Colegas são as putas
No Jornal de Negócios, Baptista Bastos discorre de pena escorreita e certeira sobre o Pós&Contras do passado dia 12 de Outrubro, aquele que foi anunciado pela RTP como sendo o programa em que José Manuel Fernandes, adiante referido por JMF, iria enfrentar João Marcelino, supostamente a propósito do LimaGate.
Quem assistiu ao programa foi mimoseado com uma primeira parte muito chocha, em que jornalistas sem qualquer formação estatística discutiram sondagens de forma muito polida e perfeitamente inconsequente, soube-se depois por imposição de JMF. A 2ª parte foi francamente mais animada, «pouco faltou para que os jornalistas participantes se engalfinhassem», Baptista Bastos dixit, que continua:
«Dois dos jornalistas presentes (neste caso são dois, mas há muitos outros) não me merecem a mínima consideração nem o mais escasso respeito. Não há memória de qualquer deles ter escrito uma grande reportagem, um artigo assinalável pela pedagogia e pelo estilo, uma crónica definitiva, uma entrevista para figurar no armorial do ofício. São dois zelosos burocratas medíocres, que os acasos do descaso fizeram trepar a postos importantes em dois jornais.
Adiante. Os dois exemplares apontados correspondem ao retrato do País e a um certo tipo de desaforo que se tornou comum na sociedade portuguesa. Não lhes ferro, aqui, os nomes porque desejo manter asseada esta página.»
Mantendo a promessa de asseio, Baptista Bastos prossegue fazendo a defesa dos jornalistas desportivos, apoucados como argumento de autoridade em tentativa ignóbil de lavagem da honra jornalística de quem publicou duas pseudo-notícias plantadas, sobre supostas «suspeitas» da Presidência da República, e se incensou contra a publicação do e-mail, por um director que começou nos «desportivos», que confirmava serem apenas isso: uma plantação política de notícias sem fundo de veracidade. Baptista Bastos refere grandes jornalistas nacionais que foram sempre e só jornalistas desportivos e alguns episódios denotadores dessa grandeza.
E remata com força à baliza no final: «Ouvi, na segunda-feira, com surpresa e nojo, designarem-se, uns e outros, por "colegas." Quando entrei nos jornais ensinaram-me o seguinte: "Jornalistas são camaradas e tratam-se sempre por tu. Colegas são as putas." Ficou-me para sempre.»

