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Poder e dissimulação

Não há nada de errado em querer o poder. Desde que ele seja para exercer, da melhor maneira possível, em nome do povo. Isto implica desde logo uma postura de serviço aos outros, aos que elegem e de desinteresse por si mesmo. Este é o pacto eleitoral e o carácter do político que o aceita tem que estar à vontade com isto.

 

O tempo para prestar contas, seja o das eleições, seja o do Presidente da República, é o tempo dos políticos: o que eles fazem, conta.

 

Paulo Portas não disse apenas que a decisão de se demitir era irrevogável. Disse também que permanecer no Governo seria um acto de dissimulação. Mas Paulo Portas que, efectivamente, se demitiu de Ministro dos Negócios Estrangeiros, demitindo-se para Vice-Primeiro-Ministro, recém-apelidado Czar Económico, permanece no Governo, como um dissimulado, por sí próprio caracterizado.

 

Pode haver várias explicações para isto. Portas ensaia a que acha que melhor o fará sair desta história: que um novo ciclo se inicia, agora é que vem aí o crescimento. Tudo mentiras. E mentiras fáceis de apanhar. Não tanto porque saibamos com certeza que não seja verdade, mas porque ninguém sabe se será verdade. Mais, o Governo é o último que pode dizer uma coisa destas. Foi justamente o Governo de Paulo Portas, aquele em que ele dissimuladamente permanece, que hipotecou, nos últimos 2 anos, todas as hipóteses de crescimento; é ao Governo de Paulo Portas que cabe apresentar cortes no Estado no valor de quase 5 mil milhões de euros, o que significará muita coisa - mais desemprego, mais pobreza, mais desigualdade social - mas não significará crescimento. 

 

Por isso a única razão para que Portas se tenha mantido no Governo, assumindo a sua própria dissimulação, resulta, afinal, clara: quer o poder, mais poder, todo o poder possível, mesmo quando é o líder do pequeno partido de uma coligação diminuída. O que Portas quer é manter-se no poder, custe o que custar, vendendo ilusões de crescimento se for preciso e, sobretudo, adiando o mais possível o momento em que terá que prestar contas pelas suas inequívocas características de troca-tintas: irrevogável num dia, revogável no outro; dissimulado num dia, assumido no outro.

 

Ninguém percebe, nenhum português, como pretende este Governo tornar a vida melhor para os portugues, governá-los bem. Ninguém percebe como o CDS o pretende fazer para além de slogans e soundbites. A única coisa que resulta clara é que o CDS conseguiu uma vitória de Pirro: tem mais poder no Governo, terá mais responsabilidade pelo fracasso do país a que este Governo nos condena. É bom que os portugueses não se esqueçam disso.

Que vergonha

Como é possível que a segunda figura do estado português tenha escrito uma frase destas?!

 

"(...) em tempos normais, refletiria sobre a liberdade particular de alguém exercer a sua cidadania ao lado das suas funções. Mas, em tempo de crise, entendo que não deve haver margem para dúvidas"


Não me interessa o contexto em que surge, não me interessa saber se havia ou não motivos para demitir o senhor, só sei que esta frase é um arrepio. Um arrepio - mais um - muito perigoso.


Adenda de dia seguinte: "O tempo está quente e perigoso", Ferreira Fernandes no DN de 10 de Julho

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