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Ramos e Rosas

Fernando Rosas caracteriza assim no Público de hoje o viés ideológico que informa a versão da história portuguesa no século XX carreada por Rui Ramos:

"[Essa] ideologia (...) faz passar a visão da I República como um regime ditatorial, "revolucionário" e de "terror", por contraponto a um Estado Novo ordeiro e desdramatizado, quase banalizado na sua realidade política e social, transfigurado em ditadura catedrática, em regime conservador moderado e aceitável, apesar de um ou outro abuso."

Todos os meus conhecidos que leram o livro compreenderam-no mais ou menos assim. Uns não gostaram, outros (poucos) gostaram, mas o entendimento da ideia foi comum.

Parece-me legítimo inferir-se daí que é essa a mensagem que passa.

Muito bom

 

Estamos tão habituados ao baixo nível da propaganda política que quotidianamente nos é arremessada que não pode deixar de surpreender esta intervenção concebida por estudantes de Belas-Artes de Lisboa. Bom gosto, sensibilidade e respeito pela inteligência alheia, eis o que eu encontro neste murais de protesto contra o despejo dos habitantes do Bairro de Santa Filomena.

Mais fotos podem ser vistas aqui.

Ramos e Miguel

Agora que quase toda a gente já sabe o que Rui Ramos pensa de Salazar, convido-vos a tomarem conhecimento do que ele achou apropriado escrever sobre D. Miguel:

Os liberais tentaram sempre associar a contra-revolução ao clero, aos fidalgos e à "plebe", de modo a reduzi-la a uma simples "reacção" de interesses ofendidos e da massa ignorante do país. Não por acaso, insistiram em caricaturar D. Carlota Joaquina e D. Miguel como seres grosseiros e violentos, vivendo entre criados e a "ralé" - a contra-imagem, portanto, do tipo ideal da "classe média", ilustrado e sociável. Mas a contra-revolução não foi um simples negócio de instintos primitivos. (História de Portugal, p. 475)

Este tom compreensivo para com o tão caluniado terrorismo miguelista - "o miguelismo nunca esteve suficientemente consolidado para ser tolerante" (p. 485), justifica Ramos - perpassa por todas as páginas que dedica ao violento conflito que, na primeira metade do século XIX, opôs em Portugal absolutistas a liberais. Como vêem, este historiador que nunca se ri tem sempre uma palavra amável para os maiores facínoras da nossa história.

Modern Times...

Algumas das histórias infantis vão ser modificadas, para as crianças nascidas neste milénio…

A Branca de Neve casou grávida. O Capuchinho Vermelho foi condenado por incentivar o abate de animais selvagens. O Pato Donald serviu de refeição num jantar de maçons. O Rato Mickey foi assassinado com uma overdose de 605 Forte. Peter Pan faleceu aos 97 anos, alcoólico. A Alice foi internada num hospital psiquiátrico e nunca se livrou das visões. A Pequena Sereia acabou grelhada numa sardinhada da Junta de Freguesia de uma vila piscatória no Algarve. Mary Poppins foi condenada por maus tratos em crianças. A Gata Borralheira nunca foi ao baile do príncipe, porque devia ao fisco e tinha tudo penhorado. A Bela recusou-se a beijar o Monstro durante as filmagens. Buzz Lightyear era viciado em speeds. O Wally foi para a sucata. Os 7 anões morreram de silicose e o ET acabou na área 51, no meio do deserto do Nevada, dissecado por cientistas… Há que preparar toda uma geração para esta nova realidade...

A banhos desde Maio

O êxito do ajustamento orçamental depende criticamente da estratégia escolhida para o levar a cabo (...) Um primeiro ponto a salientar consiste em que os ajustamentos orçamentais precisam de ser suficientemente fortes (...) tendo como pano de fundo a experiência internacional acima resumida, Portugal apresenta um desempenho notável, não obstante o desfavorável enquadramento financeiro e económico externo com que se defrontou.

 

1º Relatório do Conselho de Finanças Públicas, publicado a 21 de Maio de 2012


Depois de ter avalizado uma estratégia orçamental que fracassou, o Conselho de Finanças Públicas, que foi criado para reforçar a credibilidade das contas do Estado, também deve uma explicação ao país, ou não? Resta-nos esperar que regressem das suas longas (e certamente merecidas) férias.

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Comentários recentes

  • Anónimo

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    De facto vivemos tempos curiosos, onde supostament...

  • Anónimo

    De acordo, muito bem escrito.

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    aaaaaaaaaaaaAcho que para o bem ou para o mal o po...

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