Silly Season
No dia 25 de Agosto de 1835, faz hoje 174 anos, teve início a publicação de uma série de 6 artigos, conhecidos como o grande embuste lunar. Este embuste, muito provavelmente perpretrado por Richard Adams Locke, preencheu o léxico do imaginário dos nova-iorquinos durante a última semana de Agosto de 1835 e catapultou as vendas do New York Sun.
O Sun pretendia reproduzir, em suaves prestações, o suplemento do Edinburgh Journal of Science em que Sir John Frederick William Herschel, um reputado astrónomo inglês, relatava a «descoberta» de vida na lua . De acordo com o Sun, essa descoberta teria sido possível devido ao desenvolvimento de um telescópio tão poderoso que permitiria estudar «até a entomologia da Lua, no caso de esta ter insectos à sua superfície». O artigo indicava que o astrónomo teria encontrado vida inteligente na Lua, na forma de homens-morcego que adoravam uns quaisquer deuses «falsos» nos templos que construíam. Não é assim de espantar, que, segundo notícias da época, esta revelação bombástica tenha dado origem a uma colecta de dinheiro com o fim nobre de enviar missionários para a Lua salvar as almas dos pobres pagãos lunares.
Não sei se esta foi a origem do termo silly season aplicado aos muitos dislates que fazem notícia na imprensa nesta altura do ano e que este ano, em particular com a pseudo-história das escutas presidenciais, atingiram em Portugal os limites do credível. Mas, ao olhar esta caixa de comentários, percebo o apelo da silly season para alguns leitores. Percebo igualmente que, mesmo sem notícias falsas mas com muito enviesamento de confirmação, quaisquer notícias serviriam para esses mesmos leitores se devotarem à galante tarefa de salvação de homens-morcego sortidos...


