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jugular

Falácias manipuladoras, digo eu

"... um inexorável nexo de causalidade: o casamento dos homossexuais acarretará, automaticamente, o direito a adoptarem. Também aqui, basta um mero exercício intelectual. De facto, assentando a iniciativa legislativa no princípio da igualdade, uma vez esta estabelecida por lei, não poderá manter-se uma capitis diminutio em nome da diferença. Porque é ela - a diferença - que cria dúvidas quanto à adopção, dúvidas que terão de ser engolidas após a aprovação da lei sob pena de se estar a consagrar casamentos de primeira e casamentos de segunda, ao arrepio de todo o discurso oficial e, julgo mesmo - agora sim -, da Constituição." MJ Nogueira Pinto no DN
 
Falácia, dupla falácia, aliás. O que cria a dúvida é o preconceito e a ignorância, não a diferença e, como já foi dito e redito  mas parece que é necessário repetir, o articulado legal sobre casamento civil é distinto - é diferente, é outro, não é o mesmo, entendido? - da regulamentação legal da adopção (e das leis que regulam a parentalidade e a procriação medicamente assistida, já agora), aqui e noutros locais do planeta.. A prová-lo, de resto, está o facto de nalguns países ser permitida a adopção por casais homossexuais e não o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Relembro, também, que mesmo sem que lhes seja dada a possibilidade de escolherem casar-se civilmente, a adopção de crianças por homossexuais já existe em Portugal.

Ao invés de se usarem parangonas manipuladoras, como essa da "coisificação" das criancinhas, talvez valha a pena ir à pergunta do que está escrito, ir às fontes. Nestes assuntos, como noutros, parece-me ser uma questão de honestidade  tentar fundamentar as nossas opiniões. 
 
Como já fiz anteriormente, proponho a leitura destes documentos da APA e da AACAP e de mais alguma bibliografia sobre o tema. Claro que o que está em causa é o superior interesse da criança - expressão vazia, aqui usada no sentido da criança (dos seus direitos e do seu bem-estar) ser o determinante na adopção. Como podem confirmar não estamos a falar de um evento raro,  é enorme o número de crianças que vivem com adultos homossexuais, do mesmo modo que são variadas as estruturas familiares dos pais gays e lésbicas.  *Neste artigo generalista há um dado que, provocatoriamente, não quero deixar de realçar "a child's risk of being molested by his or her relative's heterosexual partner is over one hundred times greater than by someone who might be identifiable as being homosexual.".
 
Encontrem-me, por favor, um documento sério que sustente os terríficos malefícios da parentalidade de gays e lésbicas, facultem-me bibliografia que argumente de forma consistente sobre os perigos para a criança, mostrem-me, por exemplo, os relatos de psicopatia, os piores indicadores de saúde mental, o suicídio aumentado, as maiores taxas de maus tratos,  em filhos de gays e lésbicas quando comparados com crianças que cresceram no seio da chamada "família tradicional". Para além de criticas metodológicas (algumas lícitas) ao conjunto de dados que consistentemente mostram não existirem diferenças significativas, na perspectiva do superior interesse da criança, na qualidade da parentalidade quando a variável em estudo é a orientação sexual dos progenitores, nada mais encontrei, e juro que, sem preconceitos, procurei.
 
*NOTA: "Gatei" um dos links que usei. Decidi não alterar o texto e deixar aqui a correcção. 

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