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jugular

sermão impossível mesmo

há uns anos (os sermões impossíveis acabaram em 2011) recebi, de uma amiga que nunca vi em carne e osso mas nem por isso a desmerecer o epíteto, uma encomenda de um sermão. era sobre 'a infidelidade'. acabei por não o escrever. por vários motivos, mas na verdade só por um: é difícil.

 

essa minha amiga acha que a fidelidade não existe, ou melhor, que não faz sentido. e eu, que acho? se levei este tempo todo para escrever, é porque não devo saber bem. para saber bem o que se acha se calhar é preciso saber do que se trata -- e saber, estas coisas só se sabem quando se passa por elas: ser infiel e serem-nos infiéis. e talvez nem assim, ou talvez isso não chegue. talvez seja preciso escrever sobre o assunto.

 

primeiro, a palavra. é odiosa. quem é que inventou isto? a palavra de tão desgraçada desgraça a ideia. se já tinhamos traição e lealdade, precisavamos da fidelidade e infidelidade para quê? um amigo pode trair outro, ou ser-lhe desleal. são coisas fáceis de perceber: significa trair a confiança, trair um pacto, não estar no lugar certo no momento necessário, virar as costas, fugir, escolher a segurança em vez da coragem, o lucro em vez da palavra, a facilidade em vez do respeito. tantos exemplos, e sempre uma vergonha (para quem for capaz de a ter, necessariamente -- e os traidores e os desleais é raro saberem o que tal seja).

 

mas para as relações chamadas conjugais (outra desgraça de termo) inventámos esta da fidelidade. a pessoa diz 'fidelidade' e já está a bocejar. santo deus, ser fiel é uma coisa tão. cheira a sopa de legumes, a pantufas, a mantas, a radiador. não é uma noção com boa imagem no mercado -- veja-se como os olhos brilham a toda a gente com as histórias do hollande, por exemplo. risinhos, etc: o tipo, hã? com aquela carinha de parvo, hã? hã? já quanto à valérie, é 'coitada'. um coitada assim para o desprezivo, para o gozão. é fascinante como num caso destes está toda a gente embevecida com o tipo que (supostamente, sabemos lá nós) enganou e tudo enjoado com a tipa que (supostamente) foi enganada. se se trai um amigo, é-se um facínora desprezível; se se trai um namorado, um marido, uma mulher, alguém com quem se tinha uma relação supostamente exclusiva, é-se praticamente herói/heroína. porquê? é assim tão difícil trair? é preciso ter assim tantas qualidades?

 

ninguém diz por exemplo de hollande que não pode ser uma pessoa de confiança se traiu a confiança da namorada/mulher (que, by the way, alcandorou a esse extraordinário e monárquico título de 1ª dama, fazendo da vida privada vida de estado, e não porque mais do que a sua vontade a isso o obrigasse). se se contasse que tinha traído a mãe ou o pai, ou um irmão ou um filho, toda a gente o declararia um biltre; a mulher? eh pá, são coisas, a gente sabe como essas coisas são, e tal. e nem interessa que no caso a pessoa em questão, eleita para governar, tenha decidido que governava em casal, assumindo pois para o país o compromisso de ter aquela outra pessoa ao lado com um estatuto oficial de partenaire, escolhendo assim ter uma vida privada pública e uma vida privada privada; ninguém parece ligar a essas minudências: o gajo é uma ganda machão e coiso, e quem não gostaria, quem não faria o mesmo, oh lá lá, se pudesse.

 

peguemos nisso: quem não faria se pudesse. mas quem não pode? esta ideia de que há quem possa e quem não possa, quem disponha e quem não. haverá pessoas para quem surgem mais ofertas (chamemos-lhes assim)? sem dúvida. todos nós sabemos que assim é. mas isso quer dizer o quê, que têm de 'aproveitar'? 

 

não vou perder tempo a debater a forma como as 'infidelidades' e 'fidelidades' masculina e feminina são valorizadas de forma diferente; não tenho paciência para entrar por aí, cansa-me. e para o que me interessa neste post é pouco relevante -- e vai sendo menos naquilo que à cultura pop diz respeito. interessante porém (o que se relaciona com a questão masculino-feminino) é constatar que a ideia de infidelidade está relacionada com a de poder -- não poder político ou económico, embora ajude, mas de ter poder na relação em causa -- e a de fidelidade com falta de dele. e mais interessante ainda constatar (daaah) que só se é infiel no contexto de uma relação, e supostamente exclusiva: pode-se ter sexo à maluca com toda a gente que aparece, mas ser infiel só sucede quando se está numa relação em que isso é suposto não suceder, e se é suposto não suceder é porque se estabeleceu que assim não seria. e chegámos ao busílis: que leva alguém a, se se comprometeu a não fazer uma coisa e, muito importante, nesse compromisso comprometeu o outro, fazê-la mesmo assim? 

 

repetirá a minha amiga: a fidelidade não faz sentido. muito bem: mas se não faz sentido, e se o infiel acha isso, porque é que se comprometeu? é que só é infiel se houve compromisso, e se houve compromisso foi porque quis comprometer-se (afasto aqui a possibilidade de ter havido armas apontadas à cabeça). philip roth tem uma passagem fabulosa em everyman sobre isso, quando dá voz a phoebe, a segunda mulher do protagonista: sobre o que esse compromisso atraiçoado rouba ao outro, de como essa demonstração de poder, de domínio e de superioridade que se objectifica no engano, na mentira, na traição não assumida (porque pode haver traições assumidas), retira ao outro a liberdade de agir com conhecimento -- basicamente, de ser livre.

 

louva-se no infiel, na ideia de infidelidade, uma noção de liberdade radical, de transgressão admirável, quando na verdade ser infiel é o contrário disso: arrogar-se o direito de fazer aquilo que se furta ao outro. longe de ter a ver com transgredir, é conformar-se com um modelo convencional de relação para, pela calada, o desrespeitar. 

 

onde não há compromisso de exclusividade (mútuo ou não) não pode existir infidelidade. se numa relação dita amorosa ou sexual ou o que seja a que chamamos 'uma relação' (há quem prefira o cognome 'sentimental') se estatui que cada um fará o que entender quando entender com quem entender não há infidelidade. mas isso, claro, implica quid pro quo. igualdade. que é outra coisa que a noção de infidelidade nega, como tão bem a phoebe de roth explica: o infiel 'poupa' ao objecto da sua traição o conhecimento da mesma porque se coloca no lugar de quem decide o que é melhor para ele (é a velha conversa de 'o que não sabes não te magoa'). sendo que, naturalmente, o que o infiel decide é o que é melhor para si: não ser confrontado com a sua falta a um compromisso e, sobretudo, manter a relação que atraiçoou, para os efeitos que lhe convêm -- segurança, afinal. anote-se isto: um infiel é infiel porque não quer perder a segurança que a relação que escamoteia lhe dá. tudo ao contrário, hã?

 

portanto, amiguinhos: infidelidade pode ser muita coisa, mas não é decerto sinónimo de trangressão ou libertarianismo (isto diz-se, ó hitchens?) -- talvez no século xviii, vá. é mais uma espécie de canalhice chico esperta de trazer - literalmente - por casa.

 

(olha, parece que afinal tinha mesmo umas ideias entupidas sobre isto.)

 

outra coisa, e era aí, creio, que a minha amiga queria chegar, é dizer que uma relação de exclusividade é uma coisa que não faz sentido, uma invenção cultural e religiosa associada aos mitos do amor romântico infinito e do casamento indissolúvel. mas quanto a isso creio que o que não faz mesmo sentido é determinar absolutos. cada um, ou neste caso cada dois (ou três ou quatro, etc) decidirão o que querem fazer, como querem fazer, o que lhes faz ou não sentido, e ninguém tem nem deve ter nada a ver com isso.   

  

 

 

 

post só para pessoas do mesmo sexo e diferente: uns lêem, outros co-lêem, faz favor, e depois trocam

chegou ao meu conhecimento uma 'nota de abertura' da rádio renascença, que é, na linguagem da emissora da igreja católica portuguesa, uma nota editorial, da responsabilidade da direcção -- composta por graça franco, pedro leal, raquel abecasis -- ou mesmo, fui informada, do conselho de administração (parece que na rádio renascença os administradores também escrevem editoriais).

 

e diz a nota o seguinte, logo a abrir:

 

'Nos últimos dias, e para justificar a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo – a chamada co-adopção –, têm sido invocados casos particulares e excepcionais.'

 

portanto, para a rádio renascença, há pessoas 'do mesmo sexo'' (que elas próprias, portanto?) e pessoas de sexo diferente (diferente do delas próprias, portanto? deve ser giro e dar jeito, isso de a própria pessoa ter sexo diferente dela própria. há muita gente dessa na renascença? podemos ver fotos? que tal um calendário tipo o dos bombeiros de setúbal?).

 

e portanto para a rádio renascença as pessoas de sexo diferente adoptam crianças; as do mesmo sexo co-adoptam.

 

o estranho é que segundo a renascença as pessoas do mesmo sexo são casos particulares e excepcionais; dir-se-ia que é precisamente o contrário que se verifica, mas vai-se a ver e na igreja católica a maioria das pessoas são de sexo diferente delas próprias e daí o viés da perspectiva.

 

mas a estranheza não acaba aqui: segundo a renascença, toda esta conversa é sobre a lei e o referendo da co-adopção. ora, a última vez que verifiquei, a lei portuguesa permite a adopção (sem 'co-') a pessoas singulares e nada diz sobre serem do mesmo sexo ou de sexo diferente. como, de resto, já agora, nada diz nem pode dizer sobre a respectiva orientação sexual (se dissesse, isso seria inconstitucional, imagine-se, por atentar contra o princípio da igualdade e também contrário à convençãoo europeia dos direitos humanos, como o tribunal europeu dos direitos humanos já fez notar, ao condenar a frança por impedir uma lésbica de adoptar individualmente uma criança).

 

ou seja, a lei portuguesa permite, e há muito, que pessoas singulares, independentemente do sexo (mesmo ou diferente, segundo a terminologia tão peculiar da renascença), adoptem (de adopção plena) crianças. e a lei portuguesa, como os tribunais portuguesas, entrega crianças a casais do mesmo sexo, como de sexo diferente, para que as cuidem. suponho que tudo isto que toda a gente sabe (ou deve saber, porque é público e notório) será uma novidade para a direcção da renascença, que até passa por ser composta por jornalistas, mas, lá está, ninguém é perfeito e estou cá para ajudar.

 

daí que quando a nota de abertura diz 'O que mais importa é saber se, por princípio, uma criança deve ou não deve ser educada por um pai e por uma mãe' a pessoa minimamente informada fica mesmo baralhada. então não querem ver que a rádio renascença começa por falar de categorias de pessoas 'do mesmo sexo' e de 'sexo diferente' e de repente passa para 'um pai e uma mãe'? como é que isto aconteceu? e esse pai e essa mãe são do mesmo sexo ou de sexo diferente? por exemplo, uma mãe do mesmo sexo pode adoptar com um pai de sexo diferente? e a inversa, será possível? e se a mãe for do mesmo sexo e o pai também? tudo isto merece maior estudo, parece-me. até porque, diz a renascença, 'o papel de um pai só pode ser desempenhado por um homem; tal como a maternidade tem características que só uma mulher pode assumir e pôr em prática', sem esclarecer qual o sexo: se o mesmo, se diferente, e sem nos responder a esta questão premente: se a lei em portugal não proibe as famílias monoparentais e até permite adopção singular, isto virá a que propósito exactamente? querem fazer um referendo sobre famílias monoparentais, é isso? querem proibir a adopção singular? descosam-se, vá. 

 

mas nada: a nota abre e fecha sem nos tirar desta inquietação de saber o que raio a move. diz a conclusão: 'Não se trata de discriminar ninguém pelas respectivas inclinações sexuais; trata-se apenas de reconhecer e identificar a natureza e de a aceitar, como ela é e será. Por mais que num momento da história tudo se faça para a desmentir e contrariar.' ora a natureza, como é e será, isto tem o quê a ver com adopção, mesmo? adopção não será exactamente resolver o que a 'a natureza' não resolve, tipo, adoptar crianças órfãs ou que a família biológica rejeitou? é que ia jurar. como ia jurar -- aliás juro -- que a co-adopção não é, como escreve a direcção editorial, portanto jornalística, da rádio renascença, 'a adopção das pessoas do mesmo sexo'; é mesmo a adopção por parte de um membro de um casal constituído do filho (biológico ou adoptado) do outro membro do casal. a co-adopção pode acontecer num casal de pessoas de sexo diferente e num casal de pessoas do mesmo sexo. na maioria dos países da europa é assim: em portugal está interdita em casais do mesmo sexo, o que significa que nesses casais de dois pais e duas mães só um dos membros é responsável legalmente pela criança.

 

portanto, caras pessoas (do mesmo sexo ou diferente, é indiferente) que escreveram esta nota de abertura, não está em causa na lei da co-adopção 'se por princípio uma criança deve ser educada por um pai e uma mãe'; o que está em causa é gente cruel e preconceituosa e ignorante, como quem escreveu esta nota, querer impedir crianças que vivem com casais do mesmo sexo de gozarem de toda a segurança e protecção jurídica de que gozam as crianças que vivem com casais de sexo diferente, e mentir para fazer crer que se trata de outra coisa qualquer.

 

mentir já não é pecado, por essas bandas? ou acreditam tanto em deus e nos respectivos mandamentos como eu e a única coisa que vos move é meter o nariz na vida dos outros e fazê-los infelizes, como provavelmente vocês são?

Post a pedido

O Paulo pede e eu respondo.

 

a) Em resumo:

1. A perturbação pedoebofílica, habitualmente designada por pedofilia, é uma perturbação parafílica.

2. Ser pedófilo não implica cometer o crime de abuso de menores.

3. Há abusadores de menores que não são pedófilos.

Continua aqui.

 

b) Uma mera atracção sexual por uma criança não configura uma perturbação pedoebofílica, perturbação que se inclui no grupo das perturbações parafílicas. Acontece que as parafilias não são ipso facto doenças psiquiátricos, isto é, a parafilia, por si só, não justifica um diagnóstico nem uma intervenção terapêutica. Uma perturbação parafílica é uma parafilia que causa sofrimento ou prejuízo ao próprio ou a terceiros. Sinalizar uma parafilia - de acordo com a natureza das pulsões, fantasias ou comportamentos - não significa diagnosticar uma perturbação parafílica - assente no sofrimento e no prejuízo do próprio e/ou de terceiros. Uma parafilia será, então, uma condição necessária mas não suficiente para que se diagnostique uma perturbação parafílica.

 

A. Over a period of at least six months, one or both of the following, as manifested by fantasies, urges, or behaviors:
(1) recurrent and intense sexual arousal from prepubescent or pubescent children
(2) equal or greater arousal from such children than from physically mature individuals

B. One or more of the following signs or symptoms:
(1) the person is distressed or impaired by sexual attraction to children
(2) the person has sought sexual stimulation, on separate occasions, from either of the following:
(a) two or more different children, if both are prepubescent
(b) three or more different children, if one or more are pubescent 
(3) use of child pornography in preference to adult pornography, for a period of six months or longer

C. The person is at least age 18 years and at least five years older than the children in Criterion A.

Specify type: Pedophilic Type-Sexually Attracted to Prepubescent Children (Generally Younger than 11); Hebephilic Type-Sexually Attracted to Pubescent Children (Generally Age 11 through 14); Pedohebephilic Type-Sexually Attracted to Both

Specify type: Sexually Attracted to Males; Sexually Attracted to Females; Sexually Attracted to Both

Continua aqui.

 

Achas que chega?

desafio matinal (à Ana Matos Pires)

Explica lá ao Henrique Raposo (e, já agora, a meio mundo, inclusivé a colegas teus de profissão - que uma vez uma disse-me na cara que não era nada disto - ), de uma vez por todas, definitiva e irrevogavelmente, que pedofilia e abuso sexual de crianças são coisas bem distintas, sim? É que um padre (ou outro cidadão qualquer) ou um gay (ou uma pessoa com outra orientação sexual qualquer) pode ser ambas as coisas ou nenhuma delas, pode ser abusador sexual de crianças sem ser pedófilo, pode ser pedófilo sem nunca ter abusado sexualmente (nem nunca vir a abusar) de criança nenhuma. Pedofilia é uma coisa, abuso sexual de crianças é outra, podem cruzar-se mas não se confundem. O segundo é crime, a primeira, não. Pedofilia é uma "perversão sexual", uma "desordem psiquiátrica" ou o que quiserem, mas é algo do foro clínico e não criminal. Um pedófilo é um doente, um abusador de crianças é um criminoso. Estou certo? Não? Se sim. explicas isto às crianças e relembras ao povo? E esfregas no nariz do Henrique Raposo, já agora, também?

Esta foi a resposta de Pedro Passos Coelho a uma pergunta que lhe fiz

"Num dos jantares com bloggers enquanto candidato, Pedro Passos Coelho falou sobre a questão da adopção por casais do mesmo sexo. Já não tenho a certeza se a pergunta foi feita pela Ana Matos Pires se por outro blogger. Tenho ideia que terá sido a AMP. Na altura, PPC, para surpresa geral, em vez de fugir à pergunta como é natural nos políticos nestas alturas e neste tipo de questões, deu a sua opinião (julgo que a mesma apareceu, na altura, na revista Sábado) que foi algo do género: "entendo que neste tipo de questões deve existir liberdade de voto dentro dos partidos" e mostrou não ser contra se cumpridos todo um conjunto de medidas de defesa dos interesses da criança. Não me esqueço da polémica que deu uma das suas frases: "a questão não é se o casal é do mesmo ou de diferente sexo, a questão deve ser sempre o superior interesse da criança, por isso, em tese, não me oponho". Quando os deputados forem votar esta matéria, independentemente da decisão que tomarem, espero que a blogosfera de esquerda e defensora da proposta do PS, se recorde destas palavras de PPC." (daqui, com sublinhados meus)

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