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jugular

Apelo

Há já algum tempo que sou membro da Aegis, uma organização de prevenção de genocídios e crimes contra a humanidade. Recebi há dias um apelo que deixo a todos os leitores da jugular. Transcrevo apenas o início, podem contribuir lendo o restante. Não deixem de ver o clip exclusivo do documentário 'The Perpetrators Speak Out'

 

We've filmed some of the perpetrators involved in mass atrocities in Darfur. It's the first time that they've told their stories together. Between them they took orders from Khartoum, paid and supplied weapons to the janjaweed, organised attacks, and killed men, women and children. We need funding to translate their stories into Arabic, French, Chinese and other languages so they can tell the world what they did. Even a few pennies will help.

Semana BD I

O Festival de Angoulême é o pretexto para esta "Semana BD" e a crónica de Daniel Sampaio de ontem na Pública o pretexto do post do dia.

 

A propósito do "Formar Leitores..." Daniel Sampaio escreveu «Houve tempos, no início da adolescência, em que só me interessava por banda desenhada ou imprensa desportiva. (...) A minha mãe, sempre grande leitora, outrora encantada com a minha leitura compulsiva das histórias tradicionais "contadas às crianças" por Leyguarda Ferreira, dos livros dos Cinco ou do devorar das aventuras de Sandokan, o Tigre da Malásia, andava agora inquieta: "O menino não lê nada!" Ao que o meu pai, mais sereno, depressa respondeu: "Vais ver que o miúdo depois muda, é da idade, depois lerá outras coisas..." E os dois ficaram contentes quando eu passei do Michel Vaillant para os livros policiais(...)».

 

Poucos livros há que exemplifiquem, de forma tão clara, aquilo que escrevi noutro dia quando falei da mesma iniciativa, como os de Michel Vaillant. Por alguma razão me serviu de inspiração para um post intitulado "Das bostas que também fizeram a nossa adolescência e um quiz". É esse post e esse quiz que trago para aqui agora.

 

 

Consumir tudo o que vem à rede deve ser típico da adolescência (e ainda bem que assim é, só o consumo de muita e variada merda nos apura o gosto) e aplica-se também na BD. Esta imagem faz parte de uma colecção de livros que papei completa. Os rapazes da minha outra tasca (mais um que outro, é bem verdade) têm a mania dos enigmas e dos quizes. Apetece-me imitá-los. Descobrir que colecção é esta é demasiado fácil, daí ter decidido complicar um bocadinho mais o jogo. Saber o título deste livro em particular e, se possível, descrever a imagem que se segue a esta já torna o desafio ligeiramente mais interessante (apesar de continuar mais que acessível).

Uma crise esquecida

No momento em que inicio este post, Fernando Nobre descreve na Sic Notícias o que , em sua opinião, é o combustível da guerra na República Democrática do Congo*, uma guerra que dura há quase dez anos, mais concretamente desde o dia 2 de Agosto de 1998. O médico sem fronteiras informa que este conflito ignorado já fez mais de 5 milhões de vítimas e escravizou inúmeras outras, muitas delas crianças, as principais vítimas desta guerra. Segundo um relatório de 2008 do International Rescue Committee, continuam a morrer por mês cerca de 45 000 pessoas em consequência de mais um conflito que não faz primeiras páginas.

Angoulême 2009

Blutch acabou de receber, há poucas horas, o Grande Prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême. Na edição do ano passado também  tinha sido um dos nomes mais falados, devido à sua participação no projecto colectivo de animação, Peur(s) du Noir (que tem página no myspace mas estou com preguiça de procurar).


Peur(s) du noir
Uploaded by dailyouifm

 

(trailer do filme em inglês para os inúmeros francófobos e - adenda - artigo do Le Monde à laia de síntese da edição do festival  "Le festival de la BD d'Angoulême récompense la nouvelle génération")

Sugestão de fim-de-semana

Um pouco mais atrasada do que costume (a saúde não tem abundado por aqui, malditos vírus!), e porque o dia chuvoso convida a reclusões, hoje trago para aqui a sugestão, não de um documentário, mas da leitura de um texto - longo - que Diana Andringa foi publicando, durante a  semana, no Caminhos da Memória sobre um tema que raramente é discutido, o "Falar na Polícia" Começa assim:

 

Nos quarenta e oito anos que mediaram entre os golpes militares de 28 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974, milhares de oposicionistas à ditadura passaram pelas prisões do regime. Republicanos, anarquistas, comunistas de diferentes tendências, ali foram, muitas vezes, torturados, a fim de revelarem o que sabiam sobre as organizações em que militavam, e contribuir, assim, para o seu desmantelamento. 

Nesse jogo de gato e rato que se travava entre a polícia política e os oposicionistas - com destaque para os comunistas - muitos foram os que, por vezes muito jovens ainda, se viram confrontados com a incapacidade de resistir à tortura. 

Para lá de dar à polícia a possibilidade de provar, em tribunal, o seu envolvimento numa organização proibida, “falar” [1] tinha para o preso duas consequências muito mais graves: a prisão de outros militantes que iriam, por sua vez, ser sujeitos à tortura e a quebra do vínculo político, acompanhada do ostracismo dos antigos “camaradas”. 

Os exemplos daqueles que, isolados, humilhados, espancados, submetidos a dias seguidos de privação de sono ou de tortura da “estátua” [2], resistiram, não bastam para ocultar o facto de que muitos foram aqueles que cederam a prestar declarações, e que carregam, deste então, o peso desse acto.

Vitórias precisam-se

«E voltamos ao princípio: a luta pelo poder nas instituições de Estado não só não dispensa os movimentos sociais como precisa deles se quiser mudar alguma coisa. Estamos perante uma pescadinha de rabo na boca: a política institucional precisa da pressão, do apoio e da energia dos movimentos sociais e os movimentos sociais precisam de vitórias, precisam de correspondência no poder institucional, precisam de reformas que mudem. As pessoas precisam de acreditar que pode ser diferente. Precisam que alguma coisa fique melhor. Precisam de esperança. Porque ela é a condição para vencer a injustiça. Quem se limita a acumular forças vive, enquanto a opressão marca o quotidiano da maioria, numa ilusão egoísta. Não acumula nada. É só o tempo a passar. Porque quem não quer contar, não conta.”»

Ao contrário da maioria dos comentários a este texto do Daniel Oliveira, eu concordo em absoluto. Sempre concordei, aliás.

[também postado aqui]

Nem era preciso ser bruxa...

... para adivinhar que uma noticia de ontem ia ter reacções como a de Paulo Marcelo no Cachimbo de Magritte. Relembro, para os mais distraídos, uma das frases do "post sintese" do Sim no Referendo, blogue onde participei com, entre outras pessoas, alguns jugulares "Votar Sim é dar o primeiro, o único passo para eliminar ou reduzir drasticamente o aborto clandestino em Portugal.". Relembro também que um dos grandes motes dos que lutaram pela despenalização do aborto foi "Tornar o aborto clandestino mais raro". Qual é a parte do mais raro e do reduzir drasticamente que o Paulo Macedo não percebe? Se quiser até posso partilhar consigo uma reflexão que escrevi em 28 de Fevereiro de 2007 e que me parece que não é despropositada.

 

Aquilo que li hoje sobre a proposta de lei sobre o aborto agradou-me. Parece-me que estamos em presença de uma proposta sensata e equilibrada. A minha única grande torcidela de nariz diz respeito às condições impostas às IVGs praticadas por menores. Por representantes legais entende-se, salvo raras excepções, os pais, ora todos sabemos que muitas (a maioria, atrevo-me a dizê-lo) das adolescentes que recorre ao aborto fá-lo sem informar os pais de tal decisão. Num país tremendamente conservador como o nosso o diálogo franco entre pais e filhos sobre sexualidade é algo praticamente inexistente. Aliás, a maioria dos pais recusa-se ("acefalamente", digo) a aceitar a sexualidade adolescente como algo normal. Por estas razões, e mais umas quantas, é que me parece que a solução legislativa francesa é bem mais interessante e afasta meeeesmo este tipo de situações da clandestinidade. Em França há sempre um adulto responsável que acompanha o processo mas não é, forçosamente, pai ou mãe, pode ser um familiar, um professor...
Ah! É também pelas razões que apresentei acima que mantenho algo que já aqui afirmei antes: a escola tem um papel FUNDAMENTAL a desempenhar na educação sexual e no planeamento familiar... mesmo à revelia dos pais.

(declaração de interesses: s
ou mãe de uma adolescente e de um pré adolescente, por isso dispensam-se bocas do estilo "Queria ver se gostavas de não ser informada caso tivesses filhos")

 

E mais outro de Outubro de 2007:

 

Parece-me demasiado prematuro tirarem-se conclusões como as da Marta Rebelo, a propósito do número de IVGs feitas em Portugal. Infelizmente os muitos anos de clandestinidade criam "vícios" e ainda hoje, alguns meses depois da lei regulamentada, o "bouche à l'oreille" ("estou grávida, ajuda-me, conheces alguém...?") continua a persistir. Inevitavelmente haverá algumas - cada vez menos - IVGs que, assim, continuam a não entrar na "contabilidade oficial". Penso que acontecerá em Portugal o mesmo que noutros países... depois de um número abaixo do previsto, haverá um salto para os números expectáveis (que estatística e acriticamente será olhado pelos adversários da despenalização do aborto para proclamar o "aumento exponencial provocado pela lei").

Especial altruísmo

É possível observar noutras espécies comportamentos sociais que evocam alguns dos tradicionalmente imputados a uma característica única dos humanos.  De facto, estudos comparativos entre o comportamento social humano e o de primatas não humanos, se por um lado revelam traços comportamentais que nos distinguem, por outro lado revelam igualmente semelhanças impressionantes. Ou seja, a primatologia evidencia que os primatas não humanos apresentam padrões de sociabilidade onde se podem reconhecer a empatia, a reciprocidade e a simpatia, o altruísmo, a obediência a normas sociais - que incluem evitar conflitos dentro de um grupo -, o tratamento especial de inválidos e de doentes, entre outros elementos que tínhamos reservado para um dos nossos comportamentos mais específicos: o comportamento «moral».

 

O altruísmo em particular, tema recorrente de debate entre o Vasco e o João (Galamba), parece ainda  ser exibido por organismos completamente insuspeitos de tal coisa, como bactérias.

.

No final dos anos 80 alguns dados experimentais referentes a comportamentos inesperados de bactérias intrigavam os cientistas. As bactérias, organismos unicelulares muito «simples», apresentavam comportamentos que implicavam a existência de «consciência social» e inclusive apresentavam comportamentos altruístas em prol da comunidade bacteriana.

 

Como não, senhor bastonário?

A comunicação de más notícias, ao próprio ou a familiares, é dos momentos mais complicados e difíceis da actividade clínica - além de humanamente compreensível, está documentado na literatura médica. Como parte integrante da relação médico-doente é um tema abordado durante a formação pré-clínica - de modo insuficiente, concedo - e muitas (demasiadas) vezes esquecido numa fase posterior da formação do médico.

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