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Loving déjà vu

Richard e Mildred Loving estão indelevelmente ligados à luta pela igualdade racial nos Estados Unidos.  O que lhes aconteceu em 1958 levou à decisão, em 1967, do Supremo Tribunal de Justiça que declarou a inconstitucionalidade das leis então vigentes em 20 Estados dos EUA, que não só proibiam como criminalizavam os casamentos entre pessoas de raças diferentes.

 

Richard Loving era branco e Mildred negra. Foram amigos de infância no Estado da Virgínia, onde viviam, apaixonaram-se e Mildred engravidou. Decidiram então casar-se na cidade de Washington, onde os casamentos inter-raciais não eram proibidos, e voltaram para a Virginia. 

 

Na noite de 11 de Julho de 1958, alertada por uma denúncia anónima, a polícia arrombou a porta da casa onde viviam, irrompeu pelo quarto onde dormiam e prendeu-os sob a acusação de violarem a lei de integridade racial do Estado da Virgínia.

 

Foram julgados e condenados a um ano de prisão mas a sentença foi suspensa por 25 anos na condição de o casal deixar a Virgínia. A sentença que os condenou pelo «crime contra a lei de anti-miscigenação do Estado e pelos crimes contra a paz e a dignidade da comunidade» explicava porquê numa declaração notória que viria a ser citada pelo Presidente do Supremo quando da anulação da sentença:

 

«Deus todo-poderoso criou as raças branca, negra, amarela, malaia e vermelha, e separou-as por continentes. Sem interferências nestes arranjos, não haveria causa para tais casamentos. O facto de Ele as ter separado, indica que Ele não pretendia que as raças se misturassem.»

 

Em Junho de 2007, quando se assinalavam 40 anos da decisão Loving versus Virginia,  Mildred preparou uma declaração (aqui em formato pdf) que vale a pena ler e de que transcrevo um excerto:

 

Surrounded as I am now by wonderful children and grandchildren, not a day goes by that I don't think of Richard and our love, our right to marry, and how much it meant to me to have that freedom to marry the person precious to me, even if others thought he was the "wrong kind of person" for me to marry. I believe all Americans, no matter their race, no matter their sex, no matter their sexual orientation, should have that same freedom to marry. Government has no business imposing some people's religious beliefs over others. Especially if it denies people's civil rights.

 

I am still not a political person, but I am proud that Richard's and my name is on a court case that can help reinforce the love, the commitment, the fairness, and the family that so many people, black or white, young or old, gay or straight seek in life. I support the freedom to marry for all. That's what Loving, and loving, are all about.

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