Mais um contributo para um jornalismo integrante
«A maioria dos jornalistas acredita que todas as perguntas são legítimas. Sobretudo aquelas que eles fazem aos outros.
Digo isto porque nunca conheci um único que demonstrasse gostar de ter visto aplicadas a si próprio as mesmas regras que advoga para o resto do mundo.
Por exemplo, se corre o rumor de que um determinado jornalista deve obediência a uma qualquer organização secreta, ele não apreciará ter de dar resposta. E poderá indignar-se, claro. Se, por outro lado, estiver a ser colocada em dúvida a sua orientação sexual ou a honestidade pessoal e profissional, ele provavelmente achará ofensivo. E irritar-se-á, naturalmente.
Alguns jornalistas, como se viu no caso da intentona das "escutas a Belém", entendem até que aquilo que escrevem e mandam fazer, em ordens de serviço objectivas, são "correspondência pessoal". Mas essa tese não se aplica à documentação interna de um ministério, de um clube, de uma empresa. Esse material, se for caso disso, pode ser sempre conhecido em nome do interesse público!»
João Marcelino (continuar a ler)

