Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

jugular

Novo dicionário da lingua portuguesa

(Isto é uma) Questão política: termo inventado por Pacheco Pereira — e rapidamente interiorizado por quase todo o PSD— que pretende conferir elevação, seriedade  e sentido de Estado à calúnia e à difamação de determinados adversários políticos. É normalmente utilizada quando não se tem qualquer projecto político e quando a única coisa que sobra é o desejo de poder e o ódio ao adversário.

 

Exemplo prático:

 

1) Há um conjunto de pessoas que têm informação privilegiada sobre um determinado processo e que usam o seu poder plantando notícias nos jornais. Esta prática constitui um abuso de poder, pois viola o "contrato social" que rege a sua profissão.

 

2) Perante a violação cirúrgica e interessada do segredo de justiça, os seguidores do "isto é uma questão política" desvalorizam o modo como a informação é produzida e centram-se exclusivamente no seu conteúdo: "diz-se que se falou do amigo joaquim", "diz-se que existem indícios de práticas de crime". Diz-se. Ponto. E, perante isto, exigem que o primeiro ministro esclareça as dúvidas todas.

 

Os seguidores do "isto é uma questão política" esquecem-se de uma coisa fundamental. O modo como a informação foi produzida está longe de ser uma questão menor. Sem o enquadramento normativo que deve reger o funcionamento da Justiça, sem os tais "mecanismo formais" que alguns insistem em desvalorizar,  não há — não pode haver — "provas" ou um "factos"; há apenas boatos, insinuações e coisas que tal. Respeitar e defender o Estado de Direito implica — exige — a sacralização desses procedimentos. Há formas que também são conteúdo.

 

É certo que a informação que resulta de violação do segredo de justiça cria  "factos políticos" que afectam a credibilidade do primeiro-ministro. Mas estamos perante juízos de facto e não de jure, que não colocam o visado numa posição de devedor perante a opinião pública portuguesa — a tal que existe em todos os cafés, esplanadas e autocarros deste nosso Portugal. Neste caso, os únicos devedores são os responsáveis pelo sistema de Justiça. É a estes — e só a estes — que cabe esclarecer os portugueses.

 

Pinto Monteiro falou ontem, e disse não haver indícios que justifiquem uma investigação criminal. Num Estado de Direito isto devia bastar.

14 comentários

Comentar post

Arquivo

Isabel Moreira

Ana Vidigal
Irene Pimentel
Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Links

blogs

media