Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

jugular

"AVISO PRÉVIO DE GREVE emitido pela FNAM"

Nos termos do Artigo 534.º do Código de Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro e do Art.º 396.º do Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, aprovado pela Lei n.º 59/2008, 11 de Setembro, o Sindicato dos Médicos do Norte, Sindicato dos Médicos da Zona Centro, Sindicato dos Médicos da Zona Sul, declaram GREVE DOS MÉDICOS integrados no seu âmbito estatutário, sobre a forma de paralisação total e com ausência dos locais de trabalho, nos seguintes termos:

A - Serviços Abrangidos
Todos os serviços de saúde dependentes do Ministério da Saúde (designadamente hospitais e centros de saúde), Ministérios da Educação, da Economia e Emprego, da Solidariedade Social, da Justiça, das Secretarias Regionais dos Assuntos Sociais das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como em geral quaisquer entidades públicas ou privadas que tenham médicos ao seu serviço, independentemente do grau, função ou vínculo.

B - Período de Exercício do Direito à Greve
Os médicos abrangidos pelo Pré-Aviso, paralisarão a sua atividade profissional entre as 0 horas de dia 11 de Julho e as 24 horas do dia 12 Julho de 2012.

C - Serviços Mínimos Indispensáveis à Satisfação de Necessidades Sociais Impreteríveis
Os serviços mínimos estão definidos no Aviso n.º 1727/2010, publicado na 2.ª Série do Diário da República, em 31 de Agosto de 2010, e no Acordo publicado no BTE n.º 31, em 22 de Agosto.
1. Durante a greve médica, os serviços mínimos e os meios necessários para os assegurar são os mesmos que em cada estabelecimento de saúde se achem disponibilizados durante 24 horas aos domingos e feriados, na data da emissão do aviso prévio.
2. Durante a greve médica, os trabalhadores médicos devem garantir a prestação dos seguintes cuidados e atos:
a) Quimioterapia e radioterapia;
b) Diálise;
c) Urgência interna;
d) Indispensáveis para a dispensa de medicamentos de uso exclusivamente hospitalar;
e) Imunohemoterapia com ligação aos dadores de sangue, recolha de órgãos e transplantes;
f) Cuidados paliativos em internamento;
g) Punção folicular que, por determinação médica, deve ser realizada em mulheres cujo procedimento de procriação medicamente assistida tenha sido iniciado e decorra em estabelecimento do SNS.

Os médicos participantes em concursos médicos, bem como aqueles que integram os júris respetivos não serão abrangidos pelo Pré-Aviso de Greve.

D - Objetivos da Greve
O Sindicato dos Médicos do Norte, Sindicato dos Médicos da Zona Centro, Sindicato dos Médicos da Zona Sul, depois de consultarem a classe médica entendem convocar esta greve com os seguintes objetivos:


"Se calhar, parece mal..."

O comentário político é em Portugal altamente previsível, se calhar porque deveria antes ser classificado na categoria da ruminação.
O que nós temos de facto é um mantra repetido ad nauseam com ligeiríssimas e quase insensíveis adaptações à natureza do assunto em debate.
Assim, a preocupação de parecer "bom aluno", fazer o que nos mandam e jamais lançar a suspeita de que temos vontade própria encaixa belissimamente na regra de evitar todos os comportamentos que possam "parecer mal".
O grande argumento contra forçar a renegociação com a troika não é nem mais nem menos do que este: pode parecer mal e prejudica a imagem que temos lá fora. Como se nós tivéssemos lá fora alguma imagem.
Portugal assemelha-se àqueles adolescentes complexados que imaginam toda a gente a censurar-lhes com olho crítico as borbulhas, a caspa e os ridículos penteados, quando a  triste verdade é que ninguém quer saber deles para nada ou dá sequer pela sua presença.

Conta-me como não foi

As crónicas de Henrique Raposo no Expresso estão ao nível do melhor João Carlos Espada, com outras referências e com outros ambientes, bem entendido. A saga da família Raposo é uma espécie de Buddenbrook, mas passado em Vale de Figueira e sem qualquer relação com os factos históricos. O último capítulo deste romance, que aparece na última edição do Expresso, a seguir a um artigo de Marçal Grilo e a outro de Isabel Galriça Neto, é exemplar. Nele, Henrique conta-nos a sua história (e a da sua família) a partir dos mundiais e europeus de futebol. Confundindo crescimento do PIB com redistribuição da riqueza, e descontando a emigração e a guerra, o autor começa por se referir aos anos 1960-74 como “um tempo glorioso de dinheiro a crescer no bolso”. Anos mais tarde, em 1978, chegava o mundial da Argentina e "reza a lenda" que foi durante o campeonato que o rapaz (Henrique) foi "concebido". Isto apesar de o “mestre Raposo” (o pai) ter de andar quilómetros para acompanhar os jogos “na televisão da colectividade”. De acordo com Henrique, esses quilómetros a pé eram os sacrifícios que se tinha de passar para se poder “ver Johan Cruyff”, apesar de Johan Cruyff não ter jogado um único minuto desse Mundial que decorria num país onde se estava a viver “um tempo glorioso”, parecido com aquele que nós viviamos entre 1960-74. Nesse ano, a família Raposo ainda estava na periferia de Lisboa, numa “casa com candeeiros a óleo e sem televisão”. O que fizeram ao “dinheiro que crescia no bolso” entre 1960 e 1974? Henrique Raposo infelizmente não explica. Raposo só sabe que com o cavaquismo tudo mudou. Logo em 1986, o pai já trabalhava outra vez que se fartava e “por causa disso havia dinheiro para torrar em cromos da caderneta do Mundial do México. Ainda hoje me lembro dos nomes de jogadores da Checoslováquia”. Raposo gaba-se desta capacidade de memória e se calhar não é caso para menos, tendo em consideração que os jogadores da Checoslováquia nunca constaram da caderneta. Pela simples razão de que, ao contrário do que escreve Raposo, não se qualificaram para a fase final. Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.    

o estranho caso da denúncia no congelador

ando a ver muita coisa com atraso. deve ser do verão. também o frente a frente entre roseta e caeiro na sic not, em que a primeira conta uma história que alega se passou entre ela enquanto bastonária dos arquitectos e relvas enquanto secretário de estado do governo de durão, vi apenas ontem. e tenho de dizer que não compreendo duas coisas: que roseta conte uma coisa destas dez anos depois e que a qualifique como algo de que 'não retira nada de errado a não ser não saber distinguir o que se pode e não pode fazer'.

 

é claro que sendo verdade, a ocorrência que narra é uma tentativa de crime -- de tráfico de influências, ou seja, daquela categoria conhecida como 'de corrupção' -- tentativa essa perpetrada por alto funcionário do estado, ou seja, alguém que tem o especial dever de não cometer esse crime. e o que resulta do que roseta fez, calá-la, e do que diz agora -- que não conclui daí nada de errado a não ser a incapacidade de distinguir entre bem e mal -- é que a própria helena roseta tem dificuldades em distinguir o que é admissível do inadmissível. nomeadamente, não vê aquilo que se passou como um crime e acha que faz sentido levar 10 anos para denunciar algo tão grave. ou seja, aquilo que diz de relvas também se lhe aplica. 

 

nota final para a reacção eloquente, na sua titubeação, de teresa caeiro. ao contrário do que me ocorreu de imediato -- e creio ser pacífico que não me conto entre os admiradores de relvas ou entre os apoiantes deste governo -- à deputada do segundo partido da coligação governamental não ocorreu questionar roseta sobre o motivo de denunciar algo deste cariz uma década após o facto. não: teresa caeiro não pôs sequer em causa a denúncia, limitando-se a tentar afastar passos o mais depressa possível do tiroteio, dando relvas por perdido.

 

 

não regular -- da caixa dos pirolitos, mesmo

só vi ontem de tarde a quadratura do círculo que teve como convidado carlos magno. ainda estou a esfregar os olhos.

 

primeiro, por ter ouvido e visto magno a asseverar que é sua convicção pessoal (aos 25.34 minutos do vídeo) que relvas fez tudo, tudinho, aquilo de que a directora e editora do público o acusam, e que esse comportamento é inaceitável e deve ser objecto de julgamento político -- sendo que apôs como presidente a sua assinatura num relatório aprovado três a um que diz que não é possível afirmar que o ministro fez aquilo de que é acusado e que o papel da erc não é fazer julgamentos éticos. segundo por, entre todos os intervenientes, antónio costa ser o único que se eximiu de dizer em que acredita (quer lobo xavier quer pacheco pereira afirmaram que não duvidam de que relvas ameaçou o público e maria josé oliveira nos termos denunciados pelo jornal) e de condenar o comportamento de relvas, dando mostras de um encarniçamento tal contra o conselho de redacção do público que chegou ao ponto de afirmar que espera que tudo o que este diga 'é mentira'.

 

a seguir, li a notícia do expresso que, dando como fonte o presidente a erc -- o tal carlos magno do parágrafo anterior -- afirma só por 'lapso' não apareceu no relatório que a erc considera a conduta do ministro 'inaceitável'. portanto, magno quer fazer-nos crer que num relatório onde se lê que a actuação do ministro 'poderá ser objeto de um juízo negativo no plano ético e institucional, ainda que não caiba à ERC pronunciar-se sobre esse juízo', era suposto a erc pronunciar-se sobre a actuação do ministro do ponto de vista ético. mas, por azar, houve um lapso. e só deram por isso, evidentemente, tarde de mais, pois como a notícia do expresso explica uma vez publicados os relatórios não podem ser alterados.

 

se acham isto de partir o coco então vejam o momento em que magno, em resposta a uma pergunta de carlos andrade, diz que sobre a utilidade da erc não está preparado para emitir um juízo. não se percebe é como alguém com tanto talento para a comédia precisa de aceitar um cargo numa instituição cuja razão de ser ainda está a avaliar: com certeza arranjava maneira de ganhar o mesmo a contar anedotas.

 

a propósito, ler o blogue do provedor do leitor do público.

 

 

assinala-se hoje o 3º aniversário...

... da curta e grossa que preguei ao insigne blogger Carlos Vidal, num comentário aqui neste blog. Que será feito dele e da sua, outrora pujante e irredutível tara em fazer de controleiro nas nossas caixas, com a inteligência, a perspicácia e a lucidez que lhe são tão distintivas? Terá desaparecido? Ter-se-á esvaído? esvaziado? mirrado? broxado? Hmm, nada disso. Podem apostar que continua, agora undercover, protegido pelo anonimato e por um programa de ocultação de IP (porque é longo o braço da reação), a animar as caixas dos posts deste blog. Dos meus, em particular.

Arquivo

Isabel Moreira

Ana Vidigal
Irene Pimentel
Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    The times they are a-changin’. Como sempre …

  • Anónimo

    De facto vivemos tempos curiosos, onde supostament...

  • Anónimo

    De acordo, muito bem escrito.

  • Manuel Dias

    Temos de perguntar porque as autocracias estão ...

  • Anónimo

    aaaaaaaaaaaaAcho que para o bem ou para o mal o po...

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D

Links

blogs

media