só 5%?? that's okay, then... sigh
Nos últimos anos a ICAR tem sido varrida por um tsunami de dimensões avassaladoras com epicentro nos muitos escândalos de pedofilia e crimes sexuais perpretados em massa por membros do clero católico que têm vindo à superfície. No rescaldo do último destes escândalos, o Relatório Ryan, a "Santa" Sé decidiu passar ao ataque e explicar que a maioria dos padres e afins envolvidos na coisa não são pedófilos mas homossexuais atraídos por jovens adolescentes entre os 11 e os 17 anos (alguns deles uns provocadores sem vergonha, certamente).
Para além disso, diz o Vaticano, «apenas» 5% do clero (há uns tempos eram «só» 4%)se devotou a práticas de abuso sexual (de crianças e adolescentes) pelo que o quadro não é tão mau como os seus ignóbeis «detractores» o pintam, em particular se comparado com outras religiões minoritárias que a Santa Sé afirma terem piores estatísticas.
O ataque fulminante da ICAR às restantes religiões deu-se após um encontro em Genebra do Conselho de Direitos Humanos da ONU em que o representante da International Humanist and Ethical Union, Keith Porteous Wood, acusou a Igreja de Roma de encobrir a pedofilia no seu seio e de violar vários artigos da Convenção dos Direitos das Crianças.
Porteous Wood afirmou que apontar o dedo a outros e acusá-los de serem piores não contradiz nenhuma das suas acusações acrescentando «The many thousands of victims of abuse deserve the international community to hold the Vatican to account, something it has been unwilling to do, so far. Both states and children's organisations must unite to pressurise the Vatican to open its files, change its procedures worldwide, and report suspected abusers to civil authorities.»
Não acredito que Wood ou quaisquer organizações ou estados sejam bem sucedidos quer na descoberta das reais dimensões da pedofilia clerical, que deve ser bem acima dos 5% admitidos como indica a Survivors Network of those Abused by Priests, quer na alteração das práticas da hierarquia católica de simplesmente mudar o padre ofensor de paróquia quando lhe chegam queixas do seu comportamento. Gostaria de estar enganada mas esta declaração da igreja católica confirma as minhas suspeitas...
Adenda: no Twitter informaram-me que a ICAR prefere o termo efebófilos para designar os seus padres abusadores...sigh

