Climategate

Um dos principais centros de estudo das alterações climáticas, a Unidade de Estudos Climáticos (Climate Research Unit, CRU) da Universidade de East Anglia em Norwich, foi hackado ontem tendo sido copiados mais de mil ficheiros, onde se incluem 1079 emails e 72 documentos trocados ao longo dos últimos 18 anos. Cientistas da CRU tiveram um papel decisivo no Intergovernmental Panel on Climate Change's (IPCC) Fourth Assessment Report, que por sua vez terá (ou teria) um papel decisivo na cimeira da ONU sobre alterações climáticas que se realiza já no próximo mês em Copenhaga.
Pelo que se sabe, foi um blogue céptico-ambientalista, chamado “The Air Vent”, que ontem divulgou o material, através de um ficheiro zippado com 61 megabites. O blogue, que opera a partir de um servidor russo, foi encerrado algumas horas depois, mas nessa altura já a informação estava a ser distribuída por toda a Internet, refere a Nature News. O conteúdo de alguns ficheiros, cuja veracidade ainda não foi contestada, está a fazer as delícias dos cépticos do aquecimento global antropogénico. Na realidade, há alguns emails de cientistas proeminentes no campo que lançam suspeitas sobre os métodos que utilizaram para validar os seus modelos e invalidar os alheios.
Num desses emails, alegadamente escrito por Phil Jones, responsável pela CRU pode ler-se sobre a necessidade de “esconder a descida das temperaturas”. Michael Mann, um dos autores do hockey stick, o ícone do alarmismo sobre o aquecimento global também envolvido no que o “The Telegraph” chama “Climategate”, recusa comentar material obtido de forma ilegal.
Mas as consequências mediáticas e não só do caso podem ser avassaladoras e são exemplicadas exactamente com o que foi escrito neste diário britânico, que considera, caso a veracidade da informação divulgada seja confirmada, que esta vai ter um impacto profundo nas chamadas energias verdes: “Se detém quaisquer acções de empresas ligadas a energias alternativas, deve começar a livrar-se delas imediatamente”, aconselha James Delingpole.
Há mais de um ano, então no De Rerum Natura, que tento alertar para o facto de que a necessidade de investimento em energias alternativas não tem a ver com alterações climáticas mas com questões económicas e geopolíticas. Receio que, a confirmar-se a autenticidade do material hackado e a ética duvidosa seguida por alguns dos gurus do aquecimento global, estas e outras questões realmente importantes - como a poluição ambiental sem nada a ver com gases de efeito de estufa - sejam esquecidos no vórtice mediático que sem dúvida o tema despoletará. Espero que este ClimateGate não seja, parafraseando o colunista do The Telegraph, o prego final no caixão de iniciativas que são fundamentais, como, por exemplo, a plataforma que vai ser apresentada na terça-feira no Técnico sobre energias sustentáveis e mobilidade eléctrica.
Adenda: vale a pena ler o artigo «The CRU hack» no Real Climate.

