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jugular

das burlas, as inofensivas e as outras

no momento em que se legisla para que os portugueses sejam enganados mensalmente no recibo do ordenado, para não perceberem bem o quanto a alteração dos escalões do irs os rouba, encarniçarmo-nos na perseguição de um homem que fez uns cartões falsos e pretendeu ser lá da onu para “aparecer” é o mais perfeito retrato do jornalismo -- e provavelmente do país -- que temos e somos.

Da persistência da memória a propósito da mensagem do Pedro

Enquanto lia isto"Peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor", só me lembrava disto, "Chegava a comover-me observar esses sinais de pobreza que não havia pejo em mostrar, porque representavam afinal o sacrifício conscientemente feito ao fim supremo da luta em que a sua nação se empenhara. Sei que não estamos em termos comparáveis e talvez por essa razão não vemos isso aqui, antes em certos casos o espectáculo da riqueza que se alardeia e quase afronta pelo exagero com que se manifesta. Por mim desejaria que fôssemos mais modestos e, sobretudo nestes momentos de crise, mais discretos também."

 

E se mais algum ministro deste governo te acusar de seres insultuoso, João, esfrega-lhe com certas citações do PM na tromba

o pedro voltou a cometer um post

diz o pedro que 'este não foi o natal que merecíamos'.

 

o mesmo pedro que diz que andámos a viver acima das nossas possibilidades e que portanto temos de empobrecer, que os trabalhadores portugueses têm direitos a mais, demasiadas férias, demasiados feriados, indemnizações altas de mais em caso de despedimento sem justa causa, que têm de trabalhar mais horas e pagar mais impostos e perder os subsídios de férias e natal e sofrer mais desemprego (porque, diz ele, temos de passar por isso e ainda deviamos pagar a tsu pelos patrões), afinal acha que mereciamos um natal melhor.

 

não tivemos, diz ele, 'os pratos que nos habituaram'. portanto os pratos estavam habituados, e não os tivemos, é isso? eram o quê, pratos de louça fina que pusemos no prego? (coitado do pedro, que tem idade para ter feito o exame da quarta classe, mas pelos vistos não lhe serviu de nada -- crato, que achas? talhante ou marçano?).

 

muitos de nós, diz o pedro, não pudemos dar aos filhos 'um simples presente' mas 'já aqui estivemos antes'.

 

como ele, o pobre pedro, no natal de 2010, que só ia dar presente à mai'nova, voltámos a saber o que é 'esticar a comida e dar aos nossos filhos presentes menores' (coisa que, claro, ninguém fazia até agora, por vivermos todos à tripa forra, a gastar o que não tinhamos, a lavar os dentes com a água a correr e a embardachar bife do lombo todo o santo dia).

 

a próxima frase merece uma leitura mais atenta, dada a sua deslumbrante polissemia: 'Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.'

 

portanto o pedro afinal reconhece que há gente que há muito vive com sacrifícios e que estes não chegaram agora, e é nesses, e não nos que antes não viviam com sacrifícios e agora vivem, que o pedro pensa 'muitas vezes' -- claro, era o que faltava pensar em quem vivia acima das suas possibilidades, que por acaso eram as possibilidades que ele, com esta brutalidade de impostos e com a austeridade louca a sufocar a economia e a causar desemprego e falências em catadupa, lhes retirou.

 

a não ser que o pedro pense muitas vezes é no que os sacrifícios estão a sofrer, que é o que na realidade está escrito graças à maravilhosa colocação de vírgulas (crato, diz lá: marceneiro ou canalizador?).

 

por fim, mais um monumento ao resultado infalível da educação pré-democrática: 'A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.'

 

como começar? portanto, o pedro pede aos sacrifícios e também a todos nós que no fim deste ano em que tanto foi pedido a um colectivo que o inclui (portanto ele pede-nos a nós, tão depressa tratando-nos por 'vós' como incluindo-se no nós) que ao olharmos para os nossos filhos e netos -- as pessoas sem filhos nem netos, como é o meu caso, ficam sem saber para onde olhar, apesar de nem por isso pagarem menos impostos ou terem menos risco de ficar desempregadas -- o façam com orgulho apesar de terem de esticar a comida e de não lhes poderem dar presentes porque é em nome de um natal muito melhor que há-de vir para os nossos filhos (os netos desta vez ficam de fora, inexplicavelmente). nota: 'os sacrifícios que fazemos hoje, fazemo-lo'. isto, pedro, dá pelo nome de inconcordância verbal, ou, mais corriqueiramente, analfabetismo. (trolha ou engomador, crato?)

 

e no fim disto tudo -- famílias separadas, sem comida que chegue, sem dinheiro para presentes, condenadas a sofrer em nome de um amanhã que entoa trinados celestiais -- o pedro diz que ele a laura (e as caniches, subentende-se) desejam 'a todos' (incluindo, claro, aos benditos sacrifícios) 'umas festas felizes'.

 

pedro, um conselho de inimiga: faz um cursozito de português básico, despede quem te anda a escrever estas merdas e.

 

para o que se segue ao e usa a imaginação (enfim, seja o que for que te faça as vezes): é isso tudo.

 

 

 

 

 

Natal Reciclado

A mesma foto do Natal de 2011, por dois motivos: porque passou-se um ano em que andámos para trás e porque teimo que o burro e a vaca hão-de constar em cada presépio, ainda que isso contrarie o dogma da infalibilidade papal. Para acompanhar, uma tradicional napolitana ("Ninna nanna al bambino Gesù"") cantada pelo magnífico Philippe Jaroussky. Boas Festas a todos, e que 2013 seja melhor que 2012. So Say We All.

Curioso...

«Conselho de ética da Ordem dos Médicos classifica o polémico parecer do Conselho Nacional de Ética sobre medicamentos, divulgado em setembro, como "equilibrado" e "bom documento", daqui.

 

Adenda às 18.30h: Que mal José Manuel Silva, estou com a Sofia.

Adoro, adoro, adoro.

Falando sobre os EUA José Manuel Fernades diz na entrevista ao i "Há aí mais possibilidade de gente fora do sistema evoluir e chegar ao topo. Tivemos bons exemplos disso: o Bush que vem de uma família aristocrática, mas também tivemos o Clinton e o Obama que são de famílias disfuncionais". Tomei nota, não há famílias aristocráticas disfuncionais. As coisas que a "sabedoria dos 55" me ensina, deus meu.

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