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O abalozinho, últimas notícias

Uma crise como a actual não tem uma única causa, tem muitas.

Para percebermos o que poderá acontecer daqui para a frente, porém, basta olhar para os actuais desequilíbrios financeiros internacionais. Nos últimos anos, um pequeno grupo de países (China, Japão e Alemanha) acumulou poupanças colossais, as quais financiaram níveis igualmente enormes de despesa em muitos outros países.

É hoje claro que este desequilíbrio não pode persistir porque os consumidores e as empresas que se endividaram entendem que a situação atingiu os limites. Por isso, estamos a assistir a um rapidíssimo aumento da poupança na generalidade dos países devedores, com reflexos imediatos na queda das suas importações.
 

Say what?

É claro que não se deve apoiar um golpe de estado num regime democrático, mesmo que apenas formalmente democrático. Não importa quem é o presidente das Honduras, se Chávez ou os americanos têm alguma coisa a ver com um lado ou outro da contenda. Não se apoia um golpe de estado numa democracia. Por esta razão e por esta razão apenas. Estão em delírio, no 5 Dias?

Armadilhas

Paul Samuelson criticou numa recente entrevista à Atlantic o modo como evoluíu nas últimas décadas o ensino da macroeconomia.

Fez nessa ocasião notar que se tornou corrente os manuais não mencionarem sequer a "armadilha da liquidez", e referiu que uma edição do de Greg Mankiw (possivelmente o mais usado na actualidade) que consultou não incluía sequer a expressão no seu índice temático.

Mankiw, que anda um bocado picado por causa deste tipo de críticas, respondeu-lhe que, nas edições mais recentes (a 5ª e a 6ª)do seu livro o tema é abordado, e que, na última, até figura no tal índice. Logo, a observação de Samuelson não é inteiramente correcta.

A questão mais importante, porém, não é essa, mas antes como foi possível que um conceito central da teoria keynesiana fosse retirado do cânone ensinado a gerações de economistas desde os anos 80 para cá. Note-se que Mankiw, um keynesiano politicamente alinhado com os republicanos, nem sequer é um dos casos mais flagrantes de viés ideológico.

As nossas cidades

Pensar políticas públicas é pensar o futuro. A política não se esgota em diagnósticos e em medidas que se limitam a gerir o presente. O sucesso de um país, a competitividade de uma economia vive da capacidade de antecipação dos seus políticos às grandes tendências que definirão o mundo nas próximas décadas.

O investimento em educação prepara as próximas gerações, melhorando as possibilidades de um futuro melhor. Felizmente, esse é um investimento público que ninguém discute em Portugal. Mas nem todas as medidas que pensam o futuro são tão consensuais. Não quero falar do TGV. Quero falar das cidades Portuguesas. (...)

 

Gonçalo Pires, no Trovas de Bandarra (leiam o post até ao fim)

Ceteris paribus

Nas análises custo benefício que as nossas luminárias pretendem (re)fazer inclui-se o custo de adiar, de repensar e de suspender? Isto é importante: enquanto se pára, o mundo não pára - nem a crise abranda. Mas, digo eu, nada disto deve interessar muito aos brilhantes economistas que querem parar tudo para poderem pensar tranquilamente. Lá no mundo deles - no mundo das análises estáticas e contabilísticas da realidade - os contextos dinâmicos e interdependentes das economias nacional, europeia e mundial parecem ser secundários. Só interessam as abstracções redutoras e parciais da curva IS/LM e as identidades da contabilidade nacional. Para estes economistas, o futuro cabe numa fórmula e pode ser reduzido a uma equação. Assim não vamos longe.

Nota sobre o artigo de Pedro Magalhães

No Público de hoje, o Pedro Magalhães defende a importância e o valor dos politólogos para a vida e o debate democrático de um país. Tenho um problema de fundo com a opinião do Pedro, pois ele apresenta-nos uma visão de mundo maniqueísta sem grande adesão à realidade. Não é aceitável que ele contraste a isenção e rigor dos politólogos com a parcialidade de pundits como Bill O'Reilly, Keith Olberman e Sean Hannity. Essa dicotomia está longe, muito longe, de esgotar as opções existentes. O que é desejável é ter comentadores intelectualmente honestos, que respeitem a inteligência dos seus interlocutores e regulem as suas intervenções por uma ética de cidadania. Se tal acontecesse, o facto de terem uma posição política particular seria irrelevante. A opção não é entre a objectividade dos politólogos e a subjectividade parcial e enviesada dos comentadores. Esta divisão platónica entre verdade e opinião é anti-democrática, pois remete a opinião de quem não é politólogo para o reino da "mera opinião". Quando Pedro Magalhães diz que os comentadores  cumprem "a função de comentadores supostamennte informados mas, na prática, fazendo parte de um sistema  de produção de opiniões cada vez mais politizado e partidarizado, e cuja relação com alguns factos básicos conhecidos sobre a vida política é, no mínimo, problemática" ele está a lançar um anátema sobre todos aqueles que pretendem intervir no debate público partindo da sua perspectiva ideológica. A resposta a uma lógica perversa de barricada ideológica não pode passar por eliminar a ideologia dos comentadores. Basta que se seja exigente com quem comenta e que haja jornalistas suficientemente isentos e imparciais para denunciar aqueles que distorcem os factos e argumentam de forma desonesta. Se partirmos da pressuposição de que apenas os politólogos são capazes de conduzir um debate de forma racional, estamos a capitular perante a desonestidade intelectual de alguns e a entregar o espaço público a cientistas supostamente isentos. Ou seja, estamos a dizer que só despolitizando o debate podemos ter um debate político. Estão a ver a contradição? Salvaguardando as devidas proporções, a lógica do Pedro Magalhães não é muito diferente da que esteve na base do editorial de José Manuel Fernandes sobre os manifestos sobre o investimento público. Em democracia, isto é inaceitável.

O ruído

Se Portugal tem um problema de espaço e debate público, ele começa nos jornais. Dois exemplos. Primeiro temos o director do Público, José Manuel Fernandes, que acha normal dedicar um editorial a criticar um manifesto que o seu jornal não divulga nem explica, manipulando, menorizando e desrespeitando, assim, todos os seus leitores — já para não falar dos subscritores desse documento, que são tratados como uma espécie de ruído. Hoje é a vez do i, onde o editorial de Miguel Pacheco anuncia o armagedão. A razão é simples: "a divisão e a incerteza chegaram ao debate económico". Como? Vamos lá vamos lá ver se percebo. Miguel Pacheco acha terrível que se publiquem diferentes manifestos, ou seja, que economistas discordem e defendam posições e visões distintas para o país . Os economistas, diz-nos o Miguel, trairam-nos porque introduziram "divisão e incerteza" no debate económico. Agora "não há certezas quanto ao rumo que o país deve seguir". Fantástico. Lamento informar o  Miguel do seguinte: os consensos que ele tanto deseja não existem em sociedades democráticas modernas— e ainda bem que assim é, apesar disso tirar noites de sono ao jornalista do i. O Miguel podia ter sossegado a sua cabecinha seguindo o rumo de José Manuel Fernandes. Mas não, Miguel Pacheco parece levar a sério os diferentes manifestos, e ficou desorientado. Com jornais assim, não iremos longe.

 

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