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jugular

Just Curious

Fort Mill Mayor Danny Funderburk says he was “just curious” when he forwarded a chain e-mail suggesting Democratic Presidential Candidate Barack Obama is the biblical antichrist. “I was just curious if there was any validity to it,” Funderburk said in a telephone interview. “I was trying to get documentation if there was any scripture to back it up.” O republicano poderia ter satisfeito a curiosidade enviando o e-mail para Tim LaHaye, o especialista apocalíptico que ajudou na escolha de Sarah Palin para o ticket republicano. Eu estou igualmente curiosa em saber se «curiosidades» no género que se têm multiplicado nos últimos dias são coincidências ou estão correlacionadas com outro tipo de escrituras...

Another one bites the dust

O governo dos Estados Unidos informou hoje que o Citigroup vai comprar as operações bancárias do Wachovia, o quarto maior banco do país, com ajuda federal. Antes do anúncio, as açcões do Wachovia caíram 93% no pré-mercado. Federal regulators worked around the clock this weekend to orchestrate the sale, finally reaching an agreement at 4 a.m. on Monday morning. In the end, the government agreed to provide Citigroup with a financial guarantee on Wachovia’s most risky assets. It is similar to the deal that the Federal Reserve established with JPMorgan Chase’s emergency takeover of Bear Stearns. Por outro lado, o Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), maior banco japonês em capitalização de mercado, vai comprar uma fatia de 21% no Morgan Stanley, tornando-se assim o maior accionista da instituição financeira norte-americana. O MUFG, que anunciou igualmente ir ser o único accionista do UnionBanCal, parente do Union Bank of California, tem grandes ambições no mercado americano pelo que são possíveis mais aquisições. Adenda: Vale a pena ler «Why Bail? The Banks Have a Gun Pointed at Their Head and Are Threatening to Pull the Trigger» no Huffington Post.

Escutem a voz do mercado

Isto é quase tão complicado como o Inter-Milan de ontem. Prestem atenção, porque não vou repetir-me.

Nos últimos dias, a taxa de juro dos títulos do Tesouro nos EUA têm andado à volta dos 0,05%. Isso mesmo: 0,05%! Ao mesmo tempo, o spread dos empréstimos concedidos pelos bancos atingiu valores recorde.

O que é que isto quer dizer?

Muito simples. A confiança dos investidores atingiu níveis tão baixos, que estão dispostos a emprestar dinheiro ao Estado a preço zero (ou negativo, em termos reais). Em contrapartida, as empresas só conseguem obter crédito a taxas elevadíssimas.

Logo, o que o mercado nos diz é que, neste momento, os investidores estão dispostos a financiar projectos estatais, mas não privados.

Logo, para evitar a paralisia económica, os Estados deveriam anunciar o lançamento urgente de iniciativas de investimento a curto prazo, com impacto, por exemplo, em instalações e equipamentos dos sistemas de saúde e educação.

Aí está algo que os governos europeus poderiam e deveriam unir-se para fazer sem demora.

Deus os ouça

O social-democrata Pedro Passos Coelho afirmou, este sábado, que Santana Lopes pode ser um «nome forte» como candidato do PSD à presidência da câmara de Lisboa, frisando que essa é uma decisão da distrital e da presidente do partido, escreve a Lusa. [Portugal Diário]

«Santana parece-me o melhor candidato», afirmou ontem Marcelo Rebelo de Sousa na RTP1.

Era tão bom assim fosse. Ele e o Zé Carlos são decisivos para a minha boa disposição, e parece que o segundo regressa ao activo já no Domingo. Falando menos a sério, o que é que o bom do Professor andará a tramar? Como é óbvio, ninguém acredita na bondade desta sua súbita boa vontade. A não ser que a coisa deva ser levada a outro tipo de letra, tipo, a ele, Marcelo, parece-lhe bem, e até lhe convém, que o Santana se estampe de vez. E nada melhor do que numa Câmara como Lisboa, onde até já ganhou. O Passos Coelho deve afinar pelo mesmo diapasão, penso. Ou seja, estão a fazer-lhe a cama, o que é uma pena - o que o país ganha em eficácia executiva, perde em boa disposição.

Sobre o espírito do tempo

Abstract: Drawing on Hegel’s claim that ‘it belongs to the weakness of our time not to be able to bear the greatness, the immensity of the claims made by the human spirit, to feel crushed before them, and to flee from them faint-hearted’, this essay explores the possibility of a renewed encounter with Hegel’s thought. Arguing that it is not the acceptance or rejection of the lessons of Hegel’s thought that is important, but rather that ever since Hegel, philosophers are challenged to experience philosophy as such as the happening of the spirit of the age. It further asks the question how is it that the spirit of the age might emerge in an otherwise spiritless age? From this perspective the question for us is whether philosophizing today has the power to generate a level of intensity, not so much for the spirit of our own age to emerge clearly and distinctively, but for the spirit of the age to emerge at all. Perhaps, instead, the real issue for those of us who come after Hegel is whether we are strong enough to intensify and withstand the intensity that Hegel’s thinking has already released. From this perspective to encounter the spirit of the age can be neither to look for it in the developments of the twenty-first century world nor to produce a radically new philosophy (aqui)

Edição especial da revista Cosmos and History, sobre a relevância do pensamento de Hegel para o nosso tempo. Recomendado a todos aqueles que acreditam no fim da história, sejam eles Marxistas ou (hiper) Liberais.

Brevíssima história do tempo

Nós somos feitos de tempo; e o tempo é feito das histórias que o narram. Desde Aristóteles, a política pode ser vista como uma história a que recorremos para nos entendemos a nós próprios. Aristóteles falava de uma natureza orgânica, teleológica, que ordenava a acção humana de forma hierárquica, distribuindo papeis bem definidos que nós nos limitavamos a representar. Mas ele nao se considerava o criador dessa história—ele limitava-se a descrever a ordem natural das coisas. Com a dissolução da polis grega e a crise da vida pública que lhe dava sentido, o homem descobriu a interioridade e a liberdade dos estoicos. E foi assim que a história mudou. Sem esta noção de liberdade e a riqueza interior que lhe está associada não teria havido cristianismo nem a noção de individualismo moderno que nós tomamos como auto-evidente. E foi assim que se tornou possível passar de uma história circular, essencialmente pagã, para uma narrativa linear, onde o homem se torna responsável pelo seu próprio destino. Por outras palavras: a história do homem perdeu a sua fundamentação numa natureza pré-determinada e espiritualizou-se. O primeiro pensador que tentou conceptualizar esta separação da natureza e a defender uma noção de liberdade entendida como autonomia, que se opõe a qualquer forma de dogmatismo, foi Kant. As suas três críticas (Razão Pura, Razão Prática e Faculdade do Juízo) são uma espécie de conclusão inconsciente desta narrativa de libertação. Coube finalmente a Hegel tentar completar Kant, e, numa espécie de Freudianismo avant la lettre, escavar e trazer à superfície esta história, confrontando a humanidade com a sua memória reprimida. Hegel pensava que nos podiamos reconciliar com a nossa própria história entendendo-a como algo que legitima uma certa ideia de necessidade, compatibilizando-a com a liberdade moderna: ela era no fundo uma narrativa de inspiração escatológica que legitimava um certo ideal de modernidade, valorizando a liberdade individual e o estado de direito. Para Hegel, a modernidade política é caracterizada por três esferas—a família, a sociedade civil e o Estado— que só são aparentemente autónomos. Contra uma certa narrativa liberal unilateral, que opõe estas três realidades, Hegel retrata-as como sendo inter-dependentes, como possuindo uma história comum. Ou seja, elas são a sua própria história; e, por isso mesmo, sempre diferentes e sem uma essência fixa e determinada. O fim da história de Fukuyama, Marx e de alguns hiper-liberais é na realidade o fim da imaginação humana, porque eles se esquecem do tempo, tentando cristalizar algo que a história e a experiência se apressam a dissolver. A única certeza histórica é que ela é sempre algo futuro, por escrever. O tempo em que vivemos também é feito de mudança. Chegou a hora de abandonarmos qualquer tipo de ilusão que nos tenta vender a ideia de autonomia e auto-suficiência do mercado. Precisamos de repetir algo parecido com os ensinamentos de Hegel, mas agora à luz das exigência políticas do presente. Hegel falhou não porque não tivesse razão mas porque o tempo assim o exige. Como disse Becket: Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Reinventar histórias é o nosso destino e o nosso dever. E nenhuma é definitiva, porque o tempo não deixa.

E lá vão 37

"Um agente da PSP alvejou esta segunda-feira mortalmente a sua ex-companheira no interior das instalações da Associação Portuguesa de Pais e Amigos dos Cidadãos com Deficiência Mental (APPACDM), no Vale de Santarém, onde a vítima era funcionária. (...) O motorista de uma carrinha (...) viu o homem a sair com o filho de sete anos por uma mão e a arma na outra."

"Da prioridade como força de bloqueio" por Vasco Barreto

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo”. À primeira frase de 100 anos de solidão, de Marquez, ficamos reféns da curiosidade de saber como o coronel ali chegou e, sobretudo, se dali sairá. A cena é clássica: diante de um pelotão, corre acelerado o filme da vida na cabeça do condenado; na retaguarda do pelotão, aceleram as vidas de quem o pode salvar. Mas o hábito de suspender execuções no último instante não se esgota na ficção, nem sequer é invulgar. Aconteceu na semana passada, nos EUA. Troy Davis está há 17 anos no corredor da morte, condenado pelo assassínio de um polícia. Não se encontrou a arma do crime e sabe-se hoje que sete dos nove testemunhos que o condenaram eram falsos. O Supremo Tribunal entendeu por isso adiar a pena e reavaliar o caso. A contagem final? Quatro votos a favor, três contra, duas horas mais e um presumível inocente teria sido executado. Neste caso de vida ou morte –  a própria pena de morte ficou a duas horas de se suicidar, para quem ainda pensa que não é uma alma penada – ,  não é fácil perceber o gesto teatral de um pilares  da justiça americana, nem se aceita que o tenha feito a contar com uma derradeira confissão de um Davis confrontado com a seringa letal. Parece que a decisão se  tornou urgente com a proximidade da hora da execução,  e  que só a duas horas do fim anunciado se  criou  pressão suficiente para que uma suspeita de erro judicial se agigantasse. Isto ensina-nos algo sobre o modo como até as mais altas instituições funcionam. O Supremo Tribunal não pariu um rato, mas fez de rato acossado. Tal como nós. O prioritário é aquilo que nos põe em risco.

O que põe em risco o cidadão é – pois claro - o “crime” e a “crise económica”. Não espanta que quando qualquer outro assunto incómodo é agendado para discussão, alguém lembre que se trata de um capricho e quais são as prioridades perenes.  Mas este raciocínio é duplamente falacioso. Apresenta-se o caso como se resolver o “capricho” fosse diminuir a probabilidade de resolver o assunto prioritário, o que só seria verdadeiro se houvesse competição para os recursos do Estado. Como isto não faz regra, sobra a versão fraca do argumento: que o par de horas de discussão no Parlamento investido na resolução do “capricho” roubou tempo à discussão da prioridade. Aqui esquece-se que se duas horas e uma emenda na lei resolvem o capricho, isso não chega para um  problema prioritário, que é complexo. Os políticos apresentam também o caso com tal assertividade que as prioridades devem ser determinadas por uma fórmula em que se multiplica a gravidade do problema pelo número de cidadãos por ele afectados. É a lógica populista, capaz de fazer uma ditadura de uma maioria. Como se avalia a gravidade de um problema que não se sente? Com algum grau de abstracção e respeitando princípios básicos. É para isso que serve uma classe política. Mas sob a capa da eficiência e por mesquinhez, a ideia de prioridade acaba por perverter a sua própria natureza. Em vez de expedir a resolução dos problemas de todos os cidadãos, acaba por  nos paralisar. Como sempre, às segundas, a crónica do Vasco no Metro.

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