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Caim de Saramago

No meio de toda a indignação que as palavras de Saramago causaram - e muito justamente, embora alguns insistam em confundir alhos com bugalhos -, resolvi ir ler o livro. Em nada movido pela polémica - apenas fiz o que faço com todos os livros escritos por Saramago: leio-os.

Então não é que o livro é bem capaz de ser a pior coisinha que Saramago algum dia escreveu? Espécie de tentativa débil e gorada de reductio ad absurdum, cheia de dichotes a armar ao engraçado, dei por mim num livro que se consubstancia numa espécie de paródia mal parida àquela parte do antigo testamento. Não vou, como é óbvio, entrar em pormenores, mas não deixarei de referir que me chocou a forma como, partindo de uma interpretação literal do antigo testamento - propositada é certo -, Saramago tentou o humor fácil, quase brejeiro, aquele tipo de coisa insossa que não se espera do autor do Memorial do Convento. 

Digamos que Caim, não fosse estar eu abismado pela coisa, seria livro para colocar de parte ao fim de uma dezena de páginas. Por outro lado, o livro lê-se sem grande esforço até ao fim, como quem não desvia o olhar de alguém que escorrega numa casca de banana. O ódio de Saramago a tudo o que "religiosamente mexe" desta vez toldou-lhe o espírito.
O medo que Saramago tem da morte (nunca lhe ouvi tal, apenas me parece que isso transparece nalgumas passagens de Caim) devia ter outro destino.

É o que me parece. Posso, concedo, ter lido tudo mal, ter entendido tudo ao contrário. Nada como comprar e ler.

Uma última referência ao facto de que jamais moldaria assim esta crítica (mesmo porque se há coisa que não almejo, nem tenho competência para tal, é ser critico literário), caso não tivesse Saramago como um dos nossos maiores. É, portanto, com o todo o devido e merecido respeito.

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