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jugular

Trabalho infantil

O meu filho aprendeu uma nova habilidade, que vem reinventando desde há cerca de dois meses. Contextualizando a coisa: o puto adora comer, venera a comida e até inventou uma cantoria para a hora da refeição. Na sua forma mais recente reza, com propriedade o digo, mais ou menos assim: papa-ah-ah-ah, papa-ah-ah-ah, papa-ah-ah-ah. E a coisa termina quando a primeira colher lhe chega à boca. Findo o prato principal, e nos escassos momentos que o separam da sobremesa, recomeça: papa-ah-ah-ah, papa-ah-ah-ah, papa-ah-ah-ah.

 

Agora, aproveitando que está na idade mata-borrão, ando a ver se o ensino a dizer sumo-pontífice-yé-yé, na hora de pedir líquidos. 

 

E será a glória. Patenteio-o, levo-o para o Vaticano e é só aguardar a graça dos fiéis.

Citação maldosa?

Só pode ser uma citação maldosa, esta com que termina o perfil da ministra da educação no caderno 2 do Público: «Garante, contudo, que também tem tido bons momentos. “Muitos.” Pede-se-lhe que partilhe um. “Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: ‘Quando for grande, vou inscrever-me no PS.’ É tocante.”» É que se não for maldosa então qualquer coisa de muito estranho já aconteceu à cabeça de toda a gente: da criança, da ministra e até da jornalista.

"De quem é esta canção?"...

...é o título de um documentário que acabei de ver descrito no Le Courrier des Balcans. Pus-me à procura de mais informação e, de preferência, de imagens porque o pequeno resumo aguça a curiosidade.

 

Quelle ne fut la surprise d’Adela Peeva de découvrir qu’une chanson qui avait bercé son enfance et qu’elle croyait bulgare était également chantée en Grèce, en Macédoine, en Turquie, en Serbie et en Bosnie.

Voulant en savoir plus, et animée par l’espoir naïf que cette chanson pourrait servir de trait d’union entre ces peuples, elle sillonne l’aire balkanique, sollicitant musiciens, chanteurs ou experts reconnus. D’Istanbul à la Bulgarie, en passant par l’île grecque de Lesbos, Korcë (Albanie), Sarajevo, Skopje, Vranje (Serbie), Adela Peeva va retrouver sa chanson mise à toutes les scènes. Le rythme est toujours le même, mais les paroles changent du tout au tout : la belle chanson d’amour grecque, turque, albanaise ou bosniaque, peut aussi devenir marche militaire ottomane, chanson de djihad, ou encore chanson de ralliement des nationalistes bulgares en lutte contre ces mêmes ottomans.

Si Adela Peeva ne découvre pas l’origine véritable et incontestable de la chanson, ce périple lui aura appris, en revanche, comment l’innocente chanson de son enfance était devenue ici ou là l’instrument d’un nationalisme exacerbé, si ce n’est fanatique.

o segredo dos jornalistas

Está em vigor há pouco mais de dois meses o novo estatuto disciplinar dos jornalistas, que confere à Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, cuja principal actividade constituiu até agora a cobrança do valor do título bianual a que o nome se refere, competências de foro disciplinar, podendo, em casos mais graves, decretar a suspensão da actividade profissional até 12 meses. Apesar desta alteração das funções da Comissão, o seu site na Net mantinha-se, até ontem, igual ao que foi nos últimos anos. Na secção da legislação, o Estatuto de Jornalista consultável é o de 1999 e mesmo o Estatuto Disciplinar não se vê em lado algum. Qualquer cidadão que lhe aceda em busca de indicações para a elaboração de uma participação ou de informação sobre quais as faltas deontológicas de que se pode queixar fica na mesmíssima.

O simbolismo desta incapacidade de comunicação do organismo que tem por função representar e reger os profissionais da comunicação parecia já demasiado caricatural, mas um telefonema com o objectivo de perceber o motivo destas insuficiências alcança um novo patamar de absurdo. O funcionário que atende, e que se afirma capacitado "para responder a dúvidas", não sabe afinal responder a nada. E quando lhe perguntam onde é contactável o presidente da Comissão, o juiz Pedro Mourão, responde "isso é sigiloso", esclarecendo: "A chefe dos serviços administrativos deu ordens para não dar informações sobre o paradeiro dos membros da Comissão." Perante a perplexidade algo irritada da jornalista, que lhe lembra que a Comissão é um organismo público e que é normal um jornalista poder saber onde podem ser contactados os seus membros, o funcionário passa para outra funcionária, apresentada como "a jurista da Comissão". Junto desta é afinal possível saber que o juiz em causa é do Tribunal da Relação, que o site está "realmente muito desactualizado" e que a Comissão já está a receber participações ("Aliás, já recebia, apesar de não ter competência para as apreciar"). Mas a informação sobre o número das participações entradas desde Setembro é - adivinharam - "sigilosa", porque "o estatuto diz que o procedimento é sujeito a sigilo". Explicar à jurista que o procedimento ser sujeito a sigilo não implica que o número de procedimentos seja sigiloso é inútil, como fazer entender a quem passa a conversa a perguntar "mas afinal o que é que deseja", que se pode desejar informação sem mais objectivo que a informação em si e que é isso, imagine-se, o jornalismo - aquela "coisa" que justifica a existência da Comissão.

Claro que um jornalista deparar-se, ao questionar a "sua" Comissão, com tal impenetrabilidade - aquela com que se atém ao contactar os mais variados organismos portugueseses, num país em que tudo é, exasperantemente, "segredo" - é apenas de uma impagável ironia. Mas descobrir que "nestes oito anos de funcionamento da Comissão nunca um jornalista questionou o seu modo de funcionamento" é um bocado mais que irónico. É triste.

 

(publicado hoje no dn)

100 anos não deixam ninguém indiferente

Já que (ou enquanto?) os antropólogos da casa não se chegam à frente, assinalo eu o centenário de Claude Lévi-Strauss, aproveitando para fazer a minha tradicional sugestão pré-fim-de-semana.

Réflexion Faites consiste num cojunto de entrevistas, realizadas em 1988,  a Lévi-Strauss e a outras personalidades de várias áreas do saber (Jacques Le Goff, Pierre Bourdieu, etc.) que nos ajudam a pensar a importância de Lévi-Strauss e do estruturalismo.

Esta é a primeira parte, as seguintem encontram-se aqui.

...de alecrim e manjerona

De vez em quando lá aparecem. As dúvidas existenciais acerca dos nomes e de uma suposta forma correcta de pronúncia e de escrita. Os portugueses escrevem mal, os noticiários estão cheios de erros, as traduções televisivas dão calinadas a toda a hora, mas que importa isso? O que importa é saber "qual é a forma correcta". Existisse internet e blogosfera em 1979 e andaria tudo em polvorosa à conta de Pequim e de Beijing. Depois disso veio Aceh/Achém (que ninguém usou, diga-se), Sumatra/Samatra e, mais recentemente, Myanmar/Burma/Birmânia. Agora é a vez de Mumbai/Bombay/Bombaim.

 

O planinho Barroso

1. Mobilizar verbas equivalentes a 1,5% do PIB europeu pode parecer muito. E seria de facto muito, se se desse o caso de nos encontrarmos perante uma recessão comum. Mas não estamos: a paralisia do sistema financeiro ameaça bloquear o funcionamento da economia mundial, algo que, a esta escala, não sucedia há quase oitenta anos.

2. Pior ainda: desses 1,5%, apenas o equivalente a 0,3% resultam de iniciativas da própria Comissão. O resto provém da mera agregação de medidas tomadas ao longo das últimas semanas pelos maiores países da União. Mais uma vez, as instituições que governam a UE demonstram escassíssima capacidade autónoma de actuação.

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