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jugular

Outra trapalhada?

 

Afinal, quem é que pode realizar o exame de Português do 12.º ano no dia 2 de Julho?

 

Apenas os alunos que se viram impedidos de o fazer por não haver professores em dia de greve, a 17? Ou absolutamente todos os que estavam inscritos e não o fizeram? O Ministério da Educação e Ciência (MEC) diz que, "naturalmente", só os primeiros. Mas há directores de escolas que dizem que, pelo contrário, o despacho do MEC é "claríssimo" e permite aos alunos que faltaram a oportunidade que o regulamento de exames lhes nega.(...)

Como frisam os dirigentes das associações de directores escolares e o subdirector da Escola Artística Soares dos Reis - um dos primeiros a levantar a questão - no despacho nunca se fala em greve ou na falta de vigilantes. No preâmbulo, justifica-se a necessidade de adoptar medidas que permitam "salvaguardar os alunos de consequências decorrentes" de "situações impeditivas da realização das provas finais". No articulado lê-se que podem realizar a provas no dia 2 "todos os alunos" que a não fizeram no dia 17.

O MEC, através do gabinete de imprensa, defende que a possibilidade de realizar o exame a 2 de Julho é aberta "aos alunos que não realizaram as provas do dia 17 de Junho por força de ocorrência de situações impeditivas da sua realização, e naturalmente alheias aos próprios alunos". Frisa, assim, que ela está vedada aos que " faltaram às provas (...) nas salas onde se realizaram os exames". "Estes têm de se reger (...) pelo estipulado no Regulamento das Provas e dos Exames do Ensino Básico e Secundário (...) não podendo em caso algum o Despacho n.º 8056/2013 sobrepor-se ao despacho normativo", reforça.

"Mas os directores têm realmente de partir do princípio de que o MEC não sabe redigir um despacho?", questionou ontem, indignado, o subdirector da Escola Soares dos Reis, José António Fundo. Conta que, sem dúvidas acerca de um texto que diz ser "claríssimo", não só fez publicar o link para o despacho na página da Internet da escola como sublinhou: "Isto significa que todos os alunos que faltaram ao exame, mesmo nas salas onde este se realizou, têm o direito a realizá-lo no dia 2 de Julho".(...)

 

Notícia do Público de hoje, acima têm o despacho em causa para poderem saber do que se fala. 

"Famílias de plástico" o raio que o parta, ó imbecil

Esta criatura - mui boa, cheia de sentimentos cristãos, como deve ser próprio de um sacerdote, pois claro - insulta centenas de milhares de famílias portuguesas, as homoparentarentais, qualquer família em que um filho tiver sido adotado (porque não é resultado da "família natural) e as monoparentais (porque não existe casamento) . Ora reparem:

 

Aliás, a procriação medicamente assistida mais não é, precisamente, do que um método de inseminação artificial.

Como se hão-de chamar, então, estas famílias? Se naturais não são, só podem ser artificiais. Mas uma "família artificial" é como uma "flor de plástico": se é de plástico, não é uma flor. Uma família artificial não só não é natural, como também não é uma verdadeira família, mas um seu sucedâneo ou imitação. Pelo contrário, o que é genuíno, como o casamento e a família natural, é verdadeiro e, portanto, necessariamente bom. (Gonçalo Portocarrero no Público de hoje)


E esta merda do que é natural ser necessariamente bom também merecia uma quantidade de insultos, devidamente ilustrados com "naturalidades" intoleráveis, mas não vale a pena gastar muitas letras com tão ruim criatura.

heartbreaking news (para passos, pelo menos)

'No caso da dívida pública e segundo as conclusões do Bank for International Settlements,  se Portugal quisesse voltar aos níveis de dívida pública  de 2007 (63.6% do PIB directa vs. 89% do PIB indirecta) teria que apresentar um superavit primário das contas públicas (antes de juros) de 6% ao ano durante 5 anos ou de 3% ao ano durante 10 anos. Alguém acredita que estes cenários são possíveis no curto ou mesmo no médio prazo? Eu tenho muitas dúvidas e por isso só nos resta (a nós e a outros) o possível caminho da reestruturação da dívida. Ou seja, ir falar com os nossos credores e dizer-lhes que dos 100 que nos emprestaram já só vão receber 70 ou 80. Este é um caminho árduo e complicado, a tal parede que tanto se fala, mas que nos permitiria começar de novo. A austeridade é necessária e urgente, mas se mantivermos os níveis actuais de dívida, dificilmente conseguiremos crescer a níveis aceitáveis … e se não crescermos morremos.'


está a pensar que foi alguém do be, do pcp ou do ps que disse isto, não está? pois fique sabendo que foi este senhor. além de ser secretário de estado adjunto do pm, é o membro do governo com a incumbência de acompanhar a aplicação dos memorandos. 

 

ler o texto todo aqui

se hoje não é dia de bingo!, anda lá perto

Serviço Ticketline online, reserva de bilhetes para um espetáculo. Escolha, pagamento por cartão de crédito. Em vez de confirmar a transação, a página dá "500 - no transaction found for this token". Fico cheio de interrogações na cabeça. Reservou? Fez a compra? não? Que fazer? Repetir? Aguardar? Melhor: a ticketline tem serviço telefónico de apoio, toca de perguntar o que aconteceu e o que fazer. boa, isso mesmo. Ligo para o número, mandam desligar e ligar para outro. É o que faço. Respondem, sim, sim, "vou transferir a chamada". Um rapaz de sotaque responde do lado de lá. O que se segue é a transcrição mais ou menos fiel (e abreviada) do diálogo, depois de lhe reportar o que aconteceu.

- "Sim, deu erro, a informação que tenho é que deu erro"

- "Isso quer dizer que a transação não foi feita?"

- "A informação que tenho é que deu erro. Posso fazer-lhe a reserva, se quiser".

- "É seguro?"

- "sim".

(...)

- "e quais são os lugares?"

- "R21,23,25"

- "esses estão tomados"

- "são os que reservei, o sistema deve estar bloqueado"

- "compreendo, quer reservar outros?"

- "mas vou reservar outros? não correrei o risco de estar a comprar tudo em dobro? se estes são os que reservei e depois deu o tal erro..."

- "compreendo, quer então reservar outros?"

(Respiro fundo, não vale a pena argumentar com uma bigorna. ok, lá escolho outros, e seguem-se os pormenores de contacto, etc. Hesito mas acabo por dar aqueles dados... do cartão de crédito)

- "obrigado, aguarde um momento... deu erro".

- ...

-"está? deu erro"

- "desculpe, mas está-me a dizer, a mim, que deu erro? e eu é que resolvo o problema? que quer que faça, se liguei para aí mesmo por causa disso?"

- "deu erro, quer reportá-lo para o email da ticketline?"

- "mas para que raio tem a ticketline um serviço telefónico que não resolve nada?"

- "compreendo, mas não está a ligar para a ticketline!"

- "desculpe?"

- "não sou da ticketline, sou da empresa X, do Grupo PT, apoio telefónico"

- "mas a ticketline tem um «nº de apoio ao cliente» que remete para esse, e agora venho a descobrir que é de uma empresa de apoio telefónico? uma empresa de apoio telefónico da PT que faz reservas on-line com nºs de cartão de crédito dos clientes e tudo, mas que não resolve nada?"

- "compreendo, quer reportar o problema para o email da ticketline?"

Despedi-me polidamente do moço e desatei, em vernáculo saloio, a proferir impropérios foneticamente semelhantes aos daquele vídeo que corre por aí, do jornalista australiano que dizia que os brasileiros falam italiano.

Previsibilidades curiosas

É muito curioso e significativo que as réplicas a textos ou opiniões de mulheres resvalem tão fácil e frequentemente para o "baixo ventre". Sendo o Jugular um blog com uma fortíssima presença feminina fomos apreciando, ao longo destes anos, essa tendência constante. Alguns dos "mimos" com que temos sido presenteadas - à vez, calha a todas - ficarão para os anais, caso do "clone de rameira" ou o "cona letrada" (lembrei-me deste porque ainda esta manhã tinha vindo em conversa no twitter) e depois há textos inteiros, onde as alusões de caráter sexual se espalham por todo o lado. Exemplo paradigmático é a resposta pavloviana que o texto que a Fernanda escreveu para o DN - e que está aqui postado - teve no Jornal de Angola anteontem (transpira nível em todas as frases, é tão windo).    

tem contas a acertar com a EDP?

Tem? Então é simples: ou tem a pagar ou tem a receber. A EDP discrimina, a benefício do utente - outra coisa não seria de esperar -, as duas situações. Se tem a pagar (a fatura mensal, por exemplo), é uma maçada. Um cliente tem que se dirigir a um Agente EDP, a um Agente Payshop, a uma estação dos CTT ou a uma caixa Multibanco, coisas impossível de encontrar. Há ainda a opção "débito direto", na qual a empresa cobra diretamente na sua conta bancária. Está tudo feito para que a pessoa se esquive e não cumpra a sua obrigação.

Agora, se tiver a receber, tudo é diferente, tudo é mais fácil. Para já, tal eventualidade resulta de uma "estimativa por cima", coisa também feita para ajudar o cliente: calcula-se por excesso e, se houver lugar a acerto, percebe-se que tudo está montado para favorecer o utilizador. Transita, com abatimento, para o mês seguinte? Não, isso seria um intolerável abuso. Nada disso: devolve-se o dinheiro, em notinhas e moedas - não há como dinheiro à vista -, ao feliz utente, radiante por ir receber uns trocos com os quais não contava. E então, como é? Muito simples: basta que o próprio (sim, o titular do contrato em pessoa) se dirija, nas horas de expediente, a um dos inúmeros Agentes EDP espalhados pelo país. Nada de CTT, nada de Agentes Payshop ou outras raridades, nada das maçadas do Débito Direto bancário, não. E onde estarão eles, os Agentes EDP? São tantos, tantos, que a dificuldade é escolher. Quem tiver internet e se prestar a buscas, encontra muito, mas muito rapidamente "agentes de cobrança", que não se sabe se também fazem pagamentos. Caso contrário, é apenas um pouco mais difícil. Presume-se que baste ir a uma agência da EDP, agora transmutada em "Loja". Em Sintra há uma, onde, desde sempre, se tratou de tudo relacionado com eletricidade. Mas chegado lá, e depois do compasso habitual, onde é preciso esperar até para "tirar senha", o feliz cliente é informado, por um senhor engravatado e simpático, que não é ali, aquilo é uma "Loja", e as "Lojas" não fazem pagamentos nem nada que se pareça. Isso é nos Agentes EDP. E indica onde fica o próximo (na verdade, o único num raio de 10 km, e um dos quatro - quatro, digam lá que não é uma fartura? - em todo o concelho). Ora, que felicidade. O tal Agente EDP está localizado num sítio esconso, dentro de um centro comercial decrépito ("contorna o edifício pela direita e entra" e, lá dentro, também é preciso dar voltas), com placa "Agente EDP" visível a 3 m da montra. Horário: das 9 às 12.30 h. e das 14 às 18.30 h. Depois, é preciso identificação e duas assinaturas "iguais à do cartão". E facilitar o troco, porque aquilo não é um banco. Mas o utente sai de lá feliz, com uns euros extra no bolso e fazendo de conta que não percebeu que se limitara a reaver uma quantia que já era sua e que fora retida pela EDP durante meses. E dá graças a Deus por só ter perdido umas horas. E, já agora, por não ser um reformado com 200 € de pensão que viva nos limites do concelho.

qual é coisa qual é ela

Angola é assunto que por cá se trata com pinças. Não foi sempre assim; lembre-se, por exemplo, a crítica reportagem Meninos de Angola, de Cândida Pinto, em 1996, na SIC. Seria interessante perceber a partir de que momento se verificou tanta cautela - para, provavelmente, concluir que coincide com o adensar dos interesses económicos "bilaterais" e com os investimentos de empresas angolanas em Portugal, nos media em particular.

 

Portugal não está só nesse silêncio. Há um ano, por ocasião das legislativas angolanas, o jornal britânico The Guardian titulava um artigo "José Eduardo dos Santos, o autocrata menos conhecido de África", frisando manter-se no poder há 33 anos (agora 34) e que, filho de um pedreiro, toda a vida quadro de um partido de génese comunista, acumula na sua família imediata - os filhos, com relevo para a mais velha, Isabel, de 40 anos, considerada a mulher mais rica de África - uma imensa fortuna. No mesmo artigo, assinala-se que as entrevistas com o Presidente angolano são raríssimas e que ele, ao contrário de outros autocratas africanos, como Mobutu, cultiva a discrição.

 

Uma dessas raridades foi concedida à SIC, há duas semanas. Primeira surpresa: o jornalista escolhido foi o correspondente da estação em Israel. A segunda foi mesmo a entrevista. Como repórter no Médio Oriente, Henrique Cymerman, embora cerimonioso, nunca surgiu timorato. Perante dos Santos e afirmações como "Angola é uma democracia de carácter social"; "estamos a trabalhar para erradicar a pobreza, a nossa maior preocupação é o fosso entre ricos e pobres mas temos a herança que vem do tempo colonial", ou "a corrupção é um problema em todos os países mas temos agido para que as pessoas não se apropriem do que não é delas", coibiu-se de contrapor o óbvio: apesar da sua abundância de recursos, e de ter sido descolonizada há 38 anos, Angola está na cauda do índice de desenvolvimento humano; a família do Presidente apresenta um nível de riqueza e de proeminência nos negócios dificilmente explicável por outro fator que não a sua proximidade ao poder. O desplante é tal que um dos filhos faz parte da direção do fundo soberano de Angola, criado, com uma dotação inicial de cinco mil milhões de euros, por ordem presidencial em 2012; a outra foi atribuída a gestão de um dos canais da TV pública.

 

Das duas, uma: ou Cymerman veio do espaço no dia da entrevista (Israel não é assim tão longe) ou foi condicionado nas perguntas. Como desmentiu a segunda hipótese, só se pode concluir pela primeira. Mas o mesmo terá de ser verdade para a maioria dos comentadores, exceção e honra feitas a Daniel Oliveira e restantes membros do Eixo do Mal. Num país em que se faz manchete de chamar palhaço ao Presidente, é curioso constatar que o de outro país suscita tanta mais reverência. Não sendo pelo respeito ao cargo ou pela dignidade de ter sido para ele eleito (até porque nunca foi), só pode ser por outra coisa qualquer.

 

(publicado no dn da passada sexta)

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