Don't be STUPID
O acrónimo PIGS (ou PIIGS) causou indignação colectiva nos visados quando foi utilizado para identificar os países europeus que partilhavam problemas de défices elevados, históricos de grandes níveis de endividamento e altas taxas de desemprego, Portugal, Itália (Irlanda), Grécia e Espanha. Reprovado pelo Finantial Times, banido pelo Barclays, foi há dias substituido por outro que designa os países que alguns consideram serão arrastados por uma eventual queda da Grécia: os STUPI(I)D - Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália/Irlanda e Dubai.
No vídeo, Hugo Dixon, colunista da Reuters, avisa que o Reino Unido não pode ser estúpido e tem de se distanciar deste grupo. Para isso, deixa três conselhos que me parecem muito sensatos para os incluídos no acrónimo proposto por Tyler Durden. Em primeiro lugar, Dixon exorta os políticos a evitar qualquer comparação entre o Reino Unido e a Grécia, como o tem feito não só David Cameron, o líder da oposição britânica, como lideres de outras oposições estúpidas. Este populismo apocaliptico pode dar bons resultados eleitorais - já em Maio no RU - mas a médio/longo prazo poderá ser desastroso.
Esse é também a posição de opinadores de cá que, embora reconhecendo que «situação de Portugal, pelo menos até ver, é bastante mais confortável do que a que a maioria desses países», aconselham Portugal a deixá-lo «bem vincado, sobretudo nesta altura em que os mercados andam histéricos». De igual forma, encontra eco por cá a segunda medida que Dixon urge no seu país: o Governo precisa produzir um orçamento credível tão depressa quanto possível. Este orçamento deverá convencer os observadores internacionais do empenho do Reino Unido, a braços com um défice previsto de 13% do PIB, na consolidação das contas públicas e, simultaneamente, não travar a fundo a economia do país.
Finalmente, Dixon aconselha o Governo a identificar todas as possíveis formas de «contágio» da crise e providenciar planos de contingência ajustados aos vários cenários. Não seguir estes conselhos, termina o opinador, será verdadeiramente ‘estúpido'. A ver vamos, cá como lá...

