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“Perguntem ao Queiroz”

A selecção ganhou um jogo, empatou dois e perdeu outro. Nada mau, tendo em conta o real potencial dela (entre as primeiras 20, mas muito abaixo do nº 3 que o equivocado ranking da FIFA lhe atribui) e a qualidade dos adversários. Tirando Cavaco Silva e mais uns quantos águias, teremos todos que nos resignar.

Não é por a selecção ter sido eliminada nos oitavos que Queiroz não presta. É porque não presta.

Queiroz falhou da forma mais estrondosa precisamente no único jogo que ganhou, e logo por sete a zero. Ele previu que a Coreia do Norte jogaria fechada como fizera contra o Brasil, por isso lançou Miguel, Coentrão e Hugo Almeida. Enganou-se, por isso esmagou; se tivesse antecipado correctamente a táctica adversária, teria, quando muito, ganho à rasquinha.

Só alguém muito muito muito burro não percebia que, até à saída de Almeida, a equipa portuguesa estava a jogar presa por arames. Foi aí que uma ideia – ocorrência tão funesta quanto improvável - atravessou o cérebro de Queiroz: “Vamos tirar os arames.”

Do primeiro ao último jogo, todos os livres a 40 metros da baliza foram rematados directamente ao golo pelo Ronaldo, o que significa que nenhum desses lances se aproveitou. Quem decidiu assim?

Se foi Queiroz, fica claro que a sua táctica resumia-se a esperar que Ronaldo resolvesse os problemas da selecção num rasgo de génio. Se foi Ronaldo, fica claro que a selecção não tem orientação. Vendo bem, ambas as alternativas levam à mesma conclusão.

A gente não precisa de assistir aos treinos para entender, não é preciso ver aquilo que se imagina. O Professor (desconfiemos de todas as pessoas que se apresentam como Professores com P grande), publicamente, só diz tolices.

É claro que os jogadores não o respeitam. Ninguém respeita líderes que repetida e consistentemente provam a sua total e absoluta incapacidade.

Ele combina a saloice arcaica dos “heróis do mar” com a parolice cool da “imagem moderna”. Vocês imaginam as reuniões do Madaíl com o Queiroz? É isso, aposto que se fala dos concertos dos Black Eyed Peas, das exigências dos patrocinadores e das relações com os media. De futebol, nada.

A saída de Queiroz não garantiria apoteóticas vitórias futuras, limitar-se-ia a, reconhecendo o óbvio, criar uma situação mais sã. Infelizmente, estamos impedidos pelo PEC.

4 comentários

  • A selecção não tem nada que se pareça com jogo colectivo. Isso viu-se em toda a fase de qualificação e confirmou-se agora.
    A ideia é esperar que o Ronaldo desenrasque qualquer coisa.
  • Por que é que o Queiroz haveria de fazer melhor que o Scolari?
    O Queiroz é um organizador de garotos, não de adultos.
  • Sem imagem de perfil

    Júlio de Matos 30.06.2010


    O que eu quero realçar é apenas que o problema transcende, em muito, a mera questão do Treinador. Reside mais na visão que temos - enquanto espectadores, mas também e sobretudo enquanto dirigentes, jogadores, treinadores, organizadores de garotos (onde tudo começa!) e jornalistas - do Futebol e que, no fundo, radica mais além no conceito que temos do próprio País: pomos sempre todo o ênfase nas parcelas e esquecemos completamente o somatório. Um problema existencial e filosófico, no fundo.
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