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A ler

Porfírio Silva, Da Linguagem Comum:

 

"Interpreto a outra pessoa na base das minhas próprias crenças; eu só posso compreender o que os outros dizem se os interpretar como partilhando comigo um vasto (mesmo se não total) acordo acerca do que está relacionado com o que é dito. Mesmo para poder discordar de algumas das coisas em que o outro acredita, tem de haver uma ampla base de acordo entre nós: é sobre o pano de fundo das concordâncias que as discordâncias são inteligíveis. Não posso compreender alguém acerca de quem suponho que a generalidade das suas crenças são erradas.

 

(...)

 

O que me interessa aqui e agora é aplicar o raciocínio acima a uma comunidade política. Por exemplo, a democracia portuguesa. Se, como tem acontecido, continuarmos a rasgar a base de comunicação decente dentro desta comunidade, vamos acabar mal. Se vivemos no mesmo mundo, no mesmo barco – e se precisamos de nos entender acerca do que fazer para navegar melhor – não podemos continuar a julgar como basicamente errado quase tudo aquilo que afirmam e julgam os outros membros da nossa comunidade, como se eles vivessem noutra terra e pudessem ser completamente indiferentes à nossa sorte comum. Sob pena de perdermos de vista o próprio mundo que nos é comum e não espera parado que saibamos o que queremos. Grande parte da política portuguesa nos últimos tempos tem passado pela desqualificação da própria palavra dos agentes: distorcer, desconfiar, desqualificar, baralhar os planos (tornar conversas privadas em assunto político, por exemplo).

Continuar nesta linha de destruição do outro como interlocutor e pensar que o país pode ser viável dessa maneira - é como pensar que é possível existir um par de namorados ligado por um grande amor apesar de cada um julgar o outro absolutamente inconsciente, irrealista, mal informado, perverso, mentiroso, …"

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