humano (HPV), apenas os agentes patogénicos que conduzem a doenças mais perigosas".
sabendo que o HPV é causa de cancro no colo do útero, as mulheres que recebem sangue estão sujeitas a daqui a uns anos terem de passar pelo instituto de oncologia.
se eu fosse mulher, neste momento estaria bastante preocupada caso necessitasse de receber sangue...
Caro aorta Alguns esclarecimentos nao sou infecciologista mas parece-me que a possibilidade de transmissão hamatogenea de HPV é apenas teorica, mais estudos são necessarios para a confirmar. De qualquer maneira a dar-se esta transmissão seria feita principalmente a partir de pessoas com cancro ano-genital associado ao HPV (tendo em conta o programa nacional de vacinação o SNS não considera os homossexuais masculinos grupo de risco). Por outro lado esta transmissão teorica (hematogenea) poderia levar a carcinomas em diversos orgãos desde o pulmão à mama e portanto afectar qualquer pesoa e não apenas as mulheres e o seu utero ao contrario do que diz "se eu fosse mulher, neste momento estaria bastante preocupada caso necessitasse de receber sangue"
Finalmente esclarcer o que já foi esclarecido do ponto de vista clinico de avaliação da probabilidade de infecção não interessa a identidade social da pessoa mas quem fez o quê com quantas pessoas e com que grau de protecção. Estes criterios excluem por exemplo homens que fazem sexo apenas com um homem e em que o comportamento sexual mais intimo consiste em masturbação mutua. eu como "receptor" anseio pelo sangue destas pessoas porque me parece mais seguro que o de qualquer um dos membros de um casal heterosexual teoricamente monogamico com relações genitais sem protecção.
A discusão aqui é mesmo essa aorta (como ja foi dito milhares de vezes por milhares de pessoas)- o "receptor" e como defender que tenha acesso ao sangue mais seguro.