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jugular

Isto já não é desonestidade, é delírio patológico

José Manuel Fernandes escreve hoje um editorial que, numa primeira leitura, me fez suspeitar da minha literacia, numa segunda, da minha sanidade mental, até que percebi que não tinha lido mal nem estava a imaginar coisas.

 

Diz o senhor a certa altura "Algumas mudanças cirúrgicas na lei, algum sectarismo nas escolhas, tomada de posse ultradiscreta e mais uma trapalhada com epicentro no gabinete do primeiro-ministro feriram a autoridade de uma comissão que se terá de pronunciar, no seu mandato, sobre alguns temas que dividem muito os portugueses, do testamento vital à eutanásia, do casamento homossexual às regras da adopção, para só citar alguns exemplos".

 

Deixo de lado, para já, a "trapalhada com epicentro" (se bem que gostasse de ver a presidência da república confrontada directamente com uma série de questões, mas parece que para a comunicação social portuguesa Cavaco Silva é a vaca sagrada, a quem não se podem fazer perguntas incómodas e ó se havia perguntas incómodas neste caso, desde logo saber porque carga de água - e a ser verdade que houve tentativa de influenciar as nomeações governamentais - o PR se acha no direito de invadir áreas que não são do seu pelouro), a afirmação de sectarismo nas escolhas (só as escolhas de nomes ligados ao conservadorismo católico não são sectárias?) e avanço para bingo. A saber:

 

. as "mudanças cirúrgicas" na lei (Lei n.º 24/2009) que, a crer na interpretação de JMF, terão reforçado o número das nomeações governamentais, afinal vão em sentido contrário, ou seja, a nova lei diminui o número de nomeados pelo governo, retira a este a possibilidade de nomear o presidente e, finalmente, o CNECV deixa de estar adstrito à Presidência do Conselho de Ministros e passa para a esfera do Parlamento.

 

. a parte delirante (a anterior é má-fé pura e dura) surge com a espantosa afirmação de que o CNECV se terá de pronunciar sobre ao casamento homossexual às regras da adopção. Será que o CNECV não se quererá pronunciar também sobre o tamanho do meu biquini?

3 comentários

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    f. 10.08.2009 17:54

    nuvens, nem o cnecv foi criado agora nem retira quaisquer poderes legislativos ou decisórios ao parlamento -- é um órgão meramente consultivo -- nem serve para dar pareceres sobre as ditas (blerck) questões fracturantes.
  • Sem imagem de perfil

    nuvens de fumo 10.08.2009 20:17

    Eu sei que não foi criado agora e sei qual é a suposta missão , o problema é que condiciona politicamente os governos e a suas existência não deriva do voto popular.
    A questão para mim fulcral é porque raio há-de existir esta comissão ?

    Os governos tem de ter capacidade de legislar sem terem um conjunto de sábios, um bocado reaças , com tiques morais a decidir sobre a vida dos outros.

    Incomoda-me a criação destas entidades , pouco democráticas mesmo que sem poder vinculativo. Não é saudável haver estes corpúsculos , como se fossem oráculos, a decidirem por nós em questões de saúde, de dignidade humana, de ultimas vontades. É que falam de cátedra em temas como o testamento vital. Não ´vinculativo mas é um parecer chatão de contestar. Falam pelos médicos e pelas pessoas que sabem das coisas da vida , pois...

    Em última análise, e com o avançar da técnica médica vamos assistir a cada vez maiores dilemas, mais complexos, sem análise simplista possível e não vai haver comissão nenhuma que os resolva porque a solução é principalmente política. Como o caso da IVG, como em todos os caos de eutanásia, mas nas barrigas de aluguer, implantação de óvulos, filhos de pais mortos, nascimentos utilizando o útero de familiares etc etce etc


    Deixar estas coisas nas mãos de conservadores, como foi o caso da administração bush com as células estaminais, é retroceder décadas.
    Mesmo não sendo vinculativo o parecer, como disse antes, condiciona. Em questões duvidosas, estes pareceres podem "ajudar " a não faze
    r. Com a MFL , seria uma festa de não medidas

    Os governos, a meu ver, devem decidir estas questões consultando a sociedade civil, e esta deverá ter a capacidade de se organizar por interesses.

    Esta coisa de haver um órgão para pensar por mim...Era mais saudável estas reflexões nascerem da sociedade civil, sem mandatos, hierarquias e as habituais lutas de posições. estas últimas não tem dignificado muito, nem o PR nem o Lobo Antunes que calado tem consentido ser empurrado como um saco de batimentos.

    Acho triste , mas lá terá a sua ética a(s) coisa(s)...
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