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Não, no início não é a poupança.

Credit is essentially the creation of purchasing power for the purpose of transferring it to the entrepreneur, but not simply the transfer of existing purchasing power. The creation of purchasing power characterises, in principle, the method by which development is carried out in a system with private property and division of labour. By credit, entrepreneurs are given access to the social stream of goods before they have acquired the normal claim to it. It temporarily substitutes, as it were, a fiction of this claim for the claim itself. Granting credit in this sense operates as an order on the economic system to accommodate itself to the purposes of the entrepreneur, as an order on the goods which he needs: it means entrusting him with productive forces. It is only thus that economic development could arise from the mere circular flow in perfect equilibrium. And this function constitutes the keystone of the modern credit structure (Schumpeter 1983 [1934], The Theory of Economic Development: An Inquiry into Profits, Capital, Credit, Interest, and the Business Cycle, Transaction Books, New Brunswick, N.J. and London: pg. 107)

Ao contrário do que tem sido dito, não são as poupanças dos países 'virtuosos' que financiam os défices dos 'indisciplinados'. Curiosamente, acontece exactamente o contrário, porque as poupanças estão no final do circuito, não no início, como defendem os moralistas para quem as virtudes puritanas são a causa primeira e o motor do crescimento económico. A ideia de que a primeiro é preciso poupar e que só depois se pode gastar inverte a causalidade do sistema de crédito que caracteriza as economias modernas. As poupanças são o resultado, um output, não um input do circuito de crédito. Este circuito começa com a criação de crédito (ex-nihilo) por parte dos bancos, como descreve Schumpeter. Foi essa criação de crédito que financiou o consumo e o investimento na chamada periferia e que, posteriormente, tornou possível a poupança nos países credores. Sem este consumo e investimento, sem esta despesa, portanto, não haveria poupança, porque a venda de bens e serviços que criou o rendimento a partir do qual se pode poupar não teria ocorrido. Como é óbvio, as exportações dos países credores não se devem apenas à 'indisciplina' dos periféricos, porque parte das exportações se deve à procura de países não-europeus. Mas este facto apenas confirma a lógica do meu argumento: as exportações existem porque, algures no sistema, há despesa, isto é, procura por esses bens e serviços. No princípio, como nos ensinou Keynes, está sempre a despesa, a procura efectiva. E é por esta razão que a actual estratégia de desalavancagem e correcção dos desequilíbrios está condenada ao fracasso e vai arrastar todos - devedores e credores - para uma profunda recessão.

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