Dei verbum: a exegese da suspeita
Foi com bastante surpresa que li mais uma exegese do discurso presidencial, desta feita debitada por Januário Torgal, o bispo das Forças Armadas. O objectivo do exegeta terá sido certamente o de esclarecer os passos de maior dificuldade de interpretação da recente alocução do seu comandante supremo. Pelo menos a mim, tal como à Joana, a hermeneutica sacra deixou-me ainda mais baralhada, quiçá por me escapar a sua dimensão teológica, e agradecia ajuda na interpretação deste texto interpretativo. Alguma alminha caridosa me explica o que cargas de água quer dizer a prosa do ordinário castrense, em particular os parágrafos que reproduzo, que me parecem totalmente contraditórios (embora no espírito da coisa "exegetada")?
Em questões da mais simples hermenêutica, a confusão semeada não impede uma visão cristalina. E esta é acompanhada por gente que pensa. Felizmente.
Como reorganizar a confiança e reconstruir abalos e suspeitas, se uma narrativa cheia de alçapões não nos garante, de momento, a solidez e a esperança de que todos carecemos?»

