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Dos ups and downs dos submarinos

Se não estou em erro, o "caso submarinos" tem cerca de 11 ou 12 anos. Não conheço os pormenores do dito caso, não tenho acesso a documentação que porventura esteja na justiça, sou apenas uma leitora de notícias. Mas há neste caso um paralelo com outros, acerca dos quais vi muita esquerda notar, e bem, a temporalidade associada à questão que estivesse em causa, por um lado, e os momentos estranhos de compreender com que a mesma, subitamente, na tal temporalidade, vinha ao de cima, quando os ventos sopravam favoráveis para os putativos atingidos.

Deste caso, pessoalmente, lembro-me apenas do seguinte: do escritório que representava o Estado (Sérvulo Correia e Associados. A Sociedade veio a reiterar que a sua intervenção “teve tão só por objecto assegurar que o procedimento de contratação em causa se desenrolasse com observância do Direito aplicável e segundo a melhor técnica jurídica” na assessoria prestada ao Estado português, como não poderia deixar de ser); do escritório de Vasco Vieira de Almeida.  A VdA confirmou que foi “a firma que assessorou, do lado do consórcio alemão, a compra e venda dos submarinos”. No entanto, garantiu que não foi contactada pelo MP alemão; José Miguel Júdice, da PLMJ, assessorou o consórcio francês. Era, à data, bastonário da OA. O sócio da PLMJ foi advogado do consórcio francês que perdeu contra os alemães. Ao Diário Económico, Júdice disse apenas que “o assunto ficou encerrado em 2004″. Em 2003, o ex-bastonário criticou publicamente o negócio, considerando-o “um processo chocante”. Lembro-me de ter considerado chocante que um colega perdedor, e portanto parte interessada, considerasse publicamente, sem mais, o negócio "chocante". Infelizmente não se pode fazer juízos hipotéticos. Mas eu por acaso gostaria de saber como seria se o constituinte de Júdice tivesse saído ganhador no processo. Uma coisa é certa: Sérvulo Correia, Professor na Universidade onde leccionei 10 anos, nunca diria que o negócio era "chocante". Enfim...Posturas.

Para além (ou, quem sabe, não para além, quem sou eu?) deste bonito mundo da advocacia (pouco explorado pelo jornalismo) que subjaz ao caso , volto à questão que dá título a este post: por quê os ups and downs dos submarinos? E por quê esta temporalidade? Desta vez foi uma história publicada pelo Der Spiegel, sim senhora. E para a próxima? E no entretanto? Para baixo e para cima?

E pelo meio? Já há elementos para afirmar isto: "Mas também sei que a aquisição dos submarinos foi feita através de um negócio corrompido" ?; E isto: E também sei que este negócio fraudulento, tornado suspeito pelos súbitos depósitos nas contas do CDS feitas por devotos acompanhantes de um tal Jacinto Leite Capelo Rego, desencadeou uma investigação judicial que se arrasta há anos na obscuridade.?

Ana Gomes sabe? O negócio é corrupto, atira em Barroso, em Santana, em Ferreira Leite, mas mata mesmo é Paulo Portas, nesta misturada com as contas do CDS, insinuando que o CDS encheu os bolsos com o negócio dos submarinos. Mas se Ana Gomes sabe, sabe (!), por favor, reúna os elementos que tem e constitua-se assistente no processo ou faça por se iniciar um qualquer processo.

Queremos que todos, mas todos os casos de hipotética corrupção se esclareçam, na justiça, de preferência.

 Eu, pessoalmente, começo a ficar cansada de casos de décadas que aparecem cirurgicamente nos jornais e nessa altura inflamam os colunistas do costume, motivados muitas vezes por ódios políticos, os mesmos que quando as suspeitas recaem nos seus telhados berram pela presunção de inocência e pelas malhas das coincidências maldosas.

Do bom nome, do bom nome, do bom nome. A justiça que me esclareça.

Justiça lenta é denegação de justiça.

Justiça lenta associada a jornalismo gota a gota faz da conversa que escuto na fila da repartição das finanças uma só: são todos uns corruptos, é o que é!

 

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