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jugular

Pecados capitais: Inveja!

bvph.JPG (...)Es una tarea abordada por el Ministerio de Cultura español, que ha permitido llevar al ciudadano los fondos de las Bibliotecas Públicas del Estado, a los que desde el 2005 se han añadido -merced a convenios- colecciones de ateneos, fundaciones, ayuntamientos, universidades y de propietarios de periódicos que empezaron a editarse en el siglo XIX. El resultado es una colección gigantesca (http://prensahistorica.mcu.es/) que pone a disposición de investigadores y eruditos materiales en muchos casos desconocidos y únicos, editados desde finales del siglo XVIII. (...) in Público

pálida

voltei de lá. belisquei-me com cuidado ao decidir reentrar - ainda me lembrava como tinha sido havia pouco mais de dez anos. o cheiro da morte. da espera da morte. agora já não. havia de estar toda a gente a rir. havia de ter sido só um sonho mau. dez anos. que seria feito do meu pai, fígado marinado, morto por certo. a minha mãe, agarrada ao caixão, sem vida própria, feliz por ser a escolhida pelo casamento, entre as teúdas e manteúdas, pobres delas, herança em vida, deserdadas na morte, não como ela. ela era. bati à porta. ao de leve. dez anos. morto e enterrado. já tinha passado tempo que chegasse para descerem aquela podridão às entranhas fecundas da terra. para que floresça em malmequeres. bati. nada. bati outra vez. passos. recuei. abriu-se a porta para a escuridão. OU PARA A LUZ. entra, minha filha, olha a vírgula, outra, entra. onde raios te meteste. temos mais que fazer. discurso directo, coisa difícil de ler, ainda para mais num blog, que se quer coisa leve e divertida. vírgulas que avisam que foram e que são.

ENTREI.

carpideiras em cada canto. as mesmas de há dez anos. choramos por dinheiros. xis cêntimos por lágrima. euros por gritos de pesar. o mesmo cheiro nauseabundo. a morte cheira sempre igual. o caixão. ao canto. branco de pesar. que quando o pesar é intenso o esquife quer-se branco e de meio metro. ou ao contrário. será melhor. reformulo. que quando o esquife é branco e de meio metro o pesar quer-se intenso.

olhei para o caixão.

ENTREI.

lá dentro, de onde tinha fugido, havia dez anos, estava eu. morta por enterrar. anã ou bebé. não sei precisar. mas pequena. demasiado pequena para morrer. percebi, enfim, que havia fugido da minha própria morte. e deixado aquelas pessoas paradas no tempo. à espera do seu morto.

POR CHORAR.

Já fui ao YouTube e não encontrei o vídeo

Estava a passar os olhos pelo NS, o suplemento de DN, e vá de esbarrar com o título “Adultério no Parlamente”. Rebéubéubéu e tal, sms e telemóvel, e termina assim «… que se define como “deliciosamente passada dos carretos” confrontou a amante do marido e partiu a loiça. Ele foi parar à enfermaria do Parlamento e ela contou a história toda ao 24 horas. Sem papas na língua.».

(À atenção do PGR, entre outros)

pálida

death-in-the-sickroom1.jpg
Death in the sickroom, Edvard Munch
voltei de lá. belisquei-me com cuidado ao decidir reentrar - ainda me lembrava como tinha sido havia pouco mais de dez anos. o cheiro da morte. da espera da morte. agora já não. havia de estar toda a gente a rir. havia de ter sido só um sonho mau. dez anos. que seria feito do meu pai, fígado marinado, morto por certo. a minha mãe, agarrada ao caixão, sem vida própria, feliz por ser a escolhida pelo casamento, entre as teúdas e manteúdas, pobres delas, herança em vida, deserdadas na morte, não como ela. ela era. bati à porta. ao de leve. dez anos. morto e enterrado. já tinha passado tempo que chegasse para descerem aquela podridão às entranhas fecundas da terra. para que floresça em malmequeres. bati. nada. bati outra vez. passos. recuei. abriu-se a porta para a escuridão. OU PARA A LUZ. entra, minha filha, olha a vírgula, outra, entra. onde raios te meteste. temos mais que fazer. discurso directo, coisa difícil de ler, ainda para mais num blog, que se quer coisa leve e divertida. vírgulas que avisam que foram e que são.

ENTREI.

carpideiras em cada canto. as mesmas de há dez anos. choramos por dinheiros. xis cêntimos por lágrima. euros por gritos de pesar. o mesmo cheiro nauseabundo. a morte cheira sempre igual. o caixão. ao canto. branco de pesar. que quando o pesar é intenso o esquife quer-se branco e de meio metro. ou ao contrário. será melhor. reformulo. que quando o esquife é branco e de meio metro o pesar quer-se intenso.

olhei para o caixão.

ENTREI.

lá dentro, de onde tinha fugido, havia dez anos, estava eu. morta por enterrar. anã ou bebé. não sei precisar. mas pequena. demasiado pequena para morrer. percebi, enfim, que havia fugido da minha própria morte. e deixado aquelas pessoas paradas no tempo. à espera do seu morto.

POR CHORAR.

Dúvidas

Finda as contas naturais (é, a Natureza pode ser toureada mas não em tudo), haverá alguém que nada teve a ver com isto mas sofrerá isto. Nasce e cala-te. Mas "nasce e cala-te" não foi o que aconteceu a todos nós? Não é um dos tais desígnios não toureáveis da Natureza? E em que assenta a inevitabilidade do referido sofrimento? Não estaremos perante o falacioso direito de determinar aprioristicamente o sofrimento do outro? Ps: Estou para aqui a pensar se a prematuridade será uma pega de caras à Natureza…

O Apocalipse é já amanhã (mas hoje há mais do que conquilhas)

Nunca como hoje se discutiu tanto e tão profundamente os problemas do país. Por vezes, demasiadas vezes, mais em extensão que em profundidade, é certo. Ensino, saúde, justiça, segurança, etc. O recente caso EPAT (escola, professora, aluna & telemóvel, perdoem-me a insistência) desencadeou a discussão generalizada e a divulgação, repetida até ao enjôo, do infeliz vídeo. A notícia do dia é a formalização de queixas judiciais, contra a aluna e contra a turma, por parte da docente. A novela soma e segue, até se esgotar o filão. Depois, o assunto cairá no esquecimento e outra notícia bombástica, alarmista, fará as primeiras páginas dos tablóides. Mas há algo que fica e que se vai sedimentando. A ideia generalizada de que isto está tudo pior, a imagem, feita de pequenos pedaços, de que o ensino em Portugal atingiu o ponto de ruptura. O Ensino, como tudo o resto. Reformas curriculares, mudanças de nome e de terminologias, mexidas em todo o sistema educativo, protestos dos professores, agora isto. Tudo cada vez pior, é o que oiço. Até parece que, por exemplo, há 20, 30 anos não havia problemas. O tanas é que não havia.

Lembro-me bem do meu Ciclo Preparatório, feito nos saudosos anos de 1977-1979. Uma escola pré-fabricada, inaugurada no ano anterior. Localizada no meio de mato, com um autocarro a funcionar de hora a hora e que era o único elo de ligação à povoação mais próxima. Um horror. Não havia biblioteca nem sala de convívio nem espaços lúdicos, chovia nos corredores, nas salas e no ginásio. Um mar de lama. Em 1977-78 houve greves de professores de mês a mês. A certa altura foram todos postos na rua. Tive 4 professoras de inglês, nesse ano. A escola fechava às 17.30, de Inverno, porque não havia iluminação nocturna. Durante metade do ano não tive Educação Visual, por este motivo. Para quem achar que estou a inventar, procure alguém que tenha frequentado a Escola Preparatória Visconde Juromenha nessa altura. Entre 1979 e 1981, ou seja, nos 7º e 8º anos, mudei para outra escola. A sede estava lotada. As aulas decorriam numa quinta cedida, já degradada, sem o mínimo de condições para o efeito. Não havia ginásio, os alunos tinham Educação Física numa sala grande, a sala de aulas servia de vestiário. Balneário? Ora. Turmas de 30 e muitos alunos. Não havia refeitório nem guarda de portão, nem sala de convívio. Hoje a quinta é a sede da Segurança Social de Sintra. Toda uma geração apanhou um célebre professor de educação física que apalpava as raparigas, sobretudo quando media a "pulsação". Para os rapazes era simplesmente bruto e arrogante. Estes assuntos não chegavam nunca à imprensa. O país estava muito ocupado com outros problemas. A imagem da Educação era anual, quando invariavelmente o Ministro ia à televisão, em Outubro, anunciar o sucesso da abertura de mais um ano escolar. Lembro-me particularmente da figura patética e da voz ridícula de José Augusto Seabra. Se os meus filhos fossem confrontados com condições destas, hoje, eu acharia que estava tudo pior ou, no mínimo, na mesma. O que se passa na Educação ocorre igualmente noutros sectores. Há 30 anos o SNS funcionava melhor? Quem se lembrar do que era ir à urgência do Hospital S. José talvez ache o contrário. Hoje, as estatísticas revelam que Portugal tem uma invejável taxa de mortalidade infantil. Há uma reforma do sector da saúde em curso. Aberta e amplamente debatida. Mas a imagem que fica é a da degradação do Serviço Nacional de Saúde, dos protestos populares contra o encerramento de maternidades, de mais uma criança que nasceu numa ambulância. Os dados mostram que os índices de segurança não pioraram, mas basta uma actriz ser assaltada em plena CREL para lá vir o coro de temores exigindo mais polícia nas ruas e denunciando o aumento generalizado da criminalidade. Isto está tudo cada vez pior. E quanto à Justiça, alguém se lembra de intervenções públicas do Ministério Público, do Bastionário da Ordem dos Advogados ou do Provedor de Justiça há 20 anos? Alguém falava de tribunais sobrelotados? Eu, confesso, não me lembro. Portugal é um país de memória curta. Que vive muito por ondas e vagas, consoante as primeiras páginas do Correio da Manhã. E a percepção geral das pessoas é a de que está tudo pior. Ninguém percebe que os problemas estão simplesmente mais visíveis e expostos, que se discutem questões práticas, muitas e variadas, quando há 30 anos eram as temáticas ideológicas e políticas que mereciam todo o destaque. O país, esse, viveria sem problemas? Os que existiam e que mereciam destaque eram restos do fascismo ou do PREC, consoante a perspectiva. Hoje, a generalização dos debates e das discussões, a denúncia dos casos gritantes de injustiça, de pobreza, de ineficácia, a pluralidade de opiniões, de blogues, de canais de televisão, de fóruns, que constituem simplesmente efeitos e benesses de uma democracia consolidada e estável, não produzem o efeito desejado. Tudo o que nos deveria levar ao esclarecimento e à informação, ao confronto de ideias e à abertura de soluções, à análise e à compreensão para melhor se detectarem e resolverem problemas, produz o efeito contrário. O clima pessimista espalha-se porque as pessoas vêem-se mergulhadas num turbilhão de incertezas que parecem anunciar o Apocalipse. Sentenças emanadas de fóruns respeitáveis (como a recente posição da SEDES) sobre o colapso da democracia consolidam e cristalizam este sentimento. Este país está perdido. Lá vêm as culpas para a ministra ou para o sistema. Só, lá de vez em quando, aparece um período de tréguas: quando a selecção obtém um sucesso num campeonato. Depois, este país orgulhoso da sua portugalidade arruma as bandeiras verde-rubras e regressa à rotina. Não sei se é algo genético da alma lusa. Mas que está bem incrustado, está.

adolescentes, inimputáveis e têvês

Parece que cada vez que "alguém fala do vídeo" à professora da luta pelo telemóvel no Carolina Michaëlis ela "começa a chorar e enerva-se". Compreendo-a muito bem. Eu própria vou pelo mesmo caminho. Tenho a sensação de que se mais alguma vez vejo aquelas imagens ou oiço ou leio alguém falar em "agressão no Carolina Michaëlis" ou "a professora brutalizada pela aluna" ou, para ainda mais extraordinário, "nas coisas comprometedoras que a aluna alegadamente teria no telemóvel", vou mesmo entrar em órbita. Ou chamar a polícia. Não que me sirva de alguma coisa, claro. Até porque um dos supremos representantes da legalidade e da sua manutenção neste país, o procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro, está farto de perorar sobre este assunto - inclusive, ainda ontem, na SIC Notícias, mostrando-se muito feliz "por finalmente o País estar a ficar alertado para a questão da violência nas escolas" - sem nunca mencionar o facto de que cada vez que aquele vídeo passa numa televisão está a ser cometido um crime. E este, imagine-se, ao contrário do de "empurrão e disputa de telemóvel entre professora e aluna", até vem no Código Penal (CP) e nem está a ser cometido por inimputável menor de 16 anos. Se calhar para Pinto Monteiro é muito mais grave uma aluna de 15 anos fazer uma birra numa sala de aula e cometer um acto de indisciplina, em que não só não se pode falar com propriedade de agressão como nem sequer se ouve um insulto para amostra, e este ser filmado por um colega da mesma idade que a seguir descarrega as imagens na Net, do que haver empresas de TV, incluindo a pública, que usam o vídeo ilegal até à náusea, com a agravante de nas primeiras passagens nem sequer terem tido o cuidado de ocultar as caras dos intervenientes. Se calhar o procurador não vê que a professora é muito mais humilhada pela repetição do vídeo que pelo ocorrido na aula. Ou então vê mas acha que é melhor nem levantar a questão, não vá alguém achar - e há sempre gente a achar estas coisas - que a sua tentativa de defesa da legalidade e dos preceitos constitucionais de direito à imagem seriam uma tentativa de coarctar "a liberdade de expressão e informação" e que "o interesse público" justifica tudo - doa a quem doer. Ainda por cima, o CP diz que o crime previsto no artigo 199.º -"gravação e fotografias ilícitas"-, punido com pena de prisão até um ano e multa até 240 dias (agravadas num terço quando efectuadas para obter recompensa ou enriquecimento ou quando o meio de difusão seja a comunicação social), depende de queixa. E parece que ainda ninguém se queixou - só há uma professora em cacos e uma rapariga tratada como criminosa e transformada em poster girl da "violência escolar" e "do estado a que nós chegámos". Nada que importe quando o que é importante é "dar o exemplo" e "sensibilizar as pessoas". Ou será insensibilizar? (publicado hoje no dn) nota: ricardo costa asseverou-me, já após a publicação, que a sic ocultou desde o início a cara dos intervenientes. a rtp não o fez, e josé alberto carvalho pediu desculpa pelo facto

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