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Memorabilia Adolescente

Andava eu, alegremente, procurando o Hino da Mocidade Portuguesa (buscas porno quem as não faz?) quando voltei a encontrar um blog de que tinha perdido o rasto no desarranjo intestinal de um dos meus defuntos computadores (defunto, não, zombie, zombie), o Coisas de outros tempos. É um blog com piada para quem, como eu, tem a mania de vasculhar em "baús" (felizmente sou pouco dada a alergias). Começo a passear pelos posts e, pelo meio, encontro a imagem que acompanha este texto. Assim que lhe pus os olhos em cima deixei de responder por mim e lá fui eu, de novo, como que transportada até ao Cinema Império, algures por finais da década de 70, onde vi algo que me marcou... a mim e, aposto, a quase todos os meu contemporâneos geracionais. Quem conseguiu ficar indiferente ao furor indiano que se abateu por, pelo menos, Lisboa naquela altura? Ainda hoje perduram no meu imaginário mais romântico imagens "fantabulásticas" que o Youtube me permite partilhar com todos vós. É só seguir o link... Tal como da primeira vez em que falei do assunto num blog, não posso deixar de relembrar aqui o som que todos os que passámos pela experiência inolvidável de ter visto o Bobby associamos às imagens. Tenho a certeza que a Inês me vai voltar a agradecer o dia em que, há uns quantos anos e graças aos bons ofícios do Paulo, teve oportunidade de conhecer esta pérola musical (post revisto e ligeiramente modificado, publicado inicialmente noutro antro).

Já demos

Kenichi Ohmae, no Financial Times de hoje:

The only way to get this kind of money is for the US to ask for donations, not only from its taxpayers, but from those who have piled up dollar-denominated instruments around the world. China has $ 1,500 bn in foreign dollars, mostly in US dollars. Japan can contribute $ 1,000 bn. Taiwan and Russia could come up with $500 bn each and the oil rich Gulf countries could easily support Uncle Sam with $2,000 bn. We could ask the European Union to contribute the same amount.

Um embaraço para o país

Embaraçosa notícia no Jornal de Negócios de hoje:

A New York Stock Exchange (NYSE) está a ter dificuldades em encontrar pessoas que queiram tocar o sino de abertura e encerramento da sessão devido ao agravamento da crise financeira. A abertura da última sessão – a primeira depois do Dow Jones ter registado a maior queda pontual de sempre (menos 778 pontos) foi assinalada por um operador anónimo da bolsa de Nova Iorque, noticiou o “New York Times”. A actriz Missi Pyle, protagonista do filme “Galaxy Quest”, recusou o convite para tocar o sino de encerramento da sessão. Na semana passada, a abertura da sessão da bolsa de Nova Iorque foi assinalada pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Era o que mais faltava...

...a situação económica actual ser dominada por 'Principes de Salina'. Não podemos mudar para que tudo fique na mesma. Temos de procurar quebrar o ciclo vicioso actual, acreditando que  existe a possibilidade de uma prosperidade partilhada fora da cartilha liberal que nos têm tentado vender. Há quem avance com propostas concretas aqui

Uns e outros, a mesma cegueira ideológica

Durante anos ouvimos dizer que o que se passou nos países ditos comunistas não era o verdadeiro socialismo; agora assistimos (curiosamente) a outros que dizem que o verdadeiro liberalismo nunca existiu. A lógica das duas posições é semelhante. Formalmente – repito, formalmente –, os dois grupos não se distinguem assim tanto, pois agarram-se de forma irredutível ao seu fetichismo ideológico. O zelo dogmático é a única forma conhecida de termos sempre razão.

A festa

Rui Ramos repete hoje no Público o seu argumento (ver síntese aqui) de que não temos nada que nos queixar das presentes agruras financeiras, porque, enquanto durou a festa, todos ganhámos com isso. Ora eu não sei de que festa fala Rui Ramos, porque, comparando os últimos 30 anos com os 30 anos que os precederam: 1. O PIB per capita cresceu menos nos países da OCDE 2. O desemprego aumentou permanentemente para níveis mais elevados 3. As desigualdades económicas e sociais atingiram níveis inauditos desde o período anterior à 2ª guerra mundial Logo, se houve festa, a maioria de nós não foi decerto convidada.

A sombra de um economista

Fiquei incrédulo ao ouvir Campos e Cunha proclamar ontem na SIC-Notícias que a presente situação financeira mundial e o consequente aumento dos juros obriga a repensar os investimentos públicos programados, designadamente o novo aeroporto de Lisboa e o TGV. É exactamente o contrário: o crescente diferencial entre as taxas de juro a que o Estado hoje consegue financiar-se em comparação com as exigidas às empresas recomendaria que projectos que estava previsto serem entregues à iniciativa privada sejam antes assumidos pelo sector público, pela simples razão de que, assim, ficarão muito mais baratos.

É claro, porém, que a opinião de Campos e Cunha não resulta dos novos condicionalismos financeiros que invoca em favor do seu argumento. Ele sempre foi contra o investimento público e, em particular, contra os projectos em causa, razão que, aliás, alegou para sair do governo na primeira curva da estrada. E isso porque Campos e Cunha é um dos daqueles financeiros de visão estreita incapazes de pensar uma estratégia de desenvolvimento para Portugal. Talvez ele tenha ouvido dizer que o turismo é a primeira actividade económica do país, e é possível que alguém lhe tenha feito notar que o turismo algarvio só arrancou depois de construído o aeroporto de Faro. Somando e um e um, acredito ser viável fazê-lo entender que Lisboa - presentemente a nossa principal região turística - não pode desenvolver-se com um aeroporto que, nos rankings internacionais de satisfação dos passageiros, compete directamente com o de Bombaim. Campos e Cunha (como Ferreira Leite, aliás, de quem parece ser ministro sombra) não se rala com minudências dessas. Não há dinheiro, e pronto: o resto, ou seja, o desenvolvimento da economia portuguesa já não é da conta dele. Esta atitude é aceitável num mero professor de Economia, mas não num ex-Ministro das Finanças com pretensões a líder de opinião. Um ministro sombra ou a sombra de um economista? Decidam vocês.

Parabéns à CGTP

A jornada de luta da CGTP contra o Código de Trabalho mobilizou exclusivamente sectores laborais que não são afectados pelo Código de Trabalho. Já não se percebe bem se a CGTP é afecta ao PSD ou ao PCP. Se o ridículo matasse...

Entre muitas outras coisas, parece que Palin também é uma espécie de Chavez da Direita

It’s no wonder that Palin’s approval rating stands at more than 80 per cent in her home state: populist leaders are rarely able to reward their constituents with lavish contributions to their personal bank accounts, and there’s nothing like money for making people feel generously bipartisan. (Imagine how the polls might change if every family in Britain received a cheque for a little over £7000, personally signed, as it were, by Gordon Brown.)

Artigo da London Review of Books sobre a carreira política de Palin.  Recomendo-o a todos, mas sobretudo àqueles que tendem a romantizar (relativizar?) os small town values e as tradições democráticas americanas dos common folks.

"Flash Mob" pelo acesso ao casamento civil

Quinta-feira, 2 de Outubro, às 19h30, em frente à pastelaria "A Brasileira" Quarta-feira, 8 de Outubro, às 19h30, na Praça do Rossio O que é uma "flash mob"? São multidões de pessoas, num sítio público, que realizam uma acção previamente combinada e que devem dispersar por completo após a realização do proposto. Que devo fazer? Levar uma folha em branco e uma caneta. Às 19h30, escreves na folha em branco "Acesso ao Casamento Civil" e, de seguida, ergues a folha para que possa ser lida por todos. Ao fim de um minuto dispersas, como se nada tivesse acontecido.

De regresso à terra

In sum, there are some principles worth fighting and dying for. But the “freedom to fail” damn sure isn’t one of them. I’m as much a limited government guy as the next fellow, but let’s not pretend that we live in some libertarian utopia in which the state has no role in the market. As Edmund Burke once observed, albeit in a radically different context, there is “a limit at which forbearance ceases to be a virtue.” At that limit, the state properly steps in. When the risk of the entire economy going down the tubes is as high as it is at the moment, preservation of ordered liberty requires state intervention. (aqui)

Existe uma alternativa a este 'pragmatismo', mas implica acreditar que para além do mundo empírico em que vivemos existe uma realidade redentora, pura e intocada, à espera de ver a luz do dia. Eles existem à esquerda e à direita—são pessoas que garantem à pureza dos seus ideais subtraindo-se à realidade existente. São aquilo a que Hegel chamou 'almas belas'. E ou são politicamente irrelevantes ou politicamente perigosos.

O exemplo de John Gray

(...)There has been a good deal of talk in recent weeks about imminent economic armageddon. In fact, this is far from being the end of capitalism. The frantic scrambling that is going on in Washington marks the passing of only one type of capitalism - the peculiar and highly unstable variety that has existed in America over the last 20 years. This experiment in financial laissez-faire has imploded.While the impact of the collapse will be felt everywhere, the market economies that resisted American-style deregulation will best weather the storm (...)The irony of the post-Cold War period is that the fall of communism was followed by the rise of another utopian ideology. In American and Britain, and to a lesser extent other Western countries, a type of market fundamentalism became the guiding philosophy. The collapse of American power that is underway is the predictable upshot. Like the Soviet collapse, it will have large geopolitical repercussions (...) Having created the conditions that produced history's biggest bubble, America's political leaders appear unable to grasp the magnitude of the dangers the country now faces. Mired in their rancorous culture wars and squabbling among themselves, they seem oblivious to the fact that American global leadership is fast ebbing away. A new world is coming into being almost unnoticed, where America is only one of several great powers, facing an uncertain future it can no longer shape. John Gray, no Guardian

Apesar do que parecem fazer crer alguns especialistas, o significado da situação actual transcende em muito a economia (e a ciência política, já agora). Não podemos lidar com actual situação como se se tratasse de um mero problema técnico passível de ser reajustado através da manipulação de umas quantas variáveis. Isto não é uma questão de 'modelos'. Precisamos de uma reflexão profunda sobre a ideologia que continua a estruturar a forma de entender o mundo—e isto aplica-se não só à direita mas tambem à esquerda. John Gray fê-lo há muito tempo, e transformou-se numa espécie de Schopenhaueriano moderno, com uma visão de mundo irracionalista e profundamente pessimista. Discordo de muito daquilo que ele escreve, mas admiro-o pela coragem e honestidade intelectual (e pessoal). Se existe alguém que procurou pensar o mundo em que vivemos, abandonando certezas e ideologias do passado, foi Gray. Temos de fazer algo semelhante. E espero sinceramente que seja possível chegar a conclusões diferentes.

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