Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

jugular

Prioridades cardinais

«Natal com os agnósticos e os ateus» foi o título da homilia natalícia do único príncipe da ICAR residente cá no burgo que este ano parece especialmente obcecado com o ateísmo, o maior drama da humanidade, Policarpo dixit. O tema parece preocupar nos últimos anos as cúpulas eclesiásticas portuguesas, tanto que o outro cardeal português, Saraiva Martins, criador de beatos e santos, em Maio de 2008, presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa».

 

Esta recente prioridade cardeal no ateísmo, em particular neste Natal, considerando que somos uma minoria na população portuguesa, não deixa de me surpreender. Ou talvez não, se considerarmos o clima político que se configura para a visita papal.  Parece plausível assim o cenário que o JNR apresenta e do qual conclui que «A ICAR entrou, de rompante e em pleno, na arena política. Só os incautos ou os ingénuos não veêm esta agenda».

19 comentários

  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 26.12.2009

    Uh? Não percebi nada do último parágrafo: essa dos outros critérios é uma versão rebuscada e desconexa da aposta de Pascal?

    É que não se percebe o que pretende com ele, assim de repente parece que o caro acha que os ateus não podem ser ateus, algo no mínimo um bocadinho para o anacrónico, assim um pouco medieval diria.
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 26.12.2009

    Lá vem a sugestão de atrasados, ou "medievais".


    Só quis dizer que o ateísmo é uma opção pessoal como o é a fé crente. E que ambas têm, depois, igual legitimidade para propor formas de organização social.


    A opção pessoal não determina a existência ou não de Deus... No respeito pela opção de cada um, fica depois o espaço para a possibilidade de Deus existir ou não. E se existir, a sociedade (cada um fará no seu íntimo como decidiu), deve permitir no seu seio (e não apenas dentro das igrejas) o espaço para Deus.


    Se o Estado é laico, a sociedade é multifacetada e inclusiva. Logo deve criar espaço para ateus, crentes, e todos os que tenham existência (no caso de existir, Deus é um deles)
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 26.12.2009

    Ou seja, parece que a sua visão do laicismo é um clericalismo «tolerante», isto é, que admite a existência de ateus mas em que estes devem ficar de bico calado e comportar-se como «deve ser», isto é, fingindo que são crentes...
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 26.12.2009

    Cara Palmira,
    Ninguém falou eu "bico calado" nem pediu que os ateus se portassem como crentes.


    Só pediu ao Estado que não se comporte como ateu, mas laico.


    Só pediu à sociedade que não se comporte como ateia, mas multifacetada e inclusiva onde haja espaço para ateus, crentes... e Deus (porque pode ser que exista).


    Ou será que quem nunca se encontrou com Deus e concluiu que Deus não existe ganhou, por isso, a autoridade de dizer a quem se encontrou que esse Deus não tem lugar e está excluído da sociedade? 


    Os crentes são muitas vezes criticados por não respeitarem outras pessoas porque defendem que alguns costumes não devem ser reconhecidos socialmente. Mas o ateísmo já pode obrigar a sociedade a não reconhecer existência a Pessoas (Deus) desde que permita a prática religiosa dentro das igrejas?
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 26.12.2009

    Uh? peço imensa desculpa mas continua a debitar coisas sem sentido. para perceber o nonsense substitua deus por monstro do esparguete voador ou unicórnios invísiveis cor-de-rosa ou quejandos...

    nem o monstro do esparguete voador nem deuses ou deusas são pessoas por isso toda esta sua diatribe não faz sentido (para além de que está muito baralhado sobre o que seja o ateísmo... e laicidade, já agora)
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Cara Palmira,


    Parece que a Palmira não aceita que Deus seja pessoa...


    Por isso faz comparações que só não são ofensivas porque a autora desconhece a relação pessoal, afectiva e íntima com que os crentes se relacionam com Deus.


    Há-de concordar comigo que o facto de nunca me ter encontrado com pessoas da sua relação isso não faz com que elas não sejam pessoas ou não existam...


    Pois para os crentes Deus é pessoa com quem se encontram, e não uma ideia, projecção, ou fantasia.


    Por isso é importante distinguir ateísmo, laicismo e laicidade. Das três só a última nem impõe Deus a ninguém nem impede que Deus se relacione, também socialmente, com aqueles que O encontram ou venham a encontrar.
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 27.12.2009

    caro José:

    Está brincar certamente quando me diz «Parece que a Palmira não aceita que Deus seja pessoa», só pode. 

    Aliás, todo o comentário só pode mesmo ser brincadeira...
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Cara Palmira


    Não brinco!
    Esse é o mistério do Natal, a novidade da fé cristã: Deus é pessoa e em Jesus, Homem-Deus, deu (e dá) aos humanos o acesso a uma relação com uma comunhão de pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


    A fé cristã nasce disto: quando alguém se encontra com esse Alguém, tal encontro torna-se palpável e indesmentível. E por isso há que arranjar-lhe lugar na vida pessoal e social para quem já se encontrou com Ele e para quem se venha a encontrar.
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 27.12.2009

    Caro José:

    Reveja lá o que lhe disse no princípio deste diálogo surreal: veja lá se percebe que há ateus que não em vão em mistérios da fé; po outro lado não compete a um  Estado laico arranjar espaço para impossíveis encontros imediatos do terceiro grau com entes inexistentes.

    Bolas, é-lhe assim tão difícil de aceitar uma coisa tão simples?
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Cara Palmira,


    É tão difícil quanto ter que renunciar a relacionar-me pessoal e socialmente com Alguém que me é querido só porque o Estado estivesse obrigado a seguir a posição pessoal de ateus que não reconhecem existência  a Deus e acham que a relação com Ele não passa de "impossíveis encontros imediatos do terceiro grau com entes inexistentes".


    É livre, e bem, de achar que são idiotices... mas não pode querer que o Estado adopte essa posição. Se o fizesse não seria laico mas ateu.


    O Estado tem que fazer comigo o que faz consigo ou qualquer outro: tão só permitir que me relacione com quem conheço, garantir que essa relação não ponha em causa a convivência social... e tratá-la de acordo com a relevância social que lhe reconhecer.
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 27.12.2009

    Meu caro:

    Um Estado laico deve ser neutro em relação à religião, só isso. O seu deus não é pessoa nenhuma, portanto o Estado não tem nada que lhe garantir «espaço» para convivência social.

    Que o José acredite que ele tem existência real e pessoal é problema seu, não do Estado.
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Cara Palmira


    Um Estado laico deve ser neutro em relação ao ateísmo, só isso. Deus é pessoa, com todos os atributos filosóficos do que é ser pessoa, portanto o Estado tem que Lhe garantir «espaço» para a convivência social.


    Que a Palmira não acredite que Ele tem existência real e pessoal é questão sua, não do Estado. 
  • Imagem de perfil

    Palmira F. Silva 27.12.2009

    Isto para não falar no delírio total que é dizer que um Estado laicosó  deve ser neutro em relação ao ateísmo, sigh.
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Cara Palmira


    Tenho tentado dialogar consigo na base da boa-fé.


    Eu disse que um Estado laico deve ser neutro em relação ao ateísmo na sequência da sua afirmação referente à religião. Em todos os comentários tenho afirmado que a laicidade deve tratar de forma neutra tanto a religião como o ateísmo. A Palmira é que confunde e identifica laicidade com ausência de religião.


    Que queira falar de Deus com o tom jocoso  e redutor com que o faz só diz da sua incapacidade em entender os que não pensam do seu modo... há dias chamou desumana a essa atitude!!!
  • Sem imagem de perfil

    Ricardo Alves 27.12.2009

    Caro «José-Ichtus»,
    há pessoas que acreditam em «Deus». E há pessoas que não acreditam. E há pessoas que preferem não saber. A maneira de o Estado servir a todos por igual, sem privilegiar nem discriminar, é ser indiferente em matéria religiosa: não promover nem o ateísmo nem uma religião, nem várias religiões.
    O Estado português não é ateu - e tem alguns resquícios de clericalismo de Estado. É por isso que as suas intervenções são surreais.
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 27.12.2009

    Caro Ricardo

    Concordo parcialmente consigo: "A maneira de o Estado servir a todos por igual, sem privilegiar nem discriminar, é ser indiferente em matéria religiosa: não promover nem o ateísmo nem uma religião, nem várias religiões."

    Por isso é que não concordo com aqueles que querem que o Estado exclua a religião dos espaços públicos, como veiculam alguns comentários de jugulares.

    O único acrescento que faria é que a indiferença de posição pode coexistir com colaboração da actuação em prol da sociedade, seja com o ateísmo, uma religião ou várias religiões.
  • Sem imagem de perfil

    Ricardo Alves 28.12.2009

    «Jose-ichtus»,

    o seu «excluir a religião dos espaços públicos» é o quê?
    Deixar de pagar aos capelães católicos com dinheiro do Estado?
    Deixar de haver religião e moral na escola pública?
    O Policarpo deixar de falar na RTP no dia 24/12?

    Se isso é «excluir a religião dos espaços públicos», deixe-me dar-lhe uma novidade: há confissões religiosas que não têm um único desses privilégios, e que não se queixam de estarem a ser perseguidas, nem de estarem a ser «confinadas» não sei onde.

    Portanto, sim: os católicos vitimizam-se.
  • Sem imagem de perfil

    Jose-icthus 28.12.2009

    Caro Ricardo
    Eu não falei em perseguição. 
    Excluir dos espaços públicos é querer confinar a expressão religiosa ao interior das igrejas.
    É querer impor a ausência de sinais religiosos nos espaços públicos (em vez de favorecer a coexistência simbólica de vários credos e do ateísmo).
    É recusar a presença dos representantes das igrejas em cerimónias públicas, apenas porque são religiosos, independentemente  de terem acção relevante no âmbito da intervenção social (mas aceitar a de representantes de outras instituições não religiosas).
    É negar a importância da dimensão espiritual (que pode ser religiosa ou não) na educação integral das crianças e jovens.
    É impor o racionalismo científico como instância única de conhecimento, reduzindo a fé a fundamentalismo doutrinal ou violento.
    É reler a história para apagar o papel da tradição judeo-cristã enquanto fonte (a par de outras) da civilização europeia.
    É calar a importância da fé cristã (a par de outras dimensões) no desabrochar da cultura e da ciência moderna. 
    É reduzir a acção social da Igreja Católica à procura de ordenados pagos pelo Estado.
    É...  
  • Comentar:

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Arquivo

    Isabel Moreira

    Ana Vidigal
    Irene Pimentel
    Miguel Vale de Almeida

    Rogério da Costa Pereira

    Rui Herbon


    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Comentários recentes

    • Fazem me rir

      So em Portugal para condenarem um artista por uma ...

    • Anónimo

      Gostava que parasses de ter opinião pública porque...

    • Anónimo

      Inadmissível a mensagem do vídeo. Retrocedeu na hi...

    • Anónimo

      "adolescentes e pré-adolescentes pouco dados à int...

    • Anónimo

      apos moderaçao do meu comentario reitero

    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D

    Links

    blogs

    media