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fazer diferente

O livro começa com perguntas. "A quem pertence a escola pública, quais devem ser as responsabilidades do Estado, dos professores, das comunidades educativas locais e dos pais?"; "Qual é o nível de conhecimentos e quais são as competências adquiridas na escola pelos alunos?". Continuam, algumas páginas à frente: "Qual é a percepção que os professores e as escolas têm da sua missão? (...) Todos os agentes e instituições envolvidos nos processos de ensino partilham a convicção de que todos podem aprender? (...) Quais as medidas de política necessárias para enfrentar este problema?"

 

É um livro que diz, algures na introdução de 50 páginas, isto: "A acção é política tanto no patamar da decisão como no da execução. A crítica, o veto ou a resistência às políticas é também intervenção política." E isto: "A ineficiência dos serviços públicos, a ausência de rigor na utilização dos recursos e a degradação da sua qualidade são um inimigo mortal do Estado Social e, no caso da educação, um inimigo mortal da escola pública."

 

É um livro que analisa o sistema e a sua evolução, que assume os seus fracassos e ineficiências e principais dificuldades, contextualizando-os e tentando apontar saídas, que critica a falta de informação e conhecimento da realidade que permitiu, durante décadas, não só uma gestão ineficiente -- gastar muito mais dinheiro em muito menos alunos - como decisões desfasadas das necessidades e dos objectivos programáticos. Fá-lo com recurso a dados, números, quadros, referência legislativa (e como é interessante constatar por exemplo que a decisão legislativa de fechar todas as escolas com menos de 10 alunos é de 1988, do governo de Cavaco, mas não avançou por aparente incompetência) e a descrição das acções (incluindo reuniões) havidas, no curso de um mandato ministerial, para chegar a diagnósticos, concertar posições e pô-las em prática.

 

É o livro de uma socióloga e o livro de uma ex-ministra - a cientista que olha para o que fez e para o que existe e tenta ser rigorosa, que organiza a informação de forma metódica, e a política que defende a sua visão, o seu mandato - e a sua paixão pela escola pública e por aquilo que ela representa.

 

O livro é de Maria de Lurdes Rodrigues. Nenhum livro de MLR sobre a escola seria um acontecimento pacato; mas este, cujo nome é A Escola Pública Pode Fazer a Diferença e que será lançado a 1 de Julho, oito meses depois de a autora deixar o governo, tem a ambição de ser a um tempo prestação de contas e desafio. Um desafio a todos para que pensem o que querem que a escola pública seja, mas também um repto aos que a contestaram e, inevitavelmente, a quem lhe pegou no testemunho.

 

(publicado hoje no dn)

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    joão viegas 26.06.2010

    Muito bem. Quanto a mim, "porque o nosso tecido empresarial é feito de mais de 90% de PME's a quem nada interessa ter de pagar mais por o trabalhador que antes custava 450 euros" não passa da outra face da MESMA moeda.

     
  • Sem imagem de perfil

    Ana Martins 26.06.2010

    Caro João,
    julgo que não me fiz entender. Eu não concordo com essa mentalidade do não querer pagar + de 450 euros a trabalhadores. O que constato é a realidade: os CNO's apresentam uma representação social de facilitismo mas, mais do que isso, são boicotados pelo tecido empresarial. 
    Cumps
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