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jugular

do preconceito fácil e da glória da bloga

sou uma pessoa muito preconceituosa. sei disso -- e saber disso ajuda-me a tentar identificar os meus preconceitos e lidar com eles. para saber disso, e para o reconhecer, vários acontecimentos contribuiram. um deles é muito recente -- a minha entrada na blogosfera. entrei tarde, em 2005, e levei algum tempo a perceber como isto funcionava. ao princípio, quando a ana (sá lopes) e o joão pedro (henriques) me diziam 'olha, o não sei quantos meteu-se contigo', eu nem sabia do que eles estavam a falar. depois fui coleccionando 'favoritos' (embora alguns muito pouco apreciados) e aprendendo a aquilatar as pessoas exclusivamente pelo que escreviam, já que de muitas delas não sabia nem a idade nem o sexo e muito menos as filiações políticas e o tipo de sapatos que calçam (muito importante, isto dos sapatos). isto tudo para dizer que fui simpatizando e antipatizando com escritas e estados de espírito e declarações de intenções. fui dando idades e rostos a pessoas que nunca vi -- até as ver.  e, quando fiz parte do blogue sim no referendo, para o qual o daniel oliveira, pai da belíssima ideia, teve a amabilidade de me convidar, passei a conhecer em carne e osso muitas das pessoas que só conhecia de assinatura. e outras que conhecia da tv e dos jornais, como o vasco rato, com quem nunca me ocorreria poder ter afinidades, quanto mais amizade. estava muito enganada -- sobre elas e sobre mim. é bom saber que se podem descobrir coisas destas relativamente tarde na vida. que, por exemplo, aquele gajo que escreve no diário económico e que nunca me ocorreria ler -- eu não leio cenas sobre economia, sou preguiçosa de mais para isso -- é um puto que vive em oxford com quem ao fim de cinco mails descubro ter cem mil coisas em comum. que aquele gajo empresário 'de direita' que escreve no 31 da armada e no atlântico e que conheci numa boleia a caminho do prós e contras sobre o aborto é uma das pessoas mais espantosas que conheci na vida (ok, isto é piroso, mas não me ocorre outra fórmula). que uma pessoa que gosto tanto de ler e com cujas opiniões me identifico tão amiúde, como o adolfo mesquita nunes, é, imagine-se, do pp -- coisa que só descobri meses e meses depois de o ler. que o daniel oliveira, de quem tinha a ideia de um aparachik (sorry, não te zangues, daniel) é uma das pessoas mais liberais que conheço. enfim, podia continuar on and on. e podia falar também do quanto a blogosfera serve de revelador e lupa, não só para o melhor como para o pior das pessoas. de como percebi que há torquemadas de 20 e 30 anos e ainda por cima com orgulho de o serem e cérebro para conseguirem escrever duas linhas seguidas e descaramento para chamarem intolerantes aos que os combatem e para ainda se apresentarem como vítimas (e serem vistos como tal por tanta gente, deus). mas isso agora não interessa -- fica para outro post, ou melhor, fica para a vida toda, porque isto é, como diz o outro, um combate rua a rua e porta a porta. agora só me apetece dizer o que disse. e que tenho muito orgulho de ser amiga do tiago mendes e do pedro marques lopes e do vasco rato -- e de que eles sejam meus amigos. e tenho orgulho em mim, por ter sido capaz de perceber o quanto os meus preconceitos -- estes e todos os outros, os que tive e os que ainda tenho --, são ridículos.

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