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jugular

Politicamente correcto mesmo

 

O programa “Aqui e Agora” da SIC. Sobre o sexo em Portugal. Com sexólogos em estúdio. A conversa foi sobre “o homem” e “a mulher” e “o casal”. Sempre implicitamente hetero. Sem nunca se dizer - que eu tenha ouvido, mas espero (desejo) estar errado - que esse era o objecto da discussão (um debate sobre heterossexualidade? Não me parece…). No entanto não custa, quando se fala de sexo e sexualidade, acrescentar a variável da orientação sexual à do género. É um pequeno esforço, um pequeno acrescento. Com grandes consequências. Marta Crawford fazia-o no seu programa e não custa nada.

 

PS: há dias sugeria eu a um grupo de autarcas que a melhor maneira de garantir algum nível de inclusão das categorias discriminadas é fazer um check list e obrigar-se a pensar e a referir sempre os itens da dita: como afecta ou não a política que propomos @s idosos, @s jovens, as mulheres, @s LGBT, @s deficientes… Politicamente correcto? Claro que sim! Na verdadeira acepção da palavra “correcto”. Gostaram muito da sugestão. Que nunca lhes tivesse ocorrido fazê-lo, isso sim espantou-me.

Enjoos matinais

O primeiro mail da manhã era de uma criatura a escrever sobre o grupo de Bilderberg. A linguagem da denúncia de um grupo de personalidades influentes que se encontra em privado, supostamente para decidir sobre os destinos do mundo, pôs-me alerta (”Ai, que vêm aí protocolos de sábios do Sião e coisas do género”). O mail dizia que o livro de um certo jornalista espanhol que denuncia o dito grupo está proibido em Portugal. Fui ver. O dito jornalista adora teorias da conspiração. Como o autor do mail matinal. Saltitando de link em link, não tarda nada estou enterrado no mundo dos teóricos da conspiração. E que mundo curioso: uma chávena de antisemitismo, uma colher de sopa de esquerdismo (antigamente dizia-se radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista), 2 decilitros de misticismo, uma pitada de ovnis. As denúncias dos ricos juntam-se às denúncias dos banqueiros e do capital, que se juntam às denúncias das maçonarias… até que, ao terceiro link apenas, o delírio descamba nos Rotschild como praticantes de satanismo.

 

Mas não era preciso, afinal, ter andado de link em link. O autor do mail matinal apresentava, linhas abaixo da sua denúncia do grupo de Bilderberg, a sua proposta muito original de alinhamentos planetários e outras macacadas místico-astrológicas. Já está devidamente classificado nos “blocked senders”. Censurado. Sim, porque também eu devo pertencer à conspiração elitista, judia, capitalista, gay e sabe-se-lá-que-mais internacional.

Resmungo no Dia do Pós-Trabalhador

Portugal tem um profundo desprezo pelo trabalho. Não estou a falar de emprego, estou a falar de trabalho, mesmo, geral e abrangentemente falando. O trabalho é uma coisa que se faz porque é preciso viver, e de que se necessita porque, sem ele, coloca-se em risco a sobrevivência, a nossa e a da nossa família. Mas que se dispensaria facilmente. Não estou a dizer que em Portugal se trabalha pouco. Ou muito. Ou assim-assim. Não estou a dizer que os portugueses são preguiçosos e não querem trabalhar. Isso são chavões e ideias feitas. Quem quiser que se sirva à vontade delas. Há pessoas que trabalham muito e há quem não o faça. Há quem use os argumentos da "baixa produtividade" para pressionar quem está abaixo de si, exigindo horas extraordinárias não pagas, esforços adicionais, uma dedicação sem limites e sem horários, quantas vezes sob a ameaça velada da crise e do desemprego. E há quem se agarre a "regalias" e cláusulas laborais e estatutos para se acomodar e fazer o elogio da preguiça, do laxismo e da incompetência. A balda como regra geral. Há, por fim, aquela situação tão caracteristicamente portuguesa: a incompetência, a mediocridade, a falta de empenho no desempenho derivarem directamente dos baixos salários, da falta de incentivos para trabalhar com rigor e dedicação, do clima de inoperância, injustiça e surda opressão. Todos nós já sentimos isso, ao depararmos com um funcionário público particularmente lento e antipático, com uma caixa de supermercado baça e descuidada. Eu já. E quantas vezes não pensei que aquela pessoa, se devidamente estimulada, motivada, formada e, obviamente, paga, não seria um excelente funcionário, o orgulho dos seus pares, a esperança do seu sector.

 

A patetice dos pedidos de desculpa

O "professor doutor de Coimbra, meu Deus" optou por se enfiar na boca do lobo e meia-dúzia de dentes podres resolveram regá-lo com água. Não desculpabilizando os energúmenos, considero uma perfeita idiotice esta novidade, made in PS à procura da Marinha Grande do século XXI, de exigir um pedido formal de desculpas. Mais pateta ainda é a reacção do PCP, que acha que o PS deve pedir desculpas por exigir desculpas. Continuamos a brincar aos países, essa é que é essa.

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