- Por muito que o Filipe diga que não, o seu argumento depende de uma posição genérica contra a propriedade privada. O meu problema não é a sua limitação e equilibrio com outros valores (que eu defendo), mas a radicalização da posição que o seu argumento pressupõe para se tornar inteligível -Comprar casas para alugar não é uma actividade de exploração (pode ser em casos extremos ou de perigo de monopólio, mas isso é outra história) que deva ser diabolizada. Aparentemente, o Filipe não percebe que investir em habitação para alugar pode contribuir para reabilitar uma cidade, que é algo que aumenta a liquidez no mercado de habitação e que facilita a mobilidade das pessoas (a simples opção entre comprar e alugar é um valor). -O direito à habitação (que eu defendo) é uma medida redistributiva, cujo encargo deve ser comunitário e não algo que recaia sobre os proprietários. Aliás, achar que os proprietários devem subsidiar os inquilinos é uma medida curiosa, pois simultaneamente afirma e rejeita a ideia de propriedade privada.
Sobre o próprio do assunto pouco mais há a dizer mas, depois de ler o Pedro, mais exactamente depois de seguir a sua linkadela, fiquei meia encanitada – essa coisa da esperteza saloia tem este efeito em mim.
Diz a Patrícia Lança que a MFL terá dito que “não era tão retrógrada que pudesse apoiar a discriminação contra os homossexuais.”. Errado, MFL disse que não era “suficientemente retrógrada para ser contra as relações homossexuais”, tendo sido a própria a admitir estar “a fazer uma discriminação”. Um piqueno pormenor…
Por outro lado, só um esclarecimento porque nunca é tarde para corrigirmos um erro sistemático - a fobia não é um estado de espírito. Do ponto de vista psiquiátrico a fobia específica define-se como o medo acentuado e persistente de situações ou objectos claramente identificados e circunscritos, determinando a exposição ao estímulo fóbico uma resposta ansiosa imediata, bem como uma ansiedade antecipatória e consequente evitamento (do dito estímulo) em situações futuras. Já em termos de linguagem corrente, como consta de qualquer dicionário de sinónimos, o termo fobia é usado como sinónimo de aversão, horror, medo, ódio, receio, repugnância…
A terminar, e já que estamos no domínio da psicopatologia, só uma observação. É dito, a determinada altura, que o objectivo do Daniel Oliveira no Eixo do Mal foi “aterrorizar os políticos com um epíteto inventado pelo Lóbi Gay precisamente para esse efeito”… parece-me um bom exemplo daquilo que se define como uma ideia delirante de conteúdo persecutório.