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jugular

Eu é que sou a Legião!

Quando li o post do carlitos (o primeiro, que ele hoje já fez outro) onde este nos assevera ter eu uma vida muito mais animada do que a que eu realmente julgava ter, enchi-me de perplexidades e questões de identidade. Aquela cena do "quem sou, para onde vou?", que já tinha por resolvida, baralhou-se-me de novo. Ao ler os posts em causa, e ao perceber que era a minha vida a ali descrita, fiquei a pensar da urgência em marcar um encontro com o profeta dos pretéritos para poder saber que mais havia eu feito, por que terras caminhei, que mares naveguei, que gentes conheci. Mas logo desisti da ideia, que não sou gajo de me mexer da minha terrinha para fora. Nem que seja para saber mais de mim. Afinal, e assim como assim, a coisa havia de me chegar por fascículos. Vou então falar-vos do que pude aprender sobre mim.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o facto de eu ser amigo de juventude do actual primeiro-ministro. Ao ler estas verdades, fechei os olhos e fiz força. Depois do inevitável flato (aqui na terrinha é assim), lembrei-me de que sim, que o Zé, apenas 15 anitos mais velho que eu, tinha mesmo sido meu compincha de juventude. Parece que o estou a ouvir, do alto dos dezasseis anos: Rogério ou Valupi ou lá como é que raio te chamas, hoje vais à baliza. E eu protestava, incapaz de me movimentar (só aprendi a andar aos dois anos ou isso e a fralda pesava), mas lá gatinhava até ao local apontado (já na altura marcado por duas rosas, era a primavera marcelista). Entretanto — isto depois de fechar os olhos lembrei-me de tudo —, muita água correu sob a ponte e o meu amigo abandonou a terrinha, a nossa santa terrinha. Ainda assim, quando ele cá voltava íamos muitas vezes para os copos e organizávamos grandes jantaradas. Agora, graças ao carlitos, lembro-me como se fosse hoje: nós de mão dada e eu sempre do lado de dentro do passeio. A minha mãe era muito cuidadosa quando me deixava ir para os copos com tipos com o triplo da minha idade (na altura eu tinha cinco e ele vinte) e dizia-lhe sempre: tenha cuidado com o menino, às nove e meia quero-o em casa. E ele, não querendo perder o seu grande amigo de juventude (afinal, já me conhecia desde os meus dois meses — cerca dos cento e oitenta dele), lá me devolvia a horas do vitinho. Quando eu fiz quinze anos, lembro-o agora tão bem, o meu grande amigo de juventude já era deputado e muitas vezes me levou ele ao plenário: aquele primeiro discurso, o das gajas nuas?, fui eu que lhe pedi! Bem, mas do PM — hoje ele é PM!, que orgulho! — não falo mais. Fomos amigos de juventude e é quanto basta. Entre os meus zero e os trinta anos dele (os quinze anos de diferença não podem nem devem estragar uma boa história), aquilo foi um fartote de conspirar. Já a pensar: havemos de ser, havemos de conseguir, havemos de lá chegar.

Mais coisas de que eu não me lembrava, mas que por certo aconteceram. O modo como a minha mulher (o carlitos chama-lhe esposa no primeiro post) me conseguiu enfiar no 5 dias. Uma cunha pela qual muito lutei, primeiro a tentar convencê-la que fazia muito mais sentido ser ela a convencer a pessoa que me lá meteu do que eu. Quando ela refilava, a esposa, eu dizia-lhe que tinha vergonha e encolhia os ombritos (fico irresistível) e nem a resposta dela “mas tu é que o conheces e és amigo dele” me demovia. Havia de ser por cunha dela. E assim foi. A minha esposa (ui, adoro esta da esposa) falou com a pessoa em causa comigo ao lado (eu ia fazendo de ponto e quase que tramei tudo na parte do obrigado, que ela se esqueceu de converter para obrigada). Mas pronto, a coisa passou e eu cheguei ao cinco dias, blogue que eu já na altura via como trampolim para o jugular que havia de ser formado cerca de seis meses depois. E daí para o  SIMplex, que era o  meu verdadeiro  objectivo. Ali chegado, impus o medo e o terror. Agora tenho mesmo de te citar carlitos: “A menos claro está que juntemos o facto da relação antiga de RCP com o PM, o que explicaria muito do inexplicável: a sua presença na jugular, o temor que despertava a muitos no simplex, os seus ataques de cólera e mau génio que intimidaram tantos, e o facto de todos o aceitarem passivamente.”

Então não é que gajo devia jogar no euromilhões? Foi sem tirar nem pôr. Lembro-me perfeitamente duma altura em que passei a noite a tocar vuvuzela (graças à minha relação antiga já dispunha de imensos meios logísticos) à porta do Galamba. E tudo porque ele queria chamar “E Salta José Sócrates E Salta José Sócrates Olé-Olé” ao blogue de apoio ao PS, enquanto eu exigia algo mais subtil. Depois duma noite sem dormir, lá o convenci. Já me esquecia — nem sei como raio te escapou esta —, também foi a minha mulher que meteu uma cunha para eu entrar para o SIMplex. Desta vez, e só para não me ouvir, tomou ela a iniciativa de contactar o meu amigo.

Mas, no fundo, era isso que me movia — e move —, despertar temores injustificadamente adormecidos (era o que mais faltava, que os temores nunca dormem), intimidar uns tantos com uns ataques de cólera e espalhar algum mau génio sempre que me contrariavam. Um dia, deixem-me contar-vos esta, quiseram expulsar-me do blogue (tens estes mails, carlitos?). Nem preciso dizer o que aconteceu, pois não? Foi tal o temor e tal a cólera que desatei a ameaçar: assim que esta merda acabar, eu pego nestes mails todos e vou dá-los à outra banda, faço-vos a vida num inferno. Nada será como dantes, porque eu hei-de revelar-vos os mais ínfimos segredos e o que não souber invento. Hei-de ir para um blogue de direita ultraconservadora — depois de tentar outros onde serei mais ou menos rejeitado — e tratar-vos-ei como uma mera experiência sociológica. Antes, destapar-vos-ei a careca por onde puder, de jornais a rótulos de mata-ratos. Vou fazer-vos a vida num inferno, disse eu outra vez (repito-me muito). E pronto, foi o que bastou. Tudo de rabinho entre as pernas, intimidados e atemorizados com aquelas cenas que eu já disse lá atrás e mais a amizade de juventude. Essa é que os tramava. E a minha esposa, 'tá claro.

Que mais? Ah, os gays, ó raça!, nunca os pude ver à frente (notem como airosamente evito a piada que parecia inevitável e caía aqui que nem ginjas), até sou amigo de alguns (contemplem como subtilmente recorro a um lugar-comum homofóbico) é certo, mas, se dependesse de mim, a homossexualidade voltava rapidinho à categoria de maluquice e aos cultivadores de relações homossexuais e mesmo "mulherossexuais" (gajas com gajas, essa foi gira, carlitos) mandava-os todos para uma ilha deserta.

Agora chega de parvoíces, que a minha vida não é isto. Quanto a ti, força, pá!, vasculha o passado que julgas meu o quanto a aflição te exigir, conta-nos mais histórias para rir, mas mantém-te longe de mim e dos meus. Faz isso!

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