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O fantasma islandês

O Icesave foi criado por um banco islandês para atrair investidores britânicos, holandeses e alemães prometendo-lhes remunerações sem risco de 6,5% ao ano, depois usadas para manobras especulativas.

Quando chegou a crise financeira, a Islândia afundou-se, os seus bancos faliram e o Estado ficou com o bébé nos braços.

A Islândia precisa de socorro urgenten da comunidade internacional, mas a Holanda e o Reino Unido, coadjuvados pela União Europeia, impedem-nos enquanto a Islândia não acordar a indemnização aos seus cidadãos prejudicados pela falência do banco proprietário do Icesave.

O conflito é juridicamente complexo, mas não custa entender o que está em jogo. Os pagamentos exigidos à Islândia ascendem a 60% do seu produto anual. Cada um dos 300 mil cidadãos islandeses - incluindo homens, mulheres e crianças - será responsável pelo pagamento aos investidores britânicos e holandeses de 15 mil euros mais juros, sem contar com a restante dívida que o país tem ao estrangeiro, e que deverá exceder 250% do produto.

Esta semana, o Presidente da Islândia recusou-se a promulgar o acordo aprovado pela margem mínima e convocou um referendo para arbitrar o assunto. O Reino Unido, a Holanda e a UE cairam-lhe logo em cima, lançando um ultimato à Islândia: ou aceitam pagar, ou boicotarão o planeado socorro do FMI.

Resumindo: um bando de especuladores arruinou a Islândia e, como se isso não bastasse, o seu povo é condenado à indigência pelo espaço de, pelo menos, uma geração.

Quem é responsável? Naturalmente, os líderes políticos que engendraram um sistema financeiro descontrolado e que assistiram passivamente às tropelias dos especuladores internacionais até ao dia em que já não havia nada a fazer.

A injusta punição que a Holanda e a Grã-Bretanha pretendem infligir ao pequeno povo islandês é um desavergonhado acto de pirataria moderna. As indemnizações exigidas são pura e simplesmente incomportáveis. Mesmo que aceites, não poderiam provavelmente ser pagas.

O drama islandês deve ser encarado como um teste à capacidade europeia para consertar a economia do Continente e preparar as condições para a saída da crise. Como pode alguém argumentar que a falência do Royal Bank of Scotland encerra um risco sistémico mas pretender ao mesmo tempo que ele não existe no caso da Islândia?

Nos próximos dias, estaremos de olhos postos na Islândia a pensar na Grécia.

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