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Esta gente passa-se big time!

O João Sousa André enviou-me há dias informação (traduzida) sobre a proposta «inovadora» para «consolidar» o orçamento de 2010 introduzida por Geert Wilders, cujo PPV foi o 2º partido mais votado na Holanda nas recentes eleições europeias. Wilders considera que é altura de «limpar as nossas ruas»  e evitar a «poluição dos espaços públicos» com «símbolos de opressão», e que a melhor forma de o fazer é ir ao bolso dos «poluidores». Embora louve as preocupações ecológicas do nacionalista holandês, tenho de desiludir os que pensam que Wilders se referia a si próprio e às suas ideias poluidoras da mente quando falou na limpeza de «símbolos de opressão».

 

De facto, Wilders considera que as mesquitas, as roupas e barbas dos muçulmanos e, em especial, os lenços islâmicos são poluição tão agressiva que propôs um imposto de 1000 euros a pagar pelas mulheres que usem o dito lenço. Esta proposta, como seria de esperar, levantou grande celeuma na Segunda Câmara [do Parlamento], com várias intervenções acesas que confirmaram a acusação do ministro da Integração de que Wilders apenas pretende semear a discórdia.

 

O que é curioso nesta história é que Wilders, um católico que afirma serem as suas políticas inspiradas pelos valores (?) judaico-cristãos, considera que este imposto deve ser aplicado apenas a mulheres muçulmanas e não às seguidores de religiões «decentes», a judaica ou cristãs mais ortodoxas, que usam lenços similares.

 

Nunca nada de bom resultou das muitas tentativas de subordinação da política à religião. Infelizmente, por todos os cantos do mundo, abundam os alucinados que insistem em usar o púlpito para tentar orientar votos ou determinar políticas e leis, mal de que não estamos livres no nosso cantinho, como confirma a prédica do bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Azevedo, na peregrinação de Setembro a Fátima.

 

Espero sinceramente que saiam frustradas as expectativas depositadas pelo cardeal patriarca - que aparentemente se prepara para cantar de galo no dia a seguir às eleições autárquicas-, nas notas e afins com que a delegação nacional da Igreja de Roma tenta condicionar os resultados das eleições, legislativas e autárquicas, que se aproximam. E que a  igreja nacional finalmente se remeta ao seu devido lugar, um papel em que política e o Direito não deveriam marcar a agenda religiosa.

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