Um tal de Mascarenhas (que escreve num blogue que eu julgava extinto) já se dedicou (gratos!) a ajudar-nos a escrever o livro de estilo da jugular. Foi ao dicionário (que é o que se faz quando não se conhece uma palavra) e procurou por Jugular. Encontrou "debelar, extinguir, decapitar, assassinar". Termina presumindo que não seria essa a nossa intenção. Não podia estar mais errada, a presunção.
mistério insondável que há muito me atormenta: por que raio usam as mulheres aquelas alças de soutien de plástico transparente que se vendem à porta do metro, meia dúzia a cinco euro, e cuja função declarada é fingir que a pessoa não tem soutien quando toda a gente vê que tem? quem terá inventado esta das alças que faz de conta que não se vêem mas que se vêem perfeitamente, e que chegam a ser ostentadas com vestidos ou tops cai-cai, tipo, eu tou aqui a usar uma peça que é para usar sem soutien mas com soutien sem ninguém reparar?
a cena das alças do soutien que se finge que são invisíveis, como se o desejo de ilusão do próprio iludisse os outros, é assim a modos que as estratégias que se vêem claramente -- ó tão claramente -- mas cujos autores insistem em fingir que não existem. há casos, até, em que querem fazer crer que pelo contrário, estratégias têm os outros. naturalmente, toda a gente tem estratégias. nem todas passam, porém, por tortuosas e sonsas formas de fazer dos outros parvos e até papões -- nomeadamente quando o não são.
presumo que estas coisas se devem aprender em sítios sortidos, incluindo aquele tipo de organizações em que conceitos como 'verdade instrumental' fazem sentido e são respeitáveis e se ganham prémios e prebendas quanto mais se aprimorar a sonsice. aquelas organizações das quais nunca se sai mesmo depois de ter saído, tipo tira-se a pessoa da organização mas não se tira a organização da pessoa. é pena -- mas alguém tem de dizer isto: as alças vêem-se. a estratégia não resulta. pode haver quem finja que não vê, e sobretudo a quem convenha fingir que não vê e quem não diga que vê por cálculo, cortesia ou desinteresse. Pode haver mesmo quem não veja de todo, porque há quem não veja nada e quem não veja o que não quer ver. mas será que acreditam mesmo que a maioria das pessoas não vê?
As medidas anunciadas no novo Orçamento do Estado "para dinamizar o mercado do arrendamento" - um alargamento da possibilidade de desconto, em sede de IRS, do valor das rendas por parte dos inquilinos e a hipótese, para quem efectue obras de reabilitação em imóveis para arrendar ou em casas arrendadas, de isenção de IMI assim como de uma tributação reduzida de IRS - só podem ser vistas como um reconhecimento de que a chamada lei das rendas (o Novo Regime do Arrendamento Urbano, ou NRAU) não serviu para nenhum dos objectivos propalados à época da sua aprovação e entrada em vigor (Setembro de 2006).
De facto, como poderia um diploma que zela para que seja praticamente impossível a um senhorio que recebeu décadas de rendas baixíssimas aumentá-las para valores razoáveis e tendentes a ressarci-lo de prejuízos acumulados e que, além disso, obstaculiza ao máximo o fim dos contratos de arrendamento criar qualquer movimento no mercado? Como pode uma lei que caso haja más condições de conservação dos imóveis obriga o proprietário a fazer obras antes de aumentar as rendas (sendo que o valor das obras, ao contrário do das rendas, não foi sujeito a congelamento durante décadas e portanto implicará gastar o que jamais será possível recuperar) incrementar a reabilitação? Quem é que poderá estar interessado em investir para (continuar a ) perder dinheiro?
O NRAU não se limita, porém, a prolongar o regime de excepção e privilégio que faz dos inquilinos com arrendamentos anteriores a 1990, independentemente dos seus rendimentos, uma espécie protegida e dos senhorios correspondentes os seus reféns. Chega ao ponto de, no seu delírio de protecção, permitir que os arrendatários por ele abrangidos tenham direito, em situações rigorosamente idênticas de rendimentos do agregado e de valor da renda, a subsídios de renda bastante mais elevados que os previstos no regime geral da Segurança Social (para quem não saiba, é o regime existente para pessoas que efectivamente têm dificuldade em pagar as rendas). No âmbito do NRAU são até elegíveis para subsídio agregados com rendimentos até cinco salários mínimos mensais, ou seja, mais de 2000 euros - basta que o arrendamento esteja em nome de alguém com mais de 65 anos. Que conceito de justiça social justificará isto?
Numa altura em que se discutem as rendas "incrivelmente" baixas das casas da Câmara de Lisboa, um diploma com três anos atenta olimpicamente contra o princípio da igualdade. E, já agora, da racionalidade: como pode um Governo dizer que quer incrementar o mercado de arrendamento quando mantém em vigor uma lei que decreta a perseguição e o sacrifício dos senhorios? Não é preciso decerto ser constitucionalista nem sequer jurista para perceber que estamos perante uma aberração jurídica. O NRAU é uma obscenidade em forma de lei, uma lei que rende injustiça. E se nunca é tarde para reconhecer erros, a sua revogação virá sempre tarde de mais.
A partir de agora, vamos jugular Ana Matos Pires Fernanda Câncio Inês Menezes João Galamba João Pinto e Castro Maria João Pires Palmira F. Silva Paulo Pinto Rogério da Costa Pereira Juntam-se a nós a Maria João Guardão, Miguel Vale de Almeida, o Vasco M. Barreto e o Paulo Côrte-Real
"Os jovens com melhores conhecimentos na área começam com maior segurança a sua actividade sexual, dizem ter menos medo e maiores graus de satisfação durante a sua primeira experiência e são também os que menos vezes se sentem pressionados a iniciar a sua actividade sexual, diz Duarte Vilar, sociólogo e presidente da APF, confirmando-se pela primeira vez num estudo português uma tendência que já tinha sido encontrada em estudos internacionais, nota. " in Público, 17.10.2008, p.14 (bolds meus) P.S. - "A seguir aos amigos, a mãe é a pessoa com quem os jovens mais conversam sobre sexualidade. A seguir estão o namorado(a), os professores, o pai e, no final, os profissionais de saúde, constata o estudo A Educação Sexual dos Jovens Portugueses. ", lê-se também no Público, se calhar isto explica o porquê das vozes mais críticas em relação ao meu primeiro post terem sido masculinas e não abona muito em favor dos pais portugueses. Aliás, desde o início da discussão o que me espantou foi o grau de ignorância sobre o que se passava com os adolescentes que transpirava dos comentários feitos.