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De vacinas da gripe A e alarmismos injustificados

No post sobre azeitonas que dediquei à nossa Alexandra, referi o esqualeno, o triterpeno de propriedades tão benéficas que quasi levou à extinção do tubarão, em cujos bons fígados se encontra em grande quantidade.

 

Qual foi o meu espanto quando, embora volta e meia com uma grafia errada, descobri que o esqualeno é o responsável por uma onda de alarmismo que varre não só o nosso cantinho mas outras paragens a propósito da vacina da gripe A. De facto, o esqualeno, assim como o α-tocoferol (a forma mais comum da vitamina E antes que o nome desencadeie outra onda de pânico),  faz parte do adjuvante da vacina produzida pela GlaxoSmithKline.

 

Explorando a ignorância química da população em geral, uns vendedores de banhas da cobra "alternativas", um tal de "Dr."  Mercola em particular, resolveram  aproveitar a ocasião para promover as suas charlatanices e lançar boatos, que se espalharam rapidamente, sobre as supostas mazelas que o esqueleno provocaria, de artrite a lupus passando pela encefalomielite auto-imune experimental (EAE) não esquecendo a síndrome da Guerra do Golfo, que, de acordo com os charlatães, seria devida ao esqualeno da vacina contra o antrax (por acaso e apenas por acaso, não utilizado nesta vacina).

 

O tal charlatão mor, que se devota a promover banhas da cobra sortidas misturadas com orações  em alternativa  à medicina, quiçá com medo que algum dos seus leitores tivesse seguido as suas recomentações sobre os óleos de fígados de peixe e fosse um adepto do bio-esqualeno vendido em grandes quantidades por todo o mundo como panaceia universal, faz ainda uma advertência sobre o esqualeno «bom», o tal presente nos suplementos alimentares que recomenda, no azeite, etc., e sobre o esqualeno «mau», não só o da Bayer como o de todas as farmacêuticas. Como é óbvio, uma molécula não passa assim, só porque dá jeito a um qualquer charlatão, de panaceia universal a causadora de malfeitorias sortidas: as suas propriedades são sempre as mesmas qualquer que seja a sua proveniência ou vendedor.

 

No Science Based Medicine, Joseph Albietz dá-se ao trabalho de desmistificar ponto por ponto a desinformação do referido charlatão. Quem eventualmente não goste de azeite nem  de óleos de peixes sortidos e tenha ficado com dúvidas sobre se o esqualeno é ou não um vilão, deve ler na íntegra a desmontagem do lixo "alternativo" ponto por ponto.  E todos devem ficar alerta para as muitas fraudes congeminadas para enganar e explorar os mais incautos que  não só fazem mal à saúde como  à carteira mas em especial fazem muito pior à sociedade como um todo.

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