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jugular

Será desta?

Como é hoje noticiado, Inês de Medeiros envia carta a Jaime Gama (os sublinhados são meus):

 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

Dr. Jaime Gama

 

Como V. Exa. certamente não desconhece, desde há alguns meses que tenho sido publicamente atacada por razões que se prendem com o pagamento das viagens que efectuo quase semanalmente a Paris, cidade onde resido e onde se encontra a minha família. Estes ataques atingem a minha imagem e dignidade, assim como põem em causa a própria Assembleia da República.


Há muito tempo que espero pacientemente pela resolução desta muito desagradável situação. Infelizmente tal ainda não sucedeu e, na passada sexta-feira, tive conhecimento através da imprensa que tinha sido agora solicitado a emissão de um parecer jurídico sobre este assunto. O que, aparentemente, significa um novo adiamento da resolução. Permita-me, Sr. Presidente, que estranhe que tenham sido necessários mais de cinco meses para que se tenha chegado à conclusão que era necessário um apoio jurídico para resolver o caso omisso que pelos vistos represento. Não posso transigir com mais esta demora. Sinto-me obrigada a reagir.


Foi com muita honra que, no Verão passado, aceitei o convite dirigido pelo Partido Socialista para integrar as suas listas de deputados para a Assembleia da República. Não esperava este convite. Nada fiz para o induzir. Até hesitei em aceitar por estar consciente da responsabilidade que ele representava.


Tenho uma trajectória de vida ligada a área cultural e mais particularmente ao cinema. Nunca deixei, é certo, de intervir no espaço público, exprimindo com toda a clareza as minhas opções políticas, sempre que achei que o deveria fazer. Fi-lo sempre com o único propósito de contribuir para a afirmação dos princípios e valores que perfilho. Entendi aliás o convite que me foi feito como uma manifesta vontade de abertura da parte do Partido Socialista à sociedade civil.


Uma vez eleita tive como única preocupação dar o meu melhor contributo para o sucesso do projecto em que me insiro, procurando estar à altura desse gesto de abertura que enobrece o Partido Socialista.


Nunca me preocupei, nem antes, nem depois, em conhecer o estatuto remuneratório do cargo de deputada. Quando assumi funções, os serviços da Assembleia da República pediram-me informações sobre o meu local de residência e informaram-me que me seria dado um tratamento em conformidade com o Estatuto dos deputados. Nada pedi. Não solicitei qualquer tratamento de excepção, tendo mesmo assumido os custos das minhas deslocações até ao momento em que os serviços me contactaram dando instruções para deixar de o fazer. A partir desse momento segui estritamente essas mesmas orientações.


Foi, pois, com surpresa que verifiquei que, em torno desta questão, se tinha constituído um verdadeiro folhetim que atenta contra a minha imagem e em nada prestigia a Assembleia. Tornei-me o alvo dos mais insidiosos ataques, não tendo qualquer possibilidade de me defender dado que em nada a resolução deste caso depende de mim.


Consciente que, mais do que eu, é a instituição que é visada, só posso dirigir-me a V. Exa. Sr. Presidente, o seu mais alto representante, no sentido de solicitar o imediato esclarecimento e resolução desta situação que se arrasta há já demasiado tempo.


Certa que será  sensível à injustiça de um deputado, independentemente da bancada a que pertence, estar a ser sujeito a permanentes enxovalhos e infundadas suspeições, aguardo de V. Exa. a melhor atenção ao exposto.


Com os melhores cumprimentos

Inês de Medeiros

2 comentários

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    Anónimo 31.03.2010

    Li atentamente a carta da Snrª Deputada.

    Pergunto:

    -Independentemente dos enxovalhos que diz dirigirem-lhe, que são condenáveis, acha correcto receber ajudas de custo para exercer o cargo de deputada, que aceitou, quer V. Exª quer todos os que estão na mesma situação? Quase diria sem sombra de dúvida que tem uma residência/habitação em Portugal. Acredito plenamente que não a moveram intuitos financeiros quando aceitou o cargo, nem precisa disso para nada, mas é licito fazer essa leitura. Por isso se diz:" não basta à mulher de César ser séria, tem de ser e parecer".

    Se me oferecerem um emprego a 3000 kms da minha residência habitual, eu não o aceito, mas se me pagarem os custos com a deslocação e alojamento, sendo este muito elevado a expensas do Estado público, eu não aceitava, mas sou eu, porque não sou indiferente às criticas e acho injusto esse encargo adicional para o Estado.

    -O país não está em condições de pagar todas estas mordomias, e por isso em nome da independência económica nacional, deveria, salvo melhor opinião, demitir-se, assim como todos os que beneficiam desse subsídio. Um professor ou outro funcionário qualquer no normal desempenho das suas funções tem direito a algum subsidio de deslocação ou ajuda de custo? Claro que não. Porque é que um deputado o deve ter?

    Quem não pode ser deputado não o é.

    Mas o que está mal é a própria Lei que convida a estas situações. Porquê? Fica à consideração dos leitores, mas toda a gente sabe. É como as reformas, porque é que um politico se reforma em condições excepcionais em relação aos restantes?
    Isso é outra injustiça grave, mas alguém a recusa? Onde está o interesse nacional?

    -Depreendo também da sua carta, que não é deputada a tempo inteiro, ou seja falta com muita frequência. Acha que um deputado em parte-time presta algum serviço relevante ao país?

    É este o meu entendimento como cidadão, que paga os seus impostos, acrescentando ainda que 1/3 dos deputados a tempo inteiro eram mais do que suficientes

    Quero deixar claro que nada tenho contra si, nem a favor, mas convirá, que é uma situação muito delicada,, estando o pais como está.
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