Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
Portugal, 27 de fevereiro, 9:39. As televisões estão cheias de Papa. RTP, TVI, Euronews, CNN, BBC, Skynews, Aljazeera, todos mostram o mesmo, a despedida de Bento XVI aos fiéis. Ligeiramente irritante, este unanimismo mediático. Quem nos vale, qual a exceção, a última esperança de muçulmanos, judeus, evangelistas, ateus, agnósticos ou assim assim? A SIC, ora pois. Os Dilemas da Maya nunca desiludem e não se prendem com solenidades, parábolas, esoterismos, mistérios de fé e outras bizarrias para gente complicada. É tudo aviado como na mercearia: "data de nascimento, é Peixes, tem 39 anos, problema, negócios do marido que também tem 39 anos, é Carneiro, muito bem, é sócia dele? não, qual o negócio, restaurante, tem sócios? tem um, não está a correr bem, está no início, é, está bem. Tem comida portuguesa? de tudo um pouco, está bem, tem lá feijoadas? ah não? está-me a apetecer uma feijoada para o almoço, quando sair daqui vou ao talho comprar uma feijoada, então vamos lá ver o que dizem as cartas, olhe minha querida, as coisas levam o seu tempo, há casos em que as coisas demoram mais tempo, ajustes, financiamento, vai ter que fazer um esforço maior, portanto, minha amiga, mantenha o seu trabalho, mantenha o seu otimismo, porque há-de haver uma altura em que as coisas começam a correr melhor, portanto, minha amiga, calma, calma, calma e mais fé, está bem?"
"By adopting OMT earlier, the ECB could have prevented the panic that drove the spreads that justified the austerity. It did not do so. Tens of millions of people are suffering unnecessary hardship. It is tragic."
Martin Wolf, hoje no FT
Lui, cet homme de 94 ans, gracieux, lumineux, pacifique, qui, la voix chatoyante et le verbe séducteur, exalte l'esprit de résistance et prône, aux quatre coins du monde, l'indignation active, le dialogue, l'engagement. Lui que des sages du monde entier auraient voulu voircouronner d'un prix Nobel de la paix, et que des jeunes, par dizaines de milliers, se choisissent aujourd'hui comme référence et figure inspirante, pour leurs révoltes, leurs désirs d'action et leurs rêves d'avenir. Lui, Stéphane Hessel, né à Berlin l'année de la révolution soviétique, élevé en France entre les deux guerres, entré, dès 1941, en résistance, arrêté, torturé, déporté à Buchenwald, évadé, devenu diplomate et militant des droits de la personne et, enfin, célébré, l'année des révolutions arabes, comme l'une des premières icônes du siècle naissant.(...)
P.S. Entrevista dada Por Stéphane Hessel ao Rue89
Carta aberta a :
Sociedade Portuguesa de Autores
RTP 1
…e sucessivos intervenientes na Gala da SPA
Acabei de ver a Gala da SPA e não consigo deixar de mostrar a minha indignação como espectadora. Talvez o mais confortável e pactuante seria ficar calada mas por imperativos vários não o consigo. A celebração da Cultura e seus “fazedores” parece-me completamente legítima e fundamental e, hoje mais do que nunca, entendo ser um dos poucos “caminhos” possíveis para alguma satisfação nestas “nossas vidinhas” isentas de prazer ( muito obrigado senhores Governantes, pelo “vazio” que creditaram neste nosso Portugalinho… ).
Vem isto a propósito do confrangedor rol de barbaridades televisivas a que assisti, ontem na RTP1, ou seja a Gala da SPA. Num país pouco dado à celebração dos seus Artistas, num país onde infelizmente os Governos e seus acólitos, não entendem, direi melhor ; não querem, promover estas dinâmicas, regozijo-me da existência duma atribuição de prémios plural, ( cinema, teatro, literatura, dança, rádio, televisão, etc… ) por parte duma instituição credível e de referência, a SPA, quando pouco ou mais mais nada existe neste universo e com alguma visibilidade, que hoje em dia só se adquire através da grande “janela” televisiva.
"Nós temos vindo a resolver os nossos problemas de forma satisfatória (...) seria um insulto aos portugueses, creio eu, que deitássemos fora todo o resultado desse esforço que tem vindo a ser realizado e toda a credibilidade que temos vindo a acumular", disse hoje o primeiro ministro, entre promessas eleitorais não cumpridas, projeções falhadas, previsões erradas, política autista, erro de 100% nos cálculos da recessão, um OE que durou menos de dois meses, desemprego galopante, espiral recessiva, efeito dominó, depressão generalizada, risco de colapso social, mínimos históricos de confiança e de credibilidade governativa. Posto isto, alguém me explique, por favor, o significado de "satisfatório", para eu poder escrever longas diatribes acerca do conceito de "insulto".
Acabadinho de chegar à bloga, este Filibuster promete (e estar o Mr. Smith Goes to Washington em destaque agrada-me particularmente). Do primeiro post do blog destaco o seguinte excerto:
"Alguns de nós, autores e autoras deste blogue, exercem funções públicas ou já as exerceram, outros têm tido graus variados de intervenção cívica ou associativa em vários momentos das suas vidas, mas todos partilhamos uma inquietação quanto ao rumo para o qual a nossa centenária República se encaminha e a convicção de que é nos valores da esquerda democrática e republicana que se encontram as soluções para os seus problemas. Sabemos também que padecemos de muitos dos males que diagnosticamos e não queremos fugir à crítica ou ao debate que a nossa própria humana imperfeição pode suscitar. Mas, acima de tudo, queremos usar este cantinho virtual para dizer presente a este debate, provocar outros a fazer o mesmo e explorar até ao máximo aquela que é das liberdades mais fundamentais nas sociedades democráticas: a da palavra! "
Monti começou razoavelmente, negociando austeridade moderada (por comparação com a imposta noutros países) a troco da união bancária europeia e da flexibilização da atitude do BCE. Depois, Merkel adiou para 2014 os compromissos assumidos e Monti ficou com uma mão cheia de nada, a desempenhar o papel de pró-cônsul da Germânia no Lácio.
Que poderiamos esperar que o eleitorado italiano fizesse? Submeter-se de boa mente às sevícias teutónicas - ou resistir? Ao contrário doutros, a Itália pode credivelmente ameaçar abandonar o euro - um caminho duro e arriscado, mas ainda assim possível. Faz todo o sentido que use a capacidade negocial de que dispõe.
Tecnocratas bem comportados como Monti, mas insensíveis às consequências políticas e sociais dos arranjos financeiros que patrocinam, não levam a Itália para lado nenhum. Bersanni, uma outra variante de político "bem-comportado", apenas se propunha dar uma caução de esquerda civilizada e responsável à austeridade sem fim à vista.
Neste contexto, estava aberto o caminho para o voto de protesto, não só contra a austeridade, mas também contra o euro, o défice democrático europeu e a colonização financeira promovida pela Alemanha. Eleger um cobrador de fraque teleguiado a partir de Berlim não é uma perspectiva exaltante.
Já se viu que os novos senhores da Europa só entendem a linguagem da força. Caos político na Itália e na Espanha é a melhor coisa (ou, digamos, a menos má) que poderiamos esperar nas presentes circunstâncias.
Rogério da Costa Pereira
Rui Herbon
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
The times they are a-changin’. Como sempre …
De facto vivemos tempos curiosos, onde supostament...
De acordo, muito bem escrito.
Temos de perguntar porque as autocracias estão ...
aaaaaaaaaaaaAcho que para o bem ou para o mal o po...