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jugular

Sonhei, bebi, delirei, tive uma alucinação...

... ou a bandeira portuguesa hasteada hoje em Varsóvia estava mesmo virada ao contrário, ou seja, com o escudo invertido? Foi o que vislumbrei, por breves instantes, no meio de uma reportagem televisiva. Era montagem? Seria a bandeira içada numa cerimónia oficial, ou algum maduro polaco que quis fazer uma gracinha? Ninguém viu, ninguém deu por isso? Presidente da República, jornalistas, corpo diplomático, nada, ninguém? Só têm olhinhos para a joaninha da Biedronka? Bom, se fosse eu a mandar, já se sabia o que iria acontecer: quando o Kaczyński cá viesse, era certinho que seria recebido com a bandeira indonésia.

Palin'psesto

Discurso da governadora Sarah Palin à convenção do Alaskan Independence Party em Março de 2008.

Discurso da governadora Sarah Palin em Junho de 2008 na igreja a que diz já não pertencer, a Wasilla Assembly of God. Concordo plenamente com o Luís quando diz que a novela Palin está muito longe do final. Aliás, penso que se irão desenrolar muitos capítulos até Novembro porque acho pouco provável que Palin seja retirada do ticket republicano. Não querendo desiludir o JCD no Blasfémias sobre o conhecimento de «nível absolutamente enciclopédico» dos bloggers de esquerda, há mais dois capítulos do passado de Palin que serão difíceis de raspar e reescrever. Desiludindo outro blasfemo, esses capítulos não têm nada a ver com ser mulher nem com as coisas que nos chateiam mas resultam do que é de facto relevante em Sarah Palin: a sua actuação política.

Um desses capítulos, embora os republicanos o tentem reescrever, tem a ver com as suas ligações com o Alaskan Independence Party. Numa campanha em que foi tema tão importante o patriotismo de Obama, se este usava ou não um pin com a bandeira americana ou se punha ou não a mão no coração enquanto escutava o hino dos Estados Unidos da América ou o Pledge of Allegiance, acho que vai ser necessariamente discutido o facto de neste último ela apenas concordar com as «divinas» adições póstumas e não com o original, que não foi escrito como Palin pensa pelos «Pais Fundadores»: «I pledge allegiance to my Flag and the Republic for which it stands, one nation, indivisible, with liberty and justice for all». Isto é, ninguém contestará, bem pelo contrário, que para Palin Deus está acima da nação, especialmente se atentarmos ao discurso de há três meses em que a candidata revela onde se baseia a sua experiência em política internacional:

Pray for our military men and women who are striving to do what is right. Also, for this country, that our leaders, our national leaders, are sending [U.S. soldiers] out on a task that is from God. That’s what we have to make sure that we’re praying for, that there is a plan and that that plan is God’s plan.

e nacional, já que prometeu um projecto de construção de um pipeline de 30 biliões de dólares (na escala curta) porque:

«God’s will has to be done in unifying people and companies to get that gas line built.»

No entanto, creio que será para alguns relevante que Palin há uns escassos meses tenha dito para continuarem o «bom trabalho» aqueles que contestam que os EUA sejam «uma nação, indivísivel». Mas especialmente concordo com Laura McGann do Washington Independent quando esta diz que devemos seguir os conselhos de Laura Bush e olhar para a carreira política de Palin como presidente da câmara de Wasilla. E o que um simples vislumbre permite é difícil de «raspar». Apenas 11 dias depois de tomar posse em 1996, Palin escreveu aos principais executivos camarários pedindo que estes se demitissem como um teste de lealdade (segundo alguns dos visados, aos financiadores da sua campanha). A história está bem documentada nos arquivos do principal diário do Alasca, o Anchorage Daily News, que nos informa:

Mayor Sarah Palin sent the resignation requests Thursday to Police Chief Irl Stambaugh, public works director Jack Felton, finance director Duane Dvorak and Mary Ellen Emmons, the head of libraries. A fifth director — John Cooper, who oversaw the city museum — resigned earlier this month after Palin eliminated his position.

Mary Ellen Emmons, depois de interrogada sobre se não tinha problemas em tolerar censura nas bibliotecas, teve mais sorte que o chefe da polícia. Para além disso, devido à controvérsia levantada pela sua actuação, Palin impôs uma lei da rolha a todos os chefes de departamento que precisavam de autorização sua para falar aos repórteres que tentavam deslindar a história. Como refere Andrew Sullivan, o Troopergate não é inédito no modus operandi de Palin o que não perspectiva muito bem as suas actuações políticas futuras. Para além destes episódios anunciados da novela Palin, que vão ser interessantes de acompanhar, há uma questão que ainda não vi abordada. Embora Palin tenha sido aparentemente escolhida pela ala conservadora do Partido Republicano, os conservadores em questão são todos ligados à direita religiosa, como Tim LaHaye, outro «bat-shit crazy religious fanatic» fundador do Institute for Creation Research - para além de fundador da American Coalition for Traditional Values e da organização anti-feminista Concerned Women for America - e autor da série Left Behind. Há uns tempos, LaHaye explicou porque razão não acredita que Obama fosse o anti-cristo sugerido por um anúncio da campanha de McCain, embora percebesse porquê a questão se punha:

"I can see by the language he uses why people think he could be the antichrist, but from my reading of scripture, he doesn't meet the criteria. There is no indication in the Bible that the antichrist will be an American."

Mas não creio que as escolhas e respostas de LaHaye e afins sejam satisfatórias para a direita conservadora que se reuniu ontem em torno de Ron Paul também nas Twin Cities. Nesta contra-convenção discursaram oradores como Jesse Ventura, o ex-governador do Minnesota, Doug Wead, Gary Johnson, ex-governador do New Mexico; Grover Norquist, presidente da organização Americans for Tax Reform; John McManus, presidente da John Birch Society ou Barry Goldwater Jr., filho do Mr. Conservative que ajudou Ronald Reagan a ser eleito primeiro governador da Califórnia e depois presidente dos EUA. Também não acredito que o GOP consiga «reescrever» o ticket republicano de forma a seduzir os apoiantes de Ron Paul no Ludwig von Mises Institute, como Thomas Woods, outro dos oradores da contra-convenção. Diria que é mais provável que muitos apoiantes de Ron Paul, incluindo os seus 180 000 indefectíveis doadores, votem em Bob Barr, o candidato libertário que esteve presente no evento. A escolha de McCain foi louvada por muitos como uma escolha em cheio por apelar à ala conservadora do GOP. A análise é um pouco simplista, porque esta escolha apenas apela aos religious right. De facto;

The Republicans had two choices here: Move toward the future and ditch the folks who want to teach creationism in science class, prevent stem-cell research because it's mass murder, and believe man and dinosaur co-existed in some sort of Flintstone-like fantasyland. Or, they could move to the base and, in the tried and true practice of Karl Rove and his ilk, whip that base up while ignoring the middle and squeeze conservatives for every vote they're worth in a 50.1-percent version of democracy. By choosing Palin, McCain has tried to split the middle but satisfied neither. And if the GOP wants a viable future, they should probably start thinking real hard about what that future looks like.

Acho que devemos mesmo olhar para o futuro. O VP é antes de mais alguém capaz de substituir o presidente no caso de incapacidade deste. Será que alguém imagina o que aconteceria na eventualidade, que espero muito remota, de isto acontecer? Que decisões políticas tomaria alguém que foi escolhida por satisfazer os devaneios dominionistas e apocalipticos de James Dobson ou Tim LaHaye?

coisas que me chateiam, muito

tenho um omnia, aquele telefone da samsung que a tmn tem para fazer concorrência aos iphones da vodafone e optimus. o telefone é bonito e bom e essas coisas todas mas não o uso porque não consigo passar a info do meu velho nokia para o novo omnia. blue tooth não funciona, arquivo t (sistema de arquivo em computador da tmn) também não. contactada a tmn, disseram-me que 'se calhar o onmia não é compatível com o sistema de arquivo'. é porreiro, isso. a malta tem um telefone topo de tudo e mais alguma coisa e não é compatível com nada. ah, e parece que o arquivo t também não é compatível com macs. welcome to the brave new world da tecnologia incompatível.

também me chateia, já agora, que ande toda a gente a discutir não só a vida privada da sarah palin como a da filha da sarah palin. bem sei que aquilo é a américa e já se sabe que qualquer campanha mete dessa roupa suja, e que a própria da sarah se pôs a jeito com a cena do glorioso filho com trissomia (uma coisa, inevitável talvez, era assumir que o tinha, outra é ir ao pormenor de dizer que sabia pela análise pré-natal que o ia ter) e com aquela cena da 'escolha' da filha (que a shyz tão bem decompõe). mas custa-me sempre ver a facilidade com que toda a gente se sente legitimada a falar destas coisas, porque outros falaram. não sei como resolver o assunto, é certo, mas parece-me que we could put up a bigger/better fight.

Uma boa pergunta

Escreve Robert Reich, ex-Secretário de Estado do Trabalho da administração Clinton e actual apoiante de Obama, no seu blogue:
Sixteen years ago, Bill Clinton’s “vetting” team asked me and other prospective cabinet members for (1) our tax returns, going back at least five years, (2) our bank records, (3) a detailed listing of our assets, (4) the names and places of everywhere we had lived, and the names and phone numbers of neighbors whom they could call about us, (5) a description of every job we had ever had, every client we had ever served, and the names of employers and clients with whom they could check, (6) the names of our family members, their ages, their occupations (if any), (7) a description of any civil or criminal investigations or prosecutions in which we had been involved (8) and – perhaps most importantly – “anything we should ask you about, the answer to which might cause you or the administration any embarrassment.”

It didn’t stop there. Investigators checked our answers, interviewed our friends and neighbors and former employers, asked for more records if uncertain. Agents from the Federal Bureau of Investigation did their own background checks. Staff members of the relevant congressional committees, representing both parties, looked over the files and added questions of their own.

It didn’t even stop there. I recall two large, three-ring black binders containing passages from books and articles I had written that might prove troubling to some of the Senators. My vetting team suggested I be prepared to answer questions about them.

The process took well over a month, not including the Senate confirmation hearing. I don’t recall doing anything during that interval except responding to questions from the vetting team, the FBI, and oversight committee staffers, both Republican and Democrat.

Do you believe Sarah Palin was put through anything remotely like this before John McCain decided she would be his vice presidential candidate, and possible President of the United States?

E vocês, o que vos parece?

Sem comentários

Sobre a primeira página de hoje do "jornal" Público, que aqui não reproduzo nem linko, não consigo tecer quaisquer comentários. Há coisas que nos deixam sem palavras. Este é, portanto, um não-post.

Também palino, afinal também sou filha de deus...

A partir do momento em que os interessados fazem declarações públicas sobre o tema os meus tradicionais pruridos (em misturar vida pública e privada) atenuam-se ligeiramente. Não o suficiente - Deo Gratia! ou, como diria a Palmira, Ateo Gratia ;-) - para fazer juízos de moral sobre os factos, limitar-me-ei a a um pequeno apontamento. No comunicado em que anunciaram a gravidez da filha, Sarah Palin e o marido, escreveram "We’re proud of Bristol’s decision to have her baby and even prouder to become grandparents". Impressão minha ou nesta frase está implícito o direito à escolha - uma decisão implica-o, não? -  que a senhora tão diligentemente combate? Lembra-me velhas histórias, "(...) a minha filha é um caso diferente". Adenda: tinha deixado de ligar muito à campanha eleitoral americana quando o Huckabee desapareceu (e com ele a fun toda) porque estou longe de ser uma entusiasta de Obama mas com a escolha desta senhora renovei o interesse e, como a Palmira, com jeito até me torno num Rui Tavares em ponto grande.

Apelo à razão e ao coração

«Não compensa assaltar postos de combustível À saída da reunião presidente da ANAREC, Augusto Cymbrom, afirmou que «não compensa assaltar bombas de gasolina», já que estas «têm muito pouco dinheiro disponível». O responsável apelou ainda aos assaltantes para que se recordem que «além de prejudicarem a empresa detentora do posto estão a pôr em causa postos de trabalho». «Deixem de assaltar e vão trabalhar que é melhor», disse Augusto Cymbrom. [Portugal Diário]

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