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"Jogos de poder" por Vasco Barreto

Quando ler esta crónica, talvez a mulher tenha já passado à história, mas prevejo que estará numa posição mais forte na segunda-feira do que a de mera candidata a um almejado lugar que ninguém segura por muito tempo. Numa altura crítica para Portugal, será esta a mulher providencial, sendo que, para o povo, de onde ela vem não se espera “nem bons ventos, nem bons casamentos”? E será mesmo que não se olha para ela pensando que mente? Talvez, mas fica por saber se é por ser honesta ou pela impossibilidade de se pensar o que quer que seja quando contemplamos uma criatura que pela voluptuosidade se furta ao “olhos nos olhos”.

Falo-vos, claro, de Neredia Gallardo, a luxuriante modelo espanhola que é a nova namorada do nosso Ronaldo. Um ex-companheiro aproveitou os cinco minutos de dúbia fama para felicitar Ronaldo, qual vendedor de stand de automóveis que comenta com o cliente a potência da viatura transaccionada. Tudo isto deprime, da indiscrição à possibilidade real de o craque subir aos relvados no Europeu extenuado, após um intenso final de época em que de dia se bateu com os melhores quartetos defensivos e, de noite, lidou com a marcação individual de Neredia. Os mais conspirativos imaginarão até a mulher ao serviço do reino de Juan Carlos, tese que colhe se atendermos ao medíocre palmarés da selecção espanhola e à tara por bola daquela gente.

Diz-se que Ronaldo tem coleccionado dois tipos de troféus: taças propriamente ditas e modelos. Erro crasso. Ronaldo faz de objecto de colecção e não de coleccionador, pois o melhor jogador do mundo do desporto-rei é um troféu mais valioso para uma rapariga gira do que o inverso. Porém, fora do linear mundo da bola e passerelles, este critério para definir como troféu aquele que na relação tem o saldo positivo de poder (financeiro, mediático, político) pouco ajuda. Entre Marilyn Monroe e a estrela de basebol Joe DiMaggio ou o argumentista Arthur Miller, o armador Onassis e a cantora Maria Callas ou Jacqueline Kennedy, quem fez de taça e quem a ergueu? Talvez não seja de excluir a síntese em que as posições se revezam. Imagine um número de força: DiMaggio ergue Marilyn, que depois ergue DiMaggio, que a volta a erguer.

Impor o rótulo de “troféu” aos famosos é a prepotência possível das massas, mas também revela o denominador comum às relações amorosas mediáticas: a previsibilidade do fim da relação e, sobretudo, do seu início Y junta-se com X e só podia ser mesmo assim. O estereótipo forja a mediatização ou vice-versa; o certo é que a realidade ganha contornos de telenovela. As namoradas de Ronaldo são sempre umas bombas sexuais, o poder é um afrodisíaco, etc. A noção de amor não sai bem tratada, há défice de mistério. Perante este quadro, só me resta elogiar publicamente Roger Federer, que tem uma companheira de aparência normal. Federer, pelo génio no court e pela namorada na bancada, transmite uma perplexidade regeneradora, mantém o sonho. É por isso que torço por ele, a menos que, por uma vez, Ronaldo surpreendesse fora dos relvados e lhe roubasse a pequena.

(Crónica do jornal Metro de 2 de Junho)

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